Matheus

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Mandar ou não mandar, o meu irmão para a cadeia? Eis a questão.

Estou há mais de duas horas sentado nesta cadeira, olhando o nada e não conseguindo decidir nada. Estou atrasado para o que pode ser meu último dia de trabalho, e nem mesmo isto me faz ter ânimo de levantar-me. Minha Sereia não estava na cama quando acordei, havia apenas uma mensagem de que foi ajudar Suzana com alguma coisa e nos veríamos na empresa. Tentei ligar diversas vezes, mas ela não atende. E penso, que se ela me disser que tudo vai ficar bem e me mandar levantar desta cadeira e ir assumir meus erros, me levantarei, e tudo ficará bem. Eu só queria ouvir sua voz.

Alguém bate na porta e Sebastian aparece.

— Gilcelle também desapareceu para ajudar Suzana em alguma coisa? — pergunta e assinto.

— Por que não está na V.D.A.?

— A Receita nos contatará esta tarde. Achei que podíamos chegar mais tarde hoje.

Concordo.

— O que vai fazer com o Marcus?

— Matá-lo é uma opção? Sebastian, não consigo entender por que o meu irmão, sangue do meu sangue, quer me derrubar assim. Isso não vem de agora, você sabe quantas coisas tenho acobertado da mamãe nos últimos anos, mas tentar me mandar para a cadeia, nunca imaginei que chegaria a tanto.

— Sinto muito, homem. Não tenho irmãos, mas você e Cleber são o mais próximo disso. E não consigo imaginar como seria se um de vocês fizesse uma merda dessas. Mas não há o que pensar, Matheus. Ou você manda seu irmão para a cadeia ou é você quem vai parar atrás das grades. Está na hora do Marcus pagar pelo que fez.

Assinto. Isso vai destruir a minha família. Sei que são malucos, e muito errados de tantas formas, mas são minha família. Meu sangue. São aqueles que não importa quantas merdas eu faça ou diga, ainda estarão ali. Não consigo sequer imaginar como será o natal deste ano, com Marcus na cadeia por uma denúncia minha.

— Onde está o Cleber? Preciso que ele contate o Marcus. Há uma coisa que preciso entender. Antes que eu mande as provas contra ele para a polícia, preciso fazer uma reunião.

— Não importa o que seu irmão diga ou faça, você vai mandar estas provas para a polícia, entendeu?

— Sim, Sebastian. Não vou pagar pelos erros dele. Tenho uma mulher para cuidar, não a deixarei sozinha.

— Graças a Deus por isto, ou tenho certeza de que você não o entregaria.

Não discuto, ligo para Cleber e não consigo falar com a Gil para que ela participe. E era de suma importância que ela participasse.

Todos estão amontoados no meu escritório, desta casa que deixará de ser minha. Se por algum milagre as coisas derem certo, em breve ela será uma ONG de ajuda a crianças carentes. E meu verdadeiro lar será com a Gil, na casa dos sonhos dela. Encaro cada um ali, mamãe, vovó, Marcus, Miguel, Sebastian e Cleber. Sei que a conversa não será fácil, mas não posso mais evitá-la.

— Mamãe, vovó, o que tenho para dizer será difícil. Mas não posso mais esconder isso.

As duas parecem apreensivas e Cleber resmunga:

— Ah, para de drama, homem e diga logo.

— Silêncio, Cleber. Deixe-me fazer as coisas do meu jeito. — Afrouxo a gravata, olho mamãe e vovó ali e começo a contar de uma maneira que não provocará um infarto em nenhuma delas. — As senhoras sabem sobre o hotel de Madri, o maior passo que a V.D.A. já deu, e o que é a promessa de maior retorno da empresa. Nas últimas semanas, descobrimos que a verba destinada a essa obra, está sendo desviada.

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