19.3 FUGA

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Eu tive uma crise de riso intensa.

Não me orgulho de ter gargalhado com JP ajoelhado, segurando um quindim e seu pedido de namoro mais fofo impossível, mas apenas não consegui segurar. Acho que foi o nervoso de não saber o que fazer ou o alívio em ter descoberto que ele não comprara camisinhas - e sim o quindim.

Ele me ofereceu um copo de água, também rindo e achando muita graça do meu desajeito. Por fim, acabamos sentando pra comer a comida levemente queimada (porque JP esqueceu de mexer o frango e alguns ficaram com pedacinhos pretos) sem que eu lhe desse uma resposta.

Na verdade, eu sequer sabia como responder aquilo.

JP levou meu silêncio numa boa, enquanto eu me contorcia de nervoso, sem saber como falar. Porque, pra falar a verdade, eu não sabia o que namorados faziam.

Sexo.

Sacudi a cabeça e afastei o prato, já satisfeita. Modéstia à parte, minha comida era bem gostosa. Respirei fundo e encarei o quindim ali... Dando sopa.

JP sorriu quando eu o levei a boca e mordi, então notei que aquela era a resposta que ele queria, afinal. Comecei a rir outra vez.

- Isso é um sim, é? - perguntou. - Essas suas risadinhas?

Acabei por concordar com a cabeça, ainda rindo e com a boca cheia de doce. JP abriu ainda mais o sorriso e arrastou sua cadeira para o meu lado, colocando o braço por cima do meu ombro.

Não sei bem como começamos a nos beijar; em uma hora, eu estava comendo quindim com a cabeça encostada no ombro dele, no momento seguinte, JP estava me dando quindim na boca... Com a sua própria boca. Logo após, o resto do doce foi totalmente esquecido pelos lábios dele.

Não havia nada a se reclamar dos beijos apaixonantes de JP. Queria conseguir dizer alguma coisa que fosse à altura do que eu sentia quando estava com ele. O homem parecia saber fazer a coisa certa para me deixar completamente maluca porque todos os meus sentidos ficavam inteiramente voltados para ele. Não pensava se alguém poderia chegar ali e nos pegar nos agarrando, não pensava que tinham restos de comida nos pratos no centro da mesa, não pensava que tinha que olhar o celular pra ver de Mila e Talles precisavam de alguma coisa. Eu não pensava.

Toda a minha existência estava voltada para cada pedaço de pele dele que encontrava com a minha, nos seus lábios quentes e certeiros, nas mordidas, lambidas e chupadas em meu pescoço e na forma com que sua mão traçava minhas curvas, como se eu fosse a mais delicada e a mais sedurota obra de arte já feita.

Seus suspiros de falta de ar e os baixos e leves gemidos que ele dava quando eu mordia sua boca ou fincava minhas unhas em sua nuca e costas me arrepiavam por inteira e me faziam jogar a cabeça para trás, dando-lhe mais espaço para explorar meu pescoço.

Era algo surreal que acontecia e eu não conseguia medir ou ordenar. Era só fechar os olhos e memorizar aquele momento, para que eu pudesse acessar para sempre.

Os beijos foram ficando cada vez mais vorazes e eu implorei por ar, enquanto ele beijava minha orelha. Queria corresponder a empolgação, mas meu corpo já não obedecia as minhas ordens, os comandos não funcionam com perfeição e sua movimentação era toda em torno do que JP fazia e no que poderia ser feito de volta.

Descontrolada e sedenta, acabei por colocar minha mão sobre sua virilha e notar que sua excitação era bastante evidente, mas mais que evidente foi a resposta do meu corpo àquela constatação, alagando minha calcinha e deixando um murmúrio de satisfação escapar dos meus lábios, sendo correspondido bravamente por um rouco e enlouquecedor gemido baixo de JP.

Eu não era inocente, eu devia dizer. Não era que eu nunca tivesse deixado algumas mãos bobas ou algumas coisas passarem da linha. O problema é que, com JP, meu corpo não tinha freio. Eu não sabia brecar e não sabia fugir dizendo que eu ligaria amanhã. Com ele, eu realmente sentia que podia ser bom pra mim também e que aquilo poderia acontecer a qualquer momento.

Por isso, não me importei quando suas mãos procuraram meus seios por cima da blusa, nem quando os lábios desceram pelo mesmo caminho, os dentes mordiscando meu mamilo enrijecido. Agarrei seus cabelos curtos e soltei um gemido baixinho, sem conseguir me conter. Minha mão, obedecendo sua própria vontade, tentou fechar-se sobre seu falo rígido, sem muito sucesso - tanto pela grossura quanto pela barreira que o tecido nos fornecia, impedindo o contato direto.

Meu corpo tremia, pedindo por mais e eu puxei sua boca para a minha, sugando seus lábios exigindo a atenção da sua língua, enquanto suas mãos voltavam cada uma para um seio meu e os acariciava e apertava, beliscando e massageando.

Fui eu que saí da minha cadeira e tomei a atitude de sentar de pernas abertas em seu colo. Ele parou de me beijar para me encarar com os olhos brilhando enquanto eu me ajeitava, antes que eu pudesse atacá-lo furiosamente.

Eu sentia sua rigidez em contato com o lago que se formava no meio das minhas pernas e isso só piorava a minha situação, mas as sensações... Elas eram como um trovão, eletrocutando toda a corrente sanguínea do meu corpo, entorpecendo meus batimentos cardíacos e fazendo com que os pelos se eriçassem e eu tremesse e vibrasse, rugindo para ter mais e mais daquilo.

Era como uma droga.

Uma droga que eu queria mais.

JP beijou-me ainda mais fervorosamente e se levantou comigo no colo, empurrando os pratos e os copos para longe (espero que nada tenha quebrado) e me colocando sentada sobre a mesa e se encaixou no meio das minhas pernas.

Parou de me beijar e se afastou. Encarei-o, mordendo os lábios e quase puxando-o de volta para onde ele estivera segundos antes.

Aí ele começou a desamarrar a cordinha do shorts.

Seus dedos se posicionaram no cós e afrouxaram o aperto.

E eu não fiquei para ver o resto.

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