Capítulo 6: Portais

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Assim que ouviu a palavra "Caçadores", Érico abriu um enorme sorriso, como se a sorte estivesse lhe sorrindo de volta. Mal saíra de Miesac, e já havia encontrado uma Caçadora. É claro que o fato de ser procurada e prisioneira o preocupava um pouco, mas nada com o que não pudesse lidar. E pensar que um dia as aventuras desses heróis eram apenas histórias para dormir que sua irmã lhe contava.

— Uma Caçadora de Relíquias? Aventureira? Tem uma família voando por ai com você, também? – perguntou Érico, atropelando-se em suas palavras.

A Tharina hesitou por um breve instante, com uma mordidinha no lábio.

— Isso... isso tudo – a voz dela não saiu firme como antes. — Muito agradecida por ter me salvado daquelas porcarias, queridinho – apontou para a algema com desprezo. — Agora, me diz pra onde você está indo?

— Para Dyo. Estou buscando uma nave para poder formar minha própria família de caçadores, e poder voar pelo Universo caçando todas as Relíquias que eu conseguir. No meu manual, diz que uma boa família de Caçadores conta com um guerreiro poderoso, um estrategista, um piloto, um tradutor de línguas, alguém para liderar tudo isso... vocês caçadores são demais, eu já disse isso? – contou Érico, com vontade de abraçar a Tharina. Ele voltou os olhos para o orifício deixado por sua câmara agora desaparecida.

— Hum, que pena, eu nunca estive em Dyo. Eu só posso me teleportar pra lugares em que eu já estive antes. Mas você falou em nave, talvez eu conheça uma pessoa que possa te ajudar com isso.

— Espera, teleportar? Como assim? Igual fez com a minha câmara?

Os dois foram interrompidos pelo arrombamento súbito da porta. Três Nobas vestidos com roupas laranja e verde de prisioneiros e um humanoide animalesco com rosto de tigre e tatuagens pelo corpo descamisado emergiram, armados com porretes e chaves de fenda.

— Tharina causa mais problemas de novo? – gritou o animalesco, com uma baba escapando da boca.

Darwin virou-se na direção dos invasores e seus braços brilharam. Seu corpo desapareceu em um súbito, cercado de círculos de energia, e reapareceu no corredor atrás deles. Com agilidade, seus braços entraram por novos círculos e reapareceram diante das armas dos inimigos, agarrando-as. Darwin puxou as mãos para fora e as armas saíram com elas. Érico manteve os olhos vidrados em sua habilidade de abrir portais e transpassar por eles.

Com um sorriso desdenhoso, Darwin jogou uma chave de fenda contra o olho de um dos Nobas, que caiu como uma tábua contra o chão. Ela desapareceu por um portal e reapareceu sob os pés de um segundo Nobas, puxando-o para dentro enquanto ele grunhia. O corpo dele reapareceu por um portal no teto e despencou para o chão. O terceiro Nobas girou o corpo ao redor de si, virando a cabeça para todos os lados a fim de encontrá-la. Um portal surgiu ao lado do ser, que tentou golpeá-lo. Porém, caiu para dentro dele e desapareceu. Só sobrou o animalesco.

— Tharina vadia, Gorbo arranca sua pele e se cobrirá com ela!! E você, humano?! Foi você quem libertou vadia? – a fera rugiu para Érico, que se afastou na direção do buraco de metal retorcido, iluminado pelas luzes multicoloridas do Universo.

— Sai pra lá!... – Érico sentiu o suor na testa e agarrou a lona com a Dupla Vorpal enquanto a garra do tigre humanoide avançou sobre seu pescoço. Porém, Darwin saiu de um portal e meteu seu pé na frente do inimigo, que despencou para dentro dele e também desapareceu.

Érico olhou à sua volta para ver se não havia mais inimigos e respirou aliviado ao concluir que haviam sido todos abatidos.

— Por que esses caras te atacaram? E que lugar é esse? – ele atropelou-se nas palavras, ainda segurando a lona em suas costas.

Absolutos I - A Sinfonia da DestruiçãoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora