Prólogo

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O ar entrando e saindo naquela velocidade alucinante já arranhava a minha garganta e os meus pulmões. Os meus pés imploravam para que eu parasse, mas eu não podia. Eu não podia, em qualquer circunstancia, parar de correr. Embora estivesse cansada, aquilo estava me divertindo e um pequeno sorriso não conseguia sair do meu rosto enquanto eu segurava o vestido para conseguir correr melhor sem tropeçar. Olhei para trás durante uns segundos e soltei uma pequena gargalhada quando vi Graham, capitão da guarda real, correndo atrás de mim como um louco. Como ele ainda estava longe, parei um pouco para recuperar um pouco o fôlego e tirar os saltos que tanto me magoavam enquanto corria. Ouvi o meu nome ser gritado pela quarta vez e dessa vez o som estava terrivelmente perto. Voltei a correr deixando os sapatos encostados numa árvore. Avistei um pequena aldeia e decidi entrar, para tentar me confundir no meio da população, mas foi uma ideia horrível, pois, passado um pouco, esbarrei contra alguém e acabei caindo no chão, que não me magoou, pois eu cai em cima das infinitas camadas que o meu vestido tinha.

- Alteza, me perdoe. - Uma mulher fez uma pequena vénia e se prontificou para me ajuda a levantar. Agarrei a sua mão e me levantei. Quando ia começar a correr senti um puxão no meu braço e rapidamente o meu corpo foi lançado contra um outro corpo, olhei para cima e me deparei com os olhos chateados de Graham.

- Alteza, quantas vezes é preciso lhe dizer que não pode sair do castelo? - Perguntou enquanto segurava o meu braço firmemente, mas sem me machucar. - Os seus pais ordenam que volte agora para o palácio.

O sorriso não conseguia sair do meu rosto. Graham e eu éramos amigos desde...sempre...e era sempre engraçado ser apanhada por ele, pois nunca acontecia algo de realmente mau, o máximo que acontecia era eu ser levada para o castelo num cavalo branco enquanto me ofereciam coisas e mais coisas para aumentar o meu conforto na viajem até o palácio. Quando chegamos ele me guiou até à entrada do castelo e quando uma aia apareceu para me levar À sala do trono sorri para ele.

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- Boa tarde, majestade. - Fiz uma vénia. Meu pai nem sequer olhou para mim de tão chateado que estava. Meu sorriso sumiu na hora. Papai nunca tinha ficado bravo comigo como parecia estar agora e isso não queria dizer boa coisa. Ele normalmente gritava comigo e tudo mais, mas nunca me ignorava.

O conselheiro real olhou para mim de cima a baixo e depois se aproximou dele sussurrando algo no seu ouvido.

- Emma. - Minha mãe chamou com o seu normal tom carinhoso e ao mesmo tempo autoritário. Os olhos dos meus progenitores estavam sentados em mim e um mais regado e rígido do que o outro. Coloquei as mãos atrás das costas esperando a sentença, como sempre fazia.

- Eu sei, mamãe, vou ter mais duas aulas extras de etiqueta por semana. Agora, por favor, podem parar de me olhar desse jeito? - Falei me sentindo meio desconfortável. Eles olharam um para o outro, ainda extremamente sérios, e isso me incomodou ainda mais.

- Nós não a colocaremos de castigo, Emma. - Meu pai falou e eu arqueei uma sobrancelha, completamente confusa.

- Não? - Perguntei estranhando, mas ao mesmo tempo animada por não ter que aguentar a madame Tremaine durante mais duas horas extra.

Eu tenho vinte anos e já à muito tempo que deveria estar casada e pretendestes não são coisa que faltam, mas papai decidiu que só me casarei quando aprender a me comportar como uma dama, coisa que ele pensa que eu não consigo e é verdade.

Eu não fui feita para usar vestidos compridos, sapatos altos, coroas e jóias. Não fui feita para andar direita como uma tábua e ter um peso certo para cada idade. Não fui feita para dançar em bailes reais ou para viver apenas segundo as ordens de um marido que eu não tinha. Quando os meus pais morressem eu teria que subir ao trono, pois era a sua única filha, mas eu nunca seria capaz de governar. Eu queria lutar. Proteger o nosso reino das invasões inimigas e ajudar o meu povo, convivendo com ele.

Nas aulas de etiqueta só me ensinavam como pegar numa colher, como uma dama faria, ou como acenar para a população, como uma dama faria. Não me ensinavam coisas de verdade.

Olhei directamente nos olhos de meu pai e senti o que vinha por ai. Com certeza não seria um castigo, mas si um sacrifício à minha paciência. Antes mesmo que ele falasse fosse o que fosse eu já tinha quase a certeza do que sairia da sua boca.

- Irá viver com o Lorde Rumpelstiltskin e a sua família durante os próximos três meses.


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