XVIII - Coralinne Shade

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-MATTHEW- Gritou Max desesperado e foi correndo até o corpo morto de Matthew.

O que está acontecendo? O Peter havia falado que em seu sonho quem morria era o Max, por quê aconteceu isso com o Matthew? Não que eu queira que o Max morra, mas o Peter errou em sua previsão? , pensei enquanto olhava aquela cena trágica.

Nunca fui muito chegada ao Matthew, nos conhecemos a pouco tempo e não tive chances para isso, mas pelo que conversamos, ele é uma pessoa super legal e que se preocupa com os outros, ele não merecia uma fim tão triste como esse.

-Coralinne, Coralinne me ajude, eu preciso de ti, você sabe como invocar espíritos não? Ou pelo menos tem algum tipo de conexão com eles, que outro dia você chamou três fantasmas ou melhor, espíritos, preciso muito de sua ajuda para cumprir minha missão aqui nessa terra- Falou Max apressadamente para mim.

-Sim, acho que consigo, mas não é algo forçado, tem que vir de dentro, pode ou não funcionar- Respondi um pouco receosa.

-E quem precisamos chamar?- continuei.

-A morte, a minha querida morte- Respondeu Max com medo.

Houve um pausa, todos ficaram em silêncio por um tempo e Peter Falou:

-Mas por quê você quer invocar a morte?

-Não posso falar agora, espere e verás.

Por que diabos esse menino quer invocar a morte? Ele está ficando louco, só pode ser isso, ninguém invoca a morte, a não ser que essa pessoa queira morrer, esse espírito, o pior de todos, é muito esperto e sorrateiro, ninguém faz nada com ele. Como eu não sabia o que fazer, resolvi ajudá-lo.

-Não vai ser uma coisa fácil fazer isso, vou precisar que você me dê as suas mãos e esvazie sua mente, eu vou falar algumas coisas e você repete, não precisa ser em voz alta- Expliquei a ele.

-OK, tudo bem, faço de tudo pelo Matthew.

-Domine exaudi vocem multi disperient, precor auxilium tempore
accurate.
Omne opus virtutis et magnitudine Domini iudicio et desperantium amissis ad me venire ad me venire ad me, obsecro, oro, veni, toto furore ostenderes mihi indicare Me non potestis venire ad me-

Traduzindo do Latim fica:

Ó grande morte ouça meu chamado, vos suplico por ajuda nesse momento de
precisão.
Necessito de todo seu poder e magnitude, senhor dos julgados, dos sem esperança e dos perdidos, venha a mim, venha a mim, venha a mim, suplico-te, rogo-te, venha, revele a mim toda a sua fúria, mostre-me do que tu és capaz, venha a mim.

Max repetiu atentamente cada palavra pronunciada.

De repente o céu escureceu, o tempo parecia andar mais devagar, senti uma energia estranha se aproximando, uma espécie de névoa começou a tomar conta do local, tudo estava tão assustador, ruídos começaram a ecoar por todo o ambiente vindos do chão, depois foram aumentando cada vez mais até que uma cratera surgiu entre eu e Max, dela corvos saíram voando freneticamente, pouco a pouco um ser foi tomando forma em nossa frente, eu e Max demos um passo para trás com medo, um homem alto todo de preto e com um aspecto sombrio agora estava em minha frente, ele parecia mais um executivo do que a morte, mas mesmo assim transmitia pavor.

-Aqui estou eu, o ser que vocês tanto almejaram a presença, posso saber o motivo disso tudo Max?- Perguntou a Morte.

-Como você sabe o nome dele?- Perguntei.

-Não é do seu interesse garotinha- Respondeu seriamente.

Não fiquei surpresa com o tom de voz que ele usou, afinal, é a morte.

-Eu preciso de um favor seu, um acordo- Max respondeu.

-O que desejas?-

-Eu quero fazer um acordo com você, você devolve a vida do Matthew e em troca pode me levar- Respondeu Max com lágrimas nos olhos.

-Você não pode fazer isso Max- Gritou Melissa.

-Isso vai contra as leis da vida- Continuou.

-Quando o assunto é morte, não existem regras, tudo é válido- A morte interferiu friamente.

-Me parece uma boa proposta, aceito, aceito seu acordo-

Os dois apertaram as mãos, no mesmo instante uma bola de luz incandescente saiu de suas mãos e flutuou até o corpo de Matthew, ele deu um longo suspiro e levantou, Evelyn deu um abraço muito forte nele e o beijou.

Max foi andando vagarosamente até Matthew, chegou perto dele e Falou:

-Foi por você.

Logo após terminar de falar, Max cai no chão.

-O que está acontecendo aqui?- Perguntou Matthew enquanto tossia.

O corpo de Max começou a entrar em combustão, chamas saíam por todas as partes, até que não restou nada, apenas uma espada, outra só que dessa vez era uma espada com o porte médio, era toda feita em ouro e bronze, possuía o cabo dourado com uma pedra vermelha esculpida de modo aleatório e a lâmina laranja no formato de uma chama, em seu centro possuía veias por onde magma puro percorria sobre ela o que a tornava altamente perigosa, era linda.

A morte se aproximou do lugar onde antes estava o corpo de Max, ergueu suas mãos recitou algumas palavras, a grama começou a se mexer, depois de alguns segundo já estava grande e tomou a forma de um corpo, depois começou a recuar e lá no centro bem ao lado da espada, apareceu o corpo de Max, ele se levantou, pegou a espada, entregou a Matthew e Falou:

-Essa é especialmente para você, sempre que usar ela, lembre-se de mim- E deu um sorriso.

-Vamos filho, temos muita coisa para fazer- Falou a morte enquanto chamava Max.

Agora tudo faz sentido, a morte sabia o nome dele, porquê ele era o filho dele.
Max virou-se, deu a mão para a morte e seguiu em frente com tristeza nos olhos, um portal escuro apareceu na frente dos dois, quando estavam prestes a entrar, a Morte fala:

-Só mais uma coisa-

Ele balança o dedo indicador, um buraco se abre no chão e dele sai uma gárgula gigante, eu já tinha visto muitas gárgulas antes, mas nunca uma tão grande assim.

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