18.2 VIRGEM?

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Fiquei sozinho na sala por menos de cinco minutos, pensando no que eu poderia fazer com Drica para diminuir aquele desconforto que Mila me condicionara a pensar que ela sentia com toda a abertura que eu dava para ela. Que tipo de segurança eu poderia passar sem sufocar o lado em que ela morria de medo de relacionamentos e tencionava fugir?

Ela era maravilhosa... Seus beijos eram deliciosos e sua companhia era... Estarrecedora. Não queria deixá-la escorregar de meus dedos de forma alguma e estava disposto a fazer o que fosse para tentar mantê-la por perto pelo maior tempo que eu conseguisse.

Talles adentrou a casa com uma embalagem de papelão e trazendo, consigo, um infernal e delicioso cheiro de frango assado que fez meu estômago se revirar de fome.

- E aí, cara - cumprimentou-me. Passou direto para a cozinha e deixou a embalagem lá, antes de voltar pada se jogar no sofá, onde espalhou um monte de areia. Eu pelo menos tinha tentado tirar o excesso de sujeira... Antes de entrar em casa. - O que tá pegando? Que cara de quem comeu e não gostou é essa?

A cara era de quem não comeu, mas tinha certeza que iria gostar, mas não quis proferir isso em palavras porque seria muito... Errado, no mínimo.

- Ah, é só a Drica - confessei.

Agora, a água do chuveiro de Mila confundia meus sentidos e eu não sabia se Drica ainda estava no banho ou não, mas imaginei que ainda demoraria alguns minutos se arrumando, se não estivesse.

- Mulheres são complicadas, cara - ele levou as mãos a cabeça, relaxando completamente. - A Mila fica louca do nada, dá umas porradas em mim e faz greve de sexo. É um saco. E olha que eu sou super legal, nem faço nada.

Balancei a cabeça, rindo, sabendo que Ludmila contaria uma história completamente diferente, só pelo tempo que eu passei junto com os dois. Eram opostos e se davam super bem.

- A Drica tá fugindo de mim - contei. - Mila acha que ela tá com medo de eu acabar magoando ela ou algo assim.

Talles coçou a cabeça e empurrou o corpo pra frente, juntando as mãos entre o joelho, onde apoiara o braço, curvando-se para ficar mais perto de mim.

- Ah, olha... - sussurrou, como se fosse um segredo. - Ela parece que tá meio fugindo mesmo, mas também parece gostar de você. Ela dormiu no sofá hoje, não foi?

Concordei com a cabeça e a clareza que Mila tinha me dado, já havia se embolado em confusão de novo. O que eu faria agora?

- Acho que você tem que fazer o que ela quer - deu de ombros. - As coisas dão certo pra mim quando eu faço o que a Mila quer.

- E como é que eu sei o que ela quer? - questionei, confuso.

Talles caiu na gargalhada.

- Esse aí, meu amigo, é o problema - filosofou. - Talvez se você dormir na sala hoje? Aí ela vai ver que você respeita o espaço dela e vai relaxar. Acho.

Meneei a cabeça, levando em consideração. Parecia a melhor ideia que aparecera para mim até aquele presente momento.

- Pode ser... - concordei. - Só não sei porque ela dormiu na sala...

Talles fez um bico estranho e entortou o lábio, parecendo não saber reagir àquela minha declaração. Abriu e fechou a boca algumas vezes, querendo falar algo, mas nada disse. Eu estava terrivelmente incomodado com o silêncio dele, que não me ajudava. Queria toda e qualquer ideia que me auxiliasse a entender o comportamento escorregadio de Drica.

- É - deu de ombros, mas pareceu desconfortável. - Não faz sentido.

Soube que ele não tinha dito o que queria quando desviou o olhar para a televisão, desligada. Ele tinha algo em mente, talvez alguma coisa que me ajudasse, mas parecia não querer dividir sua ideia comigo por algum motivo que eu não conseguia entender.

Estava difícil entender tudo, naquele dia.

- Fala - pressionei. - O que você acha que é?

Ele sorriu um pouco amarelo e coçou a cabeça, parecendo procurar a melhor maneira de falar. Talles era um pouco lento para expressar ideias, apesar de ser ágil com ações, por isso, aguardei com paciência e boa vontade.

- Virgindade, cara - riu. - Acho que essa é a melhor resposta para a sua pergunta.

Ah, certo.

Cocei a cabeça, um pouco nervoso, enquanto Talles ria da minha cara. Imaginei que Drica e eu ainda não estivéssemos naquele nível de intimidade e nem tentei acontecer - nem tivéramos a chance, depois do acidente do carro.

Mas aquilo, certamente, explicava tudo. Analisei sua reação à barreira que nós cruzáramos no carro e como ela fugiu e reagiu depois daquilo, só relaxando quando eu expliquei que estava tudo bem se nós não avançássemos ainda.

E estava.

Estava tudo bem.

Compreendia que Drica era nova e que algumas experiências antigas, minhas, eram total novidade e assustadoras para ela. Entendia a complexidade da virgindade para as mulheres e toda a fábula que faziam ao redor disso.

As coisas aconteceriam no tempo dela, sem que nada se apressasse. Não faria isso com Drica, de forma alguma.

- Então... Dormir no sofá, né? - Perguntei, claramente confuso com todas aquelas informações novas.

Talles deu de ombros, mas concordou com a cabeça, seu rosto demonstrando, em sua expressão, que ele entendia a minha dor e sofrimento.

A tranca do meu quarto se abriu e Drica saiu dele, com todo sua graça e perfume, os cachos pesados pelo cabelo molhado e um sorriso infantil e levemente encabulado por estar de pijama. Achei uma fofura e sorri levemente.

Drica provavelmente era virgem.

E, se não estragasse tudo, teria a chance de ser o primeiro homem daquela garota maravilhosa.

Era, com certeza, mais do que eu poderia desejar.

Balancei a cabeça para afastar os pensamentos para longe da noite do carro, quando eu exagerei um pouco, mas tive uma degustação do corpo maravilhoso na morena. Depois disso, tentava manter minhas mãos controladas, exceto quando Drica se empolgava primeiro - e isso não acontecia sempre.

Céus.

Eu precisava de um banho gelado.

- Minha vez - anunciei, quando Drica chegou à sala. - Não comecem a comer sem mim.

Ela e Talles soltaram uma gargalhada e eu entrei no quarto correndo, antes que a minha quase ereção fosse vista.

Toque de Recolher [NO MORRO]Leia esta história GRATUITAMENTE!