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Aproveitem o primeiro capítulo do segundo livro.

Qual são suas expectativas?

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Laís narrando

Já se passou um mês do meu aniversário e da data que a carta deveria ter sido entregue. Espero que Hugo tenha cumprido com o combinado.

A minha barriga crescia aos poucos e me pegava imaginando o que meus pais falariam sobre essa gravidez. Será que aceitariam um neto vindo de um monstro feito o Hugo?

Havia minhas inseguranças. Gostaria de acreditar que eles ainda estivessem buscando por mim. Principalmente Arthur. Sabia que ele não desistiria logo.

Quer dizer, era no que eu acreditava. Só o fato de imaginar que ele poderia ter me esquecido, mexia com todo o meu lado sentimental e psicológico.

Como ele olharia para mim com um filho que não era dele? Às vezes me pegava desejando que aquele teste de farmácia feito pudesse estar errado, mas era quase impossível.

Não havia tido nenhuma consulta médica até então. Hugo prometia sempre que iria me levar, mas quem sabe o medo estivesse falando mais alto naquele momento.

- Preciso ver como o meu bebê está. - comentei.

- O nosso bebê está bem. - enfatizou a palavra "nosso".

- Sabe que muitas vezes acontecem complicações, por isso preciso de uma consulta. - tentei explicar, mas a cabeça dura dele não levava nada que eu falava em questão.

- Talvez na semana que vem. - utilizava a mesma desculpa de sempre.

Os meus hormônios estavam cada vez mais atacados. Todo o momento me pegava chorando pelos cantos da casa. Hugo mal aparecia, ele estava cada vez pior com essa história de gravidez. Talvez por eu insistir tanto em procurar um hospital.

De qualquer forma, havia prometido que nunca iria fugir ou algo do tipo. Afinal, estava com uma barriga enorme. Não teria muitas opções, a não ser que alguém me encontrasse.

Sentia vontade de escrever mais cartas. O problema é que Hugo afirmou que a próxima só iria ser escrita no dia do nascimento do nosso filho ou filha.

- Será melhor sermos surpreendidos. - falava como se fosse simples. Não havíamos comprado nada até então.

- Mas nós não temos nada. - comentei. - Nem sequer um berço.

- Estou sem dinheiro agora, mas prometo que assim que conseguir um trabalho, irei comprar tudo. - a sua falta de interesse me incomodava cada vez mais.

Queria correr para longe e fugir para outro lugar. A questão é que agora tudo começava a doer.

Muitas vezes dormíamos em quartos separados. Não por ele chegar tarde ou coisa do tipo. Pelo simples fato do perfume e seu cheiro me enjoar. Precisava levantar diversas vezes e colocar tudo para fora.

Não queria que as coisas tivessem acontecido dessa forma. Nós poderíamos estar muito melhores agora se não fosse a atitude egoísta do Hugo.

Mãe da Laís narrando

Havia passado duas semanas do aniversário da Laís. No dia não teve quem me tirasse da cama. As dores estavam acumuladas, sentia algo diferente em mim cada vez que pensava nela.

Era como um instinto de mãe. Ela não estava morta. Não queria acreditar nessa possibilidade.

Por mais que todos estivessem seguindo suas vidas, agora tudo estava modificado. A vida não tem mais as mesmas cores de antes. Não se há motivos para continuar.

02 - O que é que tem? - O ReencontroOnde as histórias ganham vida. Descobre agora