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Mãe da Laís narrando

A reunião com o detetive havia sido marcada para o dia seguinte, pois era um assunto de urgência. Exatamente às dez horas da manhã.

Estávamos ansiosos para saber quais eram nossas probabilidades de encontrá-la.

Quando o nosso nome foi chamado pela secretária, entramos como um furacão na sala.

- O que aconteceu? Fiquei preocupado pela urgência. - o detetive realmente havia se interessado pelo desaparecimento da nossa filha.

- Ela nos mandou uma carta. - quando anunciei a notícia, sem prolonga-la, olhou-nos assustado.

- Laís escreveu para vocês? - perguntou.

- Sim. - entreguei-lhe a carta.

Os seus olhos percorreram rapidamente o conteúdo da carta. Seu cenho estava franzido, parecia confuso com alguma coisa.

- Ela parece estar enrolando. - comentou. - É como se ele quisesse chegar a algum lugar, mas não tem as palavras certas a serem usadas. - explicou.

- Não entendo como tudo aconteceu. - falei. - Ela parecia muito feliz, principalmente com o seu relacionamento com Arthur.

- É comum ela destacar a primeira letra de cada frase? - sua pergunta nos pegou desprevenido.

Laís nunca teve mania alguma no ato de escrever. Sua letra sempre foi legível, mas nada em especial para ser ressaltado.

O detetive comunicou ao telefone que precisaria de algum homem especializado em códigos.

Não demorou nem cinco minutos para um homem que aparentava ter 30 anos adentrar a sala.

Analisou a carta com precisão. Fazia algumas anotações em um bloco.

- Ela estava mandando um código para vocês. - falou.

"Vocês pensam que fui embora por opção minha. Mas na realidade Hugo me obrigou. Já se passaram cinco meses, desde que tudo aconteceu. Ele me trouxe Canadá, mas não sei exatamente onde estou. Gostaria de ir para casa. Não desistam de me procurar."

Algo dentro de mim sempre soube que Laís não seria capaz de ir embora daquele jeito. Ela precisava de nós e agora que sabíamos que estava viva, faríamos de tudo para encontrá-la.

- Vou pedir para que não contem a ninguém. - o detetive pediu. - É pela segurança da Laís.

Concordamos que seria melhor preservarmos a carta e não contar a ninguém. Por mais que achasse errado não dar a notícia para dona Margott, Heitor e Arthur que sofreram tanto com a sua ausência, sabia que seria melhor para ela.

Como fiquei sabendo que seria avó, meu marido e eu resolvemos passar em algumas lojas no centro para comprarmos algumas roupas de bebês e brinquedos. Aproveitamos para passar no shopping, havia uma ótima loja.

O que não esperávamos é que quando estivéssemos saindo, inclusive cheios de bolsas, esbarraríamos com Arthur e sua namorada Vanessa.

- Quem está ganhando bebê? - perguntou confuso, encarando as bolsas em nossas mãos.

Quase que as palavras saíram da minha boca sem querer. Meu marido apertou a minha mão, fazendo-me lembrar do nosso segredo.

- Uma amiga nossa. - menti.

- Bacana. - Arthur falou. - Agora estamos atrasados para uma sessão no cinema, até outro dia.

Após nos despedirmos, passamos na praça de alimentação para almoçarmos por lá.

02 - O que é que tem? - O ReencontroOnde as histórias ganham vida. Descobre agora