18.3 DORMINDO

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Meu banho foi rápido, até, para a situação em que eu me encontrava. Enquanto a água caía, pensei no que fazer e como reagir ao comportamento errádito de Drica e consegui uma solução razoável para, talvez, acalmá-la quanto à insegurança sobre eu ir embora.

Ela precisava saber como eu me sentia.

Não era a solução mais confortável para mim, mas, agora, com a clareza das opiniões externas de Talles e Mila, eu conseguia entender algumas das mensagens obtusas que ela tentara me dar durante todo o verão. Achei que era hora de dar um passo para frente, em cima do que acontecera no carnaval.

Saí do quarto apenas de short. Estava calor pra caramba e eu não me daria o trabalho de vestir uma camisa para dormir - ainda mais que eu dormiria na sala, com apenas o ventilador e, com sorte, o vento para me refrescar.

Quando cheguei, fomos todos para a mesa comer o frango - Talles ainda sem tomar banho e Mila reclamando sobre isso. Drica, timidamente, se acomodou ao meu lado e, enquanto comíamos, senti sua mão escorregar para a minha coxa.

Tomei uma lufada de ar e engoli um bocado do refrigerante à minha frente, para tentar manter a calma naquela situação.

O impressionante era: até de manhã, eu estava super tranquilo sobre Drica e eu. Não que ela não me excitasse, às vezes, mas acho que eu não tinha a neurose de tentar esconder isso dela, e, com certeza, não sentia aquela descarga de energia por tão poucas coisas.

Mas a ideia de que Drica talvez nunca estivesse daquela forma com ninguém estava gravada na minha mente e me deixando nervoso. Da boa e da má maneira.

A boa era, se nós déssemos certo e tudo fluísse bem, eventualmente nós teríamos uma noite especial e eu seria o primeiro homem dela e a fantasia era clara demais para que eu não a desejasse. E mesmo se, algum dia, nós terminássemos, eu teria certeza que ela lembraria com carinho de mim - eu lembrava com carinho da minha primeira mulher.

A má era a responsabilidade. Drica era uma garota incrível que merecia uma primeira vez ainda mais incrível. Seria um trabalho difícil, ainda mais quando ela era tão nervosa e ansiosa, mantê-la confortável para que sentisse o mínimo de desconforto possível e gostasse do que faríamos.

Mas valeria a pena cada segundo.

- Tá tudo bem? - sussurrou para mim, quando eu comecei a tossir, por ter me engasgado ao tomar o refrigerante rápido demais.

Sob uma discussão acalorada de Talles e Mila, concordei com a cabeça, tentando não deixá-la neurada por causa do meu comportamento esquisito.

Segurei seu rosto pelo queixo e deixei um beijo leve em sua boca.

- Tá sim, linda.

Ela abriu o maior dos sorrisos e terminou o jantar, despreocupada. Decidi, por bem, fazer uma coisa de cada vez.

Soterrá-la com as minhas ideias, sentimentos e informações era o que eu menos queria no momento. Gostava de ver Drica com aquele sorrio leve estampado no rosto.

Talles perdeu a batalha, como sempre, e resolveu fazer o seu próprio conselho e obedecer a namorada, indo tomar banho e deixando seu prato - comido apenas até a metade - dentro do microondas. Mila soltou um suspiro cansado e jogou o cabelo para trás.

- Eu juro que ele não é sujinho assim sempre - contou.

Rimos, eu e Drica e Mila sorriu da sua piada às custas do namorado. Recolheu seu prato e resolveu lavá-lo, enquanto Drica e eu terminávamos de comer. Logo, deixou-nos sozinhos, indo se recolher ao quarto que dividia com Talles.

Acabei de comer naquela hora e levantei para seguir os mesmos passos de Mila, mas Drica segurou meu prato, levantando-se também.

- Deixa que eu lavo - sorriu. - Tô acostumada.

Eu tinha uma resposta pra isso, mas ela ficou presa no céu da minha boca. Deixei Drica arrancar o prato de minhas mãos e levar o resto da louça para a pia. Parei ao seu lado e fiquei admirando-a, enquanto ela levantava o rosto para me olhar, repetidas vezes, parecendo bastante encabulada, mas feliz.

Ela era linda demais. Até encabulada, sem jeito e fazendo atividades domésticas. Tinha um sorriso de menina sapeca, uma timidez leve que escondia atrás daquela fachada de mulher poderosa e bem resolvida. Uma boneca adorável.

- Para com isso - riu.

- O quê?

- Ficar me olhando assim, desse jeito.

- É que você é linda, morena.

- Para! - riu, ainda mais envergonhada. - Você que é lindo.

Drica riu mais ainda, secou as mãos e eu enlacei uma delas à minha. Ela mordeu o lábio e sorriu de lado, então guiei-a para o quarto, sentindo seu nervosismo e sua respiração acelerar.

- Somos os dois, então! - decidi.

Deixei-a se acomodar no lado que quis. Ela deitou-se de barriga para cima, com as mãos sobre o ventre, na posição mais rígida e desconfortável que eu conseguia imaginar. Ri do seu nervosismo e peguei meu travesseiro, ao lado do dela e fui até o armário, buscar um lençol extra, caso sentisse frio - o que eu duvidava.

Ela se sentou rapidamente, alerta.

- O que você está fazendo? - perguntou.

Fiquei sem entender. Parecia nervosa e ultrajada, mas não era isso que ela queria que eu fizesse? Era o que Talles tinha dito que devia ser a melhor coisa a se fazer.

Eu não devia ter ouvido Talles. Ele vivia encrencado com a Mila.

- Eu... Ia dormir na sala - confessei. - Achei que você estivesse nervosa com isso e, bom, tudo bem se você achar que a gente não tá pronto pra dividir um quarto. Eu posso dormir lá sem problemas.

Encarando seus olhos doces, vi-os enchendo-se de lágrimas, mas sem derramar alguma. Ela sorriu e piscou longamente.

- Não quero que você durma na sala - sussurrou, de uma forma que eu quase não ouvi.

Concordei com a cabeça e fechei o armário. Coloquei meu travesseiro de volta ao lado do dela e me deitei na cama, deixando um espaço agradável entre nós dois, caso fosse demais para ela.

Contrariando meus cuidados, Drica rolou para o meu lado da cama e encaixou-se em meu peito.

E eu tive que controlar meus batimentos cardíacos desesperados enquanto ela adormecia, tranquilamente.

Toque de Recolher [NO MORRO]Leia esta história GRATUITAMENTE!