Capítulo 03 - Mesmo que a porta volte e bata na sua cara?

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Entre Sem Bater

Por Andréia Kennen

Capítulo 03

Mesmo que a porta volte e bata na sua cara?

Foi chegar ao tal Copo Sujo que percebi que o nome tinha, literalmente, a ver com o lugar. Ambiente simples, com uma área ao ar livre na frente, toras de tronco de árvores serviam de assentos e algumas maiores de mesas.

Mas o estranho era existir um estabelecimento como aquele praticamente no centro de Campo Grande, no cruzamento de grandes e movimentadas avenidas.

O bar parecia o tipo que se encontraria nos bairros. Aliás, minto, tinha muitos bares de padrão elevado nas periferias da cidade.

Ainda mais engraçado que o bar eram seus frequentadores. Antes de adentramos o local eu pude notar os vários carros de luxo estacionados na frente, enquanto seus prováveis donos, senhores, que pareciam ter um bom poder aquisitivo, se encontravam sentados nas mesinhas e conversavam a vontade, curtindo o som ambiente de MPB, bebendo caipirinha e beliscando porções de peixe.

Thiago parecia conhecer alguns dos presentes, pois, conforme fomos entrando, ele foi sendo cumprimentado com acenos. Chegou a passar em algumas mesas e cumprimentar os que estavam sentados com apertos de mãos.

Assim que atravessamos a área ao ar livre fomos recepcionados por um senhor de aparência oriental, certamente japonês, levando em consideração a grande colônia japonesa da cidade.

Thiago o cumprimentou com uma reverência, curvando metade do corpo para frente. O senhor repetiu o gesto dele, respondendo a saudação em sua língua estrangeira.

— Irasshai, Thiago-kun![1] Seus amigos estar lá no fundo. Entrar. Entrar. — informou em um português carregado do sotaque japonês.

Eu o cumprimentei com um leve meneio de cabeça, fiquei com vergonha de repetir aquele gesto de reverência, o comerciante pareceu compreender e apenas repetiu meu aceno.

Após nossos cumprimentos ao dono do estabelecimento, entramos no salão do bar, que também estava cheio, devido as mesas de bilhar. Passamos por outra porta e chegamos a área dos fundos, onde se encontrava um grupo diferenciado, compostos mais por jovens como a gente.

Todos estavam bem acomodados em mesas no mesmo estilo da área de entrada e do interior do bar. Havia gente de todos os tipos. Mas percebi algo em especial, algo que me fez sorrir sem querer. Ali tinha vários casais gays de garotos e garotas. Nenhum deles pareciam constrangidos em estar de mãos dadas, ou abraçados. De repente, respirei com alívio. Pela primeira vez na vida eu me senti normal.

— Aqui, Thiago! — um cara acenou em uma mesa embaixo de uma árvore frondosa, na companhia de vários casais.

Um deles dedilhava o violão enquanto o grupo cantarolava uma música da Legião Urbana. Não era uma das canções mais conhecidas, porque eu não reconheci a letra, mas pelo ritmo eu pude reconhecer que era do Legião.

O cara que havia acenado saiu do lado da garota que certamente era sua namorada e se levantou para recepcionar o Thiago com um abraço. Depois ele também me abraçou, se apresentando.

— Olá, sou o Claudio.

— Oi, Claudio. Sou o Caio.

O Claudio analisou meu rosto ao segurá-lo entre suas mãos e depois de alguns segundos constatou com um sorriso.

— Uau. Você é bem bonito, hein, Caio — comentou e felicitou o Thiago com tapinhas no ombro. — Seu padrão continua elevado, né, Thi?

— Cala a boca — o Thiago resmungou, devolvendo um safanão na cabeça do Claudio.

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