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Laís narrando

Fiquei desapontada por não ter sido encontrada. A carta já havia sido enviada segundo Hugo e o mesmo falou que não deveria me preocupar a não ser que estivesse esperando por uma resposta.

Claro que a primeira coisa que fiz foi fingir que não era isso e que só estava curiosa para saber se eles tinham a recebido. Após isso não toquei mais no assunto, não queria que ele desconfiasse do meu plano.

Faltava apenas um mês para o meu bebê vir ao mundo. O que mais me intrigava é que durante esse tempo todo Hugo prometeu que iria me levar a uma consulta médica e nunca o fez.

Ele começou a comprar algumas roupas, fraldas, brinquedos e ursos para o bebê. Como não sabíamos o sexo, por birra dele, comprava tons em amarelo ou branco.

Era a noite de sexta-feira, como sempre Hugo saiu para ir a um bar que segundo ele ficava próximo da nossa casa. Não tinha noção de onde estávamos ou da distância dos lugares até nossa casa.

Estava dormindo na nossa cama quando ouvi um batido na porta. Acordei assustada, olhando para o relógio ao lado da nossa cama. Marcava exatamente meia noite. Nunca ninguém havia batido na nossa porta.

Estava assustada. Não tinha a chave da porta.

- Hugo? É você? - perguntei, encostada com o ouvido na porta.

- Laís afasta-se da porta, iremos arrombar. - um homem com a voz grossa gritou.

- Quem são vocês? - perguntei preocupada. Afinal eles poderiam ser ladrões. Mas espera ai. Como eles poderiam saber o meu nome?

- Somos policiais. Por favor afasta-se. - pediu novamente e dessa vez corri para o outro lado da porta.

Finalmente a minha ajuda havia chegado. Meus olhos estavam cheios de lágrimas, finalmente iria para casa e meu bebê nasceria em um bom lar.

- Está tudo bem. Você precisa vir conosco. - pediu, levando-me para fora e encostando a porta rapidamente.

No caminho até uma van da polícia que me esperava do lado de fora, totalmente disfarçada com papéis de propaganda eles me explicaram como funcionaria a prisão do Hugo.

Assim que ele chegasse sentiria a minha falta e os policiais entrariam deixando ele sem opção para fugir. De longe conseguia ver a casa, agora percebia o quanto o lugar era longe de tudo.

- Vocês receberam a carta? - havia uma mulher ao meu lado, e um distintivo em seu peito.

- Sim. Nos mandaram para cá. - explicou.

- Como souberam do Hugo? Que ele estava exatamente aqui? - eram tantas perguntas.

- As pessoas da cidade, elas comentaram sobre um garoto estanho que estava procurando emprego, dizia que precisava porque sua mulher estava gravida. - explicou. - Algumas lojas onde ele comprou as roupas também o descreveram para nós.

- Ele chegou. - um dos policiais avisou.

Já estavam posicionados do lado de fora, porém escondidos atrás de árvores e matos. Hugo estava visivelmente bêbado.

Por um momento senti um forte aperto no coração e lembrei-me de tudo que vivemos quando mais novos. De todos os sonhos que havíamos imaginado e nas nossas expectativas para o futuro.

Meus olhos estavam cheios de lágrimas ao vê-lo entrar quase caindo na casa. As luzes foram acesas e mesmo de longe conseguia ouvi-lo gritar meu nome. A essa hora já havia percebido a minha ausência.

Os meus soluços foram percebidos pela moça que abraçou-me sem jeito, dando leves tapas na minha costa.

- Você não deve sofrer fortes emoções. - aconselhou-me.

02 - O que é que tem? - O ReencontroOnde as histórias ganham vida. Descobre agora