Capítulo I

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Emma vivia sozinha por opção própria. Há uns anos tivera uma relação aparentemente sólida com um antigo colega de curso, Neal, mas as coisas acabaram por não correr da melhor maneira, porque Emma era uma mulher que precisava do seu espaço e da sua liberdade e nem todos os homens sabiam conviver com isso. Normalmente, os homens esperavam uma dedicação incondicional por parte da mulher com quem estavam e não queriam, pelo contrário, dedicar-se eles próprios incondicionalmente. Emma não sabia viver assim; não era que quisesse ter uma vida dupla, ou que fosse mulher de infidelidades. Era outra coisa, uma necessidade de espaço e de tempo para si própria, sem prejuízo da relação que podia ter. O problema era que não havia muitos homens dispostos a isso e Emma só tinha encontrado dois tipos de homens na vida: os que fingem estar presentes e depois são infiéis e os que, não sendo infiéis, querem uma vida completamente caseira, rotineira, igual todos os dias e sem nenhuma espécie de aventura. Emma não era mulher para nenhum desses dois tipos. Precisava de liberdade, de espaço, de aventura, mesmo que fosse sempre fiel. Por isso, a relação com Neal acabou depois de dois anos, sem que Neal tenha percebido porquê e Emma estava sozinha desde então. E apesar de se dar bem com a solidão, começava a sentir-se cansada e sem perceber muito bem o que queria...

Nos últimos meses, uma ideia vinha ganhando forma na sua cabeça: largar tudo e partir numa viajem de sonho, que a ajudasse a reencontrar-se a si mesma e a recuperar o equilíbrio que perdera algures no passado.

Na ultima sexta-feira daquele mês de Junho, anunciou ao conselho de administração que deixaria de trabalhar na empresa, passou todos os seus compromissos para outras pessoas e saiu do edifício onde trabalhar durante três anos com uma sensação de liberdade que não podia explicar de onde vinha, mas que lhe sabia muito bem! Caminhou pela rua sem pressa nem destino definido e regressou a casa sem saber muito bem como seria o dia seguinte. Depois do jantar, deixou-se ficar à janela a ver o céu e antes de adormecer decidiu que, na manhã seguinte, decidiria o seu destino e assim foi.

No sábado, Emma acordou cedo e sem despertador. Depois do café da manhã, saiu para a manhã ensolarada que se abria sobre StoryBrooke. Estava decidida a dar um novo rumo à sua vida e sabia que isso passaria por realizar um dos seus sonhos: viajar. A caminhada foi traçada. a partir dai, em busca de uma agência de viagens.

Algumas ruas depois, o letreiro de uma agência de viagens anunciava-se sobre a porta de uma loja. Emma entrou e foi recebida por uma funcionária prestável e conhecedora de vários cantos do mundo.

– Bom dia.

– Bom dia. - Respondeu a moça. - Em que posso ajudar?

Emma pensou um pouco e disse:

– Queria fazer uma viajem a um local muito bonito, mas uma viajem que durasse algum tempo...Ainda não sei muito bem o que quero...

A funcionaria da agência de viagens convidou-a a sentar-se e trouxe-lhe vários catálogos e folhetos com viagens para todos os locais possíveis e imaginários e Emma começou a procurar o seu destino. O calor dos trópicos entusiasmava-a, mas não era isso que procurava. Também não era a viajem certinha, com avião, hotel e refeições incluídas. Precisava de outra coisa e encontrou-a no momento em que uma imagem de um mar azulissimo e brilhante se lhe apresentou perante os olhos: as ilhas gregas! Era isso mesmo, como é que não se tinha lembrado. Desde sempre que sonhara com a Grécia, as suas lendas e as suas paisagens de sonho, tão ligadas à historia da Europa e tão bem cantadas por poetas inesquecíveis.

Durante mais alguns minutos, folheou a revista com imagens da Grécia para ter a certeza do seu entusiasmo e tudo se confirmou. Os monumentos imponentes de Atenas encheram-lhe o olhar, mas o que verdadeiramente a fez sonhar foram as ilhas, algumas pouco habitadas, outras verdadeiros paraísos pontuados por pequenas casas de pescadores e muitos recantos com vista para o mar. Emma queria conhecer aquele mundo, estava decidido.

– Acho que já sei o que quero.

– Diga, então. - Respondeu a moça.

– Há algum pacote que inclua uma partida de Atenas em direcção às ilhas gregas? - Perguntou Emma.

– Sim, claro! - Respondeu a funcionária. - Temos uma proposta que inclui a viajem até Atenas, dormida, passeio durante a manhã e partida para um cruzeiro pelas ilhas gregas. É uma proposta algo aventureira, com paragem nas várias ilhas e programa livre: os passageiros podem optar por seguir nas excursões que planeamos, mas também podem passear pela sua conta, sem se restringirem ao que propomos.

Emma sorriu:

– Sim, é isso mesmo que eu quero!

Depois de tratarem de toda a papelada necessária e dos pagamentos, Emma saiu da agência de viagens com um enorme sorriso estampado no rosto e com a sensação de ter dado um passo importante para a sua felicidade. Caminhou durante algum tempo pelas ruas da cidade e começou imediatamente a sonhar com as belas paisagens e as intermináveis extensões de azul que a esperavam a bordo do navio. E depois havia o próprio navio, a viajem de barco, um sonho que Emma acalentava desde pequena e que, apesar das posses da família, nunca se havia proporcionado antes. Era agora o momento de o realizar.


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