Capítulo 7: Histórias de um veterano

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Após horas de passos acelerados, uma tempestade alcançou Érico. Ele decidiu proteger-se sob um teto de rochas e ficou por ali por algum tempo. Bebeu sua última reserva de água e assistiu os relâmpagos coloridos batendo sobre as Rochas Puxadas. Era uma visão bela e ao mesmo tempo assustadora. A tempestade não pararia tão cedo, concluiu, e decidiu passar a noite em um abrigo improvisado. Se Exel estivesse ali, ele estaria dentro de uma de suas tendas luxuosas, a irmã adotiva era muito boa em acampar.

Na manhã seguinte, Érico acordou com uma visão ainda mais preocupante do que a da noite anterior. Os meteoros podiam ser vistos mais próximos, a olho nu, descendo na direção de Téssera. Era impossível calcular se eles eram grandes demais para causar algum estrago ao planeta ou apenas uma chuva corriqueira de meteoros, mas preferiu não arriscar e voltou a acelerar o passo. Com o tempo, olhos pregados sobre os meteoros, notou algo intrigante: eles estavam desacelerando gradualmente enquanto se aproximavam do solo no horizonte. Aquilo definitivamente não era normal. Érico não encontrou nenhuma referência no Acrux e decidiu ir para lá.

Algumas horas depois, ele chegou a uma espécie de cratera ao atravessar uma elevação rochosa e escorregadia, e teve a certeza de ter encontrado o que procurava: a casa era uma torre de quatro andares e tinha cinco metros de espessura, com teto de telhas vermelhas cobertas de neve. Antenas e radares brotavam espalhadas por todos os lados. Atrás da casa, havia um armazém com correntes selando a porta.

Ao lado do armazém, Érico viu a peça mais intrigante da moradia, semelhante a uma antena, mas com uma base de metal circular. Ela emitia um ruído semelhante ao de um motor em funcionamento, e diversas peças de metal flutuavam sobre a base circular.

Os meteoros estavam a apenas alguns quilómetros da cabeça do rapaz, agora mergulhado em puro desespero. Porém, com o uso de sua lente, ficou claro que não era alguma alucinação do deserto. Os meteoros de fato estavam desacelerando.

O solo tremeu com a aproximação das rochas em chamas. Um gelo percorreu a espinha de Érico ao perceber que as rochas estavam para cair bem acima da construção no meio do deserto, e por consequência, sobre ele.

— O que eu faço, o que eu faço? – berrou, mesmo sabendo não haver ninguém por perto para ajudá-lo. Desejou voar dali com sua habilidade recém descoberta e ainda inexplorada, mas mesmo que soubesse usá-la, não teria tempo. Sua única opção diante da aproximação das rochas foi encará-las, em estado quase catatônico, assistindo sua própria sentença de morte. Então era isso. Morreria sem se tornar um Caçador de Relíquias, sem encontrar um Desbravador e sem respostas sobre seus irmãos. Seria esse seu Destino? Era o que suas tatuagens descreviam em seu corpo? Sua aniquilação em Téssera, esmagado por meteoros vindos do céu? Que frustrante...

Quando a quentura tornou-se insuportável, ele fechou os olhos e se encolheu o quanto pôde próximo ao chão. Onde estava Darwin, com sua habilidade de se safar com teletransportes? Uma onda de vapor aproximou-se e um vento potente bateu contra o solo, jogando Érico para trás. Ao chocar-se contra o chão, ele demorou alguns segundos até se recompor. Ao erguer o corpo, teve uma visão peculiar e surpreendente: os dois meteoros não chegaram a se chocar contra o solo. Ao invés disso, eles flutuavam. Estavam parados sobre a base da antena de metal, pairando sobre ela como se fossem detidos por um imã gigante. Mangueiras esguicharam jatos de água e molharam os meteoros, apagando suas chamas e revelando pedaços de rocha fundidos a peças e entulhos tecnológicos semelhantes aos dejetos recolhidos por Érico em Miesac.

Passado o susto, Érico caminhou em volta da antena e observou os enormes dejetos. Eles haviam sido atraídos para lá por aquela máquina, sabe-se lá como e por que. Só havia um meio de descobrir sobre aquele mistério. O rapaz dirigiu-se a casa em forma de torre e bateu na porta, aguardando para ver se o autor da engenhoca magnética o atendia. Não demorou muito, a porta foi aberta.

Absolutos I - A Sinfonia da DestruiçãoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora