─ Ah... ─ Ela tira as mãos de mim e se afasta devagar na direção de um dos beliches. Se senta de pernas cruzadas e olha para mim de novo. ─ Sou toda ouvidos, doutor.

Penso exatamente no que dizer, mas sinto como se as palavras estivessem fugindo de mim. Depois do que acredito ser uma eternidade, engulo em seco e começo:

─ Gosto de você, anjo, você sabe ─ eu digo e ela sorri para mim de novo, mas logo assume uma postura preocupada quando percebe que eu tenho mais a falar. ─ Você é engraçada, é inteligente, é linda...

─ Ih...

─ E eu não quero te magoar como fiz com a Paola e todo o resto.

─ Alex, relaxa, fui eu quem propôs apenas sexo, tá lembrado?

─ Estou e é disso que quero falar.

─ Então fale.

─ Estou tentando, mas é difícil.

─ Não me diga que você...

─ Eu quero que isso termine também. Que paremos de transar por aí.

─ Oi?

─ É... Você é fantástica e sabe disso, mas talvez seja melhor a gente não deixar que isso vire o que não deve virar.

─ O que quer dizer? Espere aí, tá terminando comigo pelo o que aconteceu na sua casa? Eu só quis ser legal e...

─ Não diga "terminando". Não temos nada ─ eu a interrompo e me arrependo no mesmo instante.

Ela pisca uma vez e parece surpresa, depois se recompõe.

─ Hã... Tá bom. Você entendeu o que eu quis dizer ─ ela revira os olhos, incomodada. Depois parece pensar em alguma coisa e pega o pager nas mãos, mesmo que ele não tenha vibrado. ─ Preciso ir. Era só isso que você tinha pra dizer?

─ Anjo...

Ela me olha e assume aquela pose de indiferente dela, enquanto fica de pé.

─ O quê? Tá tudo bem, Alex! Nós já nos divertimos o bastante. Caso queira saber, também te acho fantástico! Mas reconheço que talvez seja melhor mesmo que paremos com isso ─ ela dá um sorriso fraco, depois beija o meu rosto. ─ Preciso ir! Te vejo na cirurgia?

Ahã.

Ela assente e sai porta afora.

Fico um tempo parado no meio do quarto, pensando sobre o que eu fiz. Não sei se devia me sentir como estou me sentindo agora. Algo entre fazer merda e perder alguma coisa... Não sei, mas a sensação faz meu estômago revirar.

De qualquer modo, tento ser otimista. Isso logo passaria e em breve eu saberia que fiz a coisa certa. Seja lá o que for se apaixonar, eu não gostava da ideia e tinha que espantá-la sempre que pudesse. Como agora.

Duas semanas depois...

─ Vai almoçar agora? ─ pergunto, desviando os olhos das minhas mãos lavadas e olhando para Nina por apenas um segundo.

─ Sim ─ ela responde já secando as mãos, parecendo nem um pouco abalada por minha tentativa de reaproximação depois de todos esses dias.

Estávamos saindo de mais uma cirurgia e essa demorou duas horas a mais do que o esperado, por isso já tinha passado o horário do almoço e eu pensei que talvez pudéssemos almoçar juntos pela primeira vez desde que... "Terminamos".

─ Eu também vou, se voc...

Ahã. Fernanda está me esperando para almoçar com ela. Nos vemos às quatro, certo?

Anjo (COMPLETO)Leia esta história GRATUITAMENTE!