17.3 SOCORRO?

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- Dri?

Senti o sacolejo e me levantei com um pulo. Meu pescoço estalou e eu choraminguei de dor, abrindo os olhos e encarando o dourado de JP me admirando, quase que triste. Olhei ao redor e tentei me situar, listei as coisas que percebi e tentei organizá-las.

1 - Estava em Angra;

2 - Só tinham dois quartos disponíveis na casa;

3 - Tentei esperar JP dormir para ir para o quarto que dividia com ele;

4 - Dormi na sala.

Droga.

Balancei minha cabeça de um lado para o outro, tentando relaxar os musculos do ombro e do pescoço, que pareciam arder de reclamação pela noite mal-dormida. Não sabia nem que horas havia caído no sono, estava esperando passar meia hora desde que ouvira o último barulho no nosso quarto, mas os barulhos do quarto de Mila e Talles me atrapalharam.

- Dri, já tá na hora de levantar - ele falou, ajoelhando-se à minha frente.

- Eu não acredito que você dormiu no sofá - Mila passou pela sala aos gritos, com um pote de iogurte em mãos, seguida de Talles, com dois pães na mão.

- Ih - ele chiou. - Alguém não se deu bem nessa noite.

Abaixei a cabeça, envergonhada que meus medos e intenções fossem tão claros assim. Senti o olhar de JP queimar em minhas bochechas enquanto o casal maldito sumia para o quarto com a sua comida, provavelmente para se arrumar mais rapidamente.

- Morena, você não precisava ficar assim - ele murmurou e senti seus dedos em meus cachos, ajeitando aquela confusão da manhã. Senti meus olhos marejarem contra a minha vontade - Eu não vou fazer nada que você não quiser, lembra? E se ainda te deixar nervosa, eu durmo no sofá... Não tem problemas.

Segurei as lágrimas de culpa e remorso e concordei com a cabeça, apertando os lábios com força. JP, ao invés de demonstrar chateação com a minha mudez temporária, beijou-me os lábios e foi se arrumar.

Estávamos atrasados. Troquei a roupa o mais rápido que pude e fiz um emaranhado com o meu cabelo, visto que não adiantaria muito arrumá-lo, já que o mar e o vento iriam estragar tudo de qualquer maneira.

- Gente, corre! - Mila passou pela porta do meu quarto e me apressou. - Temos 10 minutos pra chegar ao cais, vamos!

Vesti a saída de praia por cima do biquini correndo e segui minha prima para fora de casa, com os rapazes já a nos esperar na saída da vila. JP encarou-me longamente e senti minhas bochechas queimarem de vergonha por estar vestindo tão pouca coisa perto dele, mas fingi que estava tudo bem.

- Nossa, o cara vai dar graças a Deus se a gente se atrasar e ele partir - ofeguei enquanto tentava acompanhar os passos dos três. - Sério, gente, ele não gostou de eu ter chorado desconto.

- Vou na frente! - Talles gritou.

Saiu dando passadas largas até realmente começar a correr, com Mila tentando alcançá-lo logo atrás. Soltei uma gargalhada e corri atrás dos dois, com JP me seguindo.

Chegamos ao barco, entregamos nossas passagens e sentamos nos lugares que ainda estavam disponíveis, eu e JP em um lado, Mila e Talles do outro. Ainda aguardamos uns dez minutos e dois grupos de pessoas chegarem, ainda mais atrasados que nós, antes de partirem.

JP envolveu minha cintura e senti seu nariz em meus cachos de forma carinhosa. Deixei-me desmontar a armadura e amoleci em seu abraço, encostando a cabeça no seu peito, coberto apenas por uma leve camiseta regata branca.

Eu não sabia se era o lugar, a viagem, a companhia ou se simplesmente eu via as coisas se acertando pra mim em um amanhecer novo, mas não me lembrava de ter estado mais feliz do que naquele barco, vendo as ondas se quebrando, espirros de água molhando as pessoas e Talles colocando a cabeça para fora do barco como um cachorrinho excitado enquanto Mila gritava para ele se comportar com sua pior expressão de pânico. JP e eu ficamos no nosso cantinho, às gargalhadas e beijinhos.

Paramos em duas praias maravilhosas, descemos, jogamos água uns nos outros e procuramos cada casal um cantinho para trocar alguns beijinhos e carícias no mar. Precisava confessar que era maravilhoso me sentir ser sustentada no mar pelos braços fortes de JP enquanto ele se distraía dando beijinhos calorosos em meu pescoço e murmurando coisas quentes contra a minha pele. Na terceira e última parada, nós procuramos um local reservado para namorar, atrás de uma pedra, em alto mar.

Se eu não estivesse tão molhada, todos os meus pelos estariam eriçados naquele momento e ainda mais quando seus lábios se encontraram com os meus com gosto salgado de mar e ele me puxou contra seu corpo, apertando o nosso abraço, as mãos perigosamente perto da minha bunda, com os dedos se encaixando sob o meu biquini, apenas checando se eu estava ok com tudo aquilo.

Estava nervosa, mas todos os calafrios e arrepios que eu sentia não me deixavam negar; estava entorpecida pelo frio do mar e o calor da pele daquele homem negro maravilhoso.

A buzina da nossa embarcação tocou, porém, antes que aquilo tomasse um caminho pelo qual eu poderia me arrepender eventualmente. Nadamos de volta ao saveiro, eu na frente, muito envergonhada e JP atrás, parecendo lento, mas tranquilo.

Vesti minha saída de praia assim que pisei no chão de madeira do barco e me encolhi em um lugar onde o Sol batia. JP sentou-se ao meu lado e eu continuei em silêncio, mas não o afastei quando ele me abraçou e encostou a cabeça em meu ombro, respirando fundo.

Fiquei encarando o mar e o balançar das ondas, que eram no mesmo ritmo da respiração de JP. Ele adormeceu, embalado por aquele balançar e o calor revigorante do Sol do fim da tarde, mas eu estava pensando nos nossos beijos e passadas de mão - e além disso: no que eu faria quando chegássemos em casa e fôssemos dividir a mesma cama, no mesmo quarto.

Dormir na sala era fora de cogitação; não passaria despercebido. E eu não tinha coração de pedir que JP o fizesse, não quando ele fora tão fofo comigo de manhã.

Eu teria que enfrentar aquilo de alguma maneira e sem nenhuma esperança de ter uma buzina de barco para me salvar.

Toque de Recolher [NO MORRO]Leia esta história GRATUITAMENTE!