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Laís narrando

Heitor foi bom comigo naquela noite. Apesar de não querer dormir, ficou assistindo televisão no volume baixo enquanto eu e Bernardo dormíamos.

De madrugada com a sua ajuda, precisei dar de mamar e imaginei quando seria a vez de Valentina. De vez em quando eles vinham tirar leite de mim para levar para ela.

Nessa manhã iria vê-la pela primeira vez. Por mais que ela estivesse na incubadora, já seria alguma coisa. Poderia tocar na sua mão.

Imaginava se ela seria parecida com Bernardo. Mas queria que tivesse algo de mim.

- Está pronta para ir até lá? - Heitor perguntou com carinho, ainda era cedo.

Enquanto uma das enfermeiras me empurrava na cadeira de rodas, ele levava Bernardo em seu colo.

Heitor estava sendo o irmão que nunca tive e sabia que seria impossível viver sem ele na minha vida. Com o tempo criamos uma amizade bonita e por mais que fosse mais novo que eu, era maduro o suficiente.

- Chegamos. - avisou.

Ela me colocou em frente a incubadora da pequena Valentina, deixaram que eu me levantasse, pois ficaria em um lugar só.

Ao olhar aquele ser pequeno em minha frente, meus olhos se encheram de lágrimas. Toquei a sua pequena mão, estava altamente emocionada. Não conseguia acreditar que ela estava doente e que não poderia receber o meu carinho mais intensamente.

Acariciei sua mãozinha pequena com cuidado.

- Oi princesa da mamãe. Como você está se sentindo? - comecei a conversar com ela. - A mamãe gostaria de estar com você agora, no meu colo. - contei. - O Bernardo também está com saudades. O papai não está aqui agora... - fui interrompida pelo Heitor.

Ele estava chorando. Quer dizer, eu também estava mas não entendia o por que dele.

- Eu prometo fazer de tudo tanto por ela quanto por ele. - soluçou.

- Ei, está tudo bem. - abracei-o apertado.

A enfermeira nos avisou que não poderíamos mais ficar na sala e então precisei voltar para o meu quarto. Estava um pouco cansada, o meu lado emocional estava totalmente abalado.

Estava um total silêncio, Heitor já havia avisado que não poderia passar aquela noite comigo.

A semana acabou passando de pressa. Valentina não melhorava, seus exames ainda não haviam tudo resultado. Intercalava as minhas horas para ir até meu apartamento e o hospital.

Os únicos horários que poderia ir era das 9h até 10h e logo de tarde das 14h até 15h. No período da noite não seria possível visitas. Segundo a médica que estava cuidando do estado dela, mais uma semana chegaria o resultado.

- A cada dia a possibilidade de ela estar com Anemia Aplástica aumenta. - a médica analisava novos exames de sangue.

- Acha que seria necessário se chamássemos as pessoas para fazer os exames logo? - perguntei.

- Ainda não é possível, só pode quando é realmente a doença. Sabe, o hospital não quer gastar exames... Pode ser a chance de outra pessoa, entende? - entendia perfeitamente o que ela estava querendo dizer.

- Como você preferir. - concordei.

A minha visita por hoje já estava feita, despedi-me da Valentina como sempre com o coração na mão.

Cheguei em casa onde a Duda estaria com Pedro, cuidando do Bernardo. Embora estivesse um pouco cansada, tinha outro filho para cuidar.

- Cheguei. - ao entrar em casa a encontrei silenciosa.

02 - O que é que tem? - O ReencontroOnde as histórias ganham vida. Descobre agora