Am I a monster?

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| 11:50 PM |

Estou vagando entre salas e salas, mas não consigo encontrar uma saída. Aonde estou?

Ouço o ranger dos pisos. Me viro. Tentando distinguir a aparência da pessoa na meia-luz, vejo que minha mãe está a poucos centímetros de mim, seus olhos estão negros.

" M-mãe? "

Gaguejo.

" Eu não sou a sua mãe. " Ela responde, em um tom desagradável, com uma voz aguda e rouca. Está pálida, e com roupas surradas. Semicerro meu olhar, encarando seu rosto. É a minha mãe. Tenho absoluta certeza.

" Não pode ser você. A senhora está morta. " Digo, grosseiramente. Ela gargalha, novamente rouca.

" Eu estou morta, querida. Mas a sua mãe não. " Estremeci.

" Do que você está falando? " Me aproximo, e ela recua.

" Você não quer saber, querida. " Ela abaixa sua cabeça

" Quem se importa, eu sou um monstro. Não vê aonde eu vim parar? " Cuspo as palavras

" Você não é um monstro. Porque todos os monstros são humanos. E você não é um deles."

Ela desaparece, e eu corro em direção ao corredor que ela vagou, olho para todos os lados, desesperadamente. Corro. Depois ouço gritos ensurdecedores. Paro diante de uma porta no final do corredor. Abro, uma sala de espelhos. Vejo que algo está diferente em meu rosto. Chego perto de um dos espelhos, com a frase '' você não é um deles" vagando pela minha cabeça. E me vejo. Minha pele está rachada. Eu sou magra demais. Meus olhos estão negros como os de minha mãe, mas agora, com veias avermelhadas. E eu pisco. Um palhaço está com suas garras enormes apoiadas em meu ombro. Ele sorri para o espelho, e é como se uma máscara estivesse costurada contra sua face. Eu grito.

Meu grito se transforma no alarme, abro meus olhos, tudo está claro. Me sinto molhada. Rafael está parado diante de minha cama, com um olhar assustado. Sinto algo sobre minha mão. Ela está ensanguentada. Mas eu só vejo marcas de arranhões.


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FEEDBACK SE QUISEREM QUE EU CONTINUE.


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