The beginning

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O começo é sempre igual em todo o lugar, certo? Meu nome é Emma Swan, tenho 28 anos e vivo em Boston na casa de uma amiga de infância. Meus pais? Nunca os conheci. Fui largada na beira da estrada quando tinha dois meses e morei durante quase toda a minha vida num orfanato em Nova York onde conheci essa minha amiga, Lily. Tinha acabado a minha faculdade à três meses e já tinha enviado propostas de emprego para todas as delegacias que eu conhecia, agora era só rezar.

Estava em frente ao meu notebook fazendo nada, quer dizer, conferindo o Facebook e o Twitter, não que eu use muito as redes sociais. Lily estava assistindo uma séria qualquer na sala num volume tão alto que sempre que a personagem principal gritava eu não conseguia ouvir os meus pensamentos.

A ouvi gritar me anunciando que ia fazer o almoço enquanto desligava, finalmente, a porcaria da TV. Gritei um "Tudo bem!" de volta e continuei focada na tela do notebook, quando chega uma mensagem no meu e-mail. Fui abrir e quase cai da cadeira quando vi que tinha sido, finalmente, aceite numa delegacia numa cidade qualquer chamada...StoryBrooke?

– Lily! Consegui! - Gritei correndo para a cozinha com o notebook nos braços.

A escuridão no local me deixou meio tonta, nunca percebi como aquela garota podia gostar tanto do escuro e, ainda por cima, conseguir cozinhar no escuro.

Apontei a luz da tela do notebook para os lados até encontrar o corpo de Lily debruçado sobre uma lasanha semi-pronta.

Quando ela viu a luz quase pulou em cima da lasanha e esticou o braço rapidamente para tocar o interruptor e ligar as luzes.

– Conseguiu o quê? - Ela perguntou se virando para mim com os braços cruzados sobre o peito.

Coloquei a tela do notebook na frente dela e deixei que ela lesse durante alguns segundos.

– Vou ser xerife em StoryBrooke! - A minha voz estava mais esganiçada do que aquela vez em que o garoto que eu gostava no colegial me convidou para o baile e eu disse o sim mais agudo da minha vida.

Ela se debruçou mais sobre o notebook como se estivesse tentando perceber no mapa que vinha no e-mail onde raios ficava StoryBrooke e por fim suspirou.

– Você vai aceitar? - Aquela era, definitivamente, a pergunta mais idiota que alguém tinha feito para mim.

Aquele era o meu sonho. Desde que me entendo como gente que sempre quis ajudar as pessoas, salvar vidas, prender mal-feitores e derrotar as forças do mal, bem no estilos dos Vingadores. Era tão óbvia a minha resposta.

– Eu vou aceitar sim, o meu problema é que não tenho dinheiro para comprar uma casa lá. - Virei de novo o notebook para mim e fiquei analisando a tela como se uma resposta milagrosa para o meu problema fosse pular de lá a qualquer momento.

– Toma. - Ela fui no chaveiro e tirou de lá uma chave dourada, a lançando para cima de mim.

Pousei o notebook na bancada da cozinha e analisei a chave. Lily só podia estar brincando! Como diabos ela conhecia aquela cidade? E porque raios ela nunca tinha me falado dela?

– O que é isso?

– Uma chave. Lembra quando eu fui adotada e depois fugi e estava sempre com aquele colar com uma chave no meu pescoço? Essa é a chave. A família que me adotou era dessa cidade, mas eles já devem ter morrido. Eu roubei a chave da casa deles, é só você chegar lá e se servir da casa como se ela fosse sua. Esse é o meu presente de todos os seus aniversários e todos os natais nos próximos vinte anos. - Ela voltou novamente a sua atenção para a lasanha.

– Puta que pariu, Lily! Isso é perfeito de mais!

– É, de nada. Agora vá arrumar as suas malas que eu vou comprar a sua passagem. Quero você fora da minha casa até amanhã. - Ela falou brincando e eu corri para a abraçar.

– Eu também te amo.

Comecei a arrumar as minhas coisas imediatamente e passado uma hora já tinha tudo em malas e mochilas, não que eu tivesse muita coisa, mas não iria deixar nenhum vestígio meu naquela casa. Depois de tantos anos, Lily tinha direito em ter um espaço só dela. Fiquei tão cansada que acabei por adormecer e já eram oito da noite quando Lily me acordou falando que já tinha comprado a passagem.

O meu voo ia partir às 10:30 da manhã seguinte e eu ainda tinha tempo o suficiente para me despedir daquela vadia. Tinha preparado todo um plano para dar um adeus aquela cidade e à minha idiota favorita, mas os planos foram por água a baixo quando ela me levou para uma boate onde enchemos a cara.

Só me lembro de dançar em cima de uma mesa com ela ao som de DNA. Também me lembro de uns caras tentando uma conversa mais "profunda" comigo, se é que me entendem, e eu sempre dava um jeito de fugir deles até que eu encontrei um. E como raios eu me iria esquecer daquele homem?


Love SongOnde as histórias ganham vida. Descobre agora