17.2 QUARTOS

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A gente tinha que ser dinâmico para acompanhar Mila e ser o Flash, para acompanhá-la junto com Talles.

Os dois andavam longos passos a frente da gente e não importava quanto eu me esforçasse para tentar aproximar JP e eu dos dois, nada funcionava. Desisti, então, deixando-me ficar para trás, caminhando tranquilamente com ele, enquanto admirava a cidade.

- Então... - JP riu do nosso silêncio e eu estremeci um pouco, metade por causa do frio e metade por causa da voz dele, parecendo mais rouca que o normal. - Descansou bem?

Ele limpou a garganta após dizer essas palavras e eu suspirei, aliviada. Se ele continuasse falando daquele jeito, iria ter que jogá-lo contra alguma daquelas paredes tombadas como patrimônio histórico e não sabia se sairia alguma coisa inteira da investida.

- Um pouco - dei de ombros. Ele não precisava saber que minha mãe nos expulsara da cama e manhã cedo porque queria fazer uma faxina; e ainda nos obrigada a ajudar, exceto Talles que fora expurgado de seu cargo de lavador de louça (única coisa que Mila achara que ele poderia ser apto a fazer) depois de quebrar dois copos e um prato. - E você?

- Confesso que poderia ter descansado mais - ele sorriu lindamente. - A comida da minha mãe me acordou antes do que eu gostaria.

Gargalhei, balançando a cabeça negativamente. Quem dera eu ter sido acordada com comida! Porém, o silêncio voltou a nos assombrar e eu o olhei, enquanto ele me encarava, antes de virar o rosto, ligeiramente envergonhada. Recordei-me, então, da minha reação pouco educada ao encontrá-lo parado, cheio de malas, no meu portão.

- Não sabia que podia chamar você - murmurei. JP me encarou,confuso. - Pra vir com a gente, você sabe. Eles estão pagando tudo, inclusive a mim. Não sabia que podia te chamar. Eu chamaria.

Chamaria mesmo? A pergunta estava ecoando na minha mente, mas não tinha uma resposta. Não sabia se ainda estava tentando fugir de JP enquanto as pessoas e as situações me jogavam de volta para ele ou se eu já havia me acostumado com a sua presença constante e a apreciava.

- Não tem problema, morena - JP se curvou e depositou um beijo em minha bochecha, no canto da boca, daqueles que faziam meu estomago dar cambalhotas.

Eu ainda estava distraída com as reações do meu corpo quando paramos e demorei para perceber que tinha um vendedor rodeando Mila e Talles com panfletos e folders. Prestei atenção imediatamente, já intencionando consertar alguma venda superfaturada.

- ... Três praias paradisíacas, vocês vão adorar, olha, são essas aqui, casal simpático - o vendedor ia jogando informações rapidamente, para não deixá-los pensar.

Peguei o folder de sua mão, soltando a mão entrelaçada com a de JP, que rodeou minha cintura instintivamente, me fazendo estremecer. Encarei o folheto e as três praias, que realmente eram maravilhosas e eu me lembrava de tê-las visto em minhas pesquisas.

- Ah! Essas são em Ilha Grande, né? - perguntei.

- Sim, sim, moça bonita - o vendedor me respondeu rapidamente. - É uma viagem de um dia, tem almoço a bordo, mas paramos em uma praia que tem restaurante. Saímos as 8 da manhã e voltamos às cinco. São muito bonitas, as praias, vocês vão adorar.

Talles não parecia muito convencido e estava olhando a parte de trás do folheto, que exibia as informações do barco, mas Mila parecia animadíssima.

- O que você acha, Dri? - Perguntou-me, porém. - Vai ser legal? Tá no cronograma?

Eu não tinha exata,ente um cronograma. Iriamos passar o fim de semana ali e eu tinha esperança de acharmos coisas legais para fazer - aquela parecia uma boa ideia e estava dentro que eu tinha pensado do que poderia acontecer.

- Quando que tá, moço? - perguntei, ao invés de responder Mila.

- Setenta conto por pessoa, com almoço incluso. Cinquenta sem - respondeu.

Nossa, setenta era muito. Dava quase trezentos reais por nós três e esse era quase o preço que eles haviam pago pela hospedagem por quatro dias. Quase grunhi, pensando na responsabilidade. Se eu dissesse sim, eles iriam sacar o cartão sem nem pestanejar.

- Se formos nós quatro, tem um desconto? - Choraminguei. Ele fez uma cara não muito contente e eu resolvi insistir mais um pouco. - Cinquenta cada um com almoço... - sugeri.

- Sessenta? - Negociou.

- Fechado! - Mila comemorou, enquanto Talles continuava encarando as especificações do barco.

- Quanto isso aqui faz por hora? - Perguntou, por fim. Ah, era na velocidade que ele estava preocupado.

Foi ignorado, porém, enquanto Mila sacava o cartão e batia o maior papo cabeça com o vendedor. Ele a guiou até a pequena loja, poucos passos ali, provavelmente para efetuar o pagamento e seguimos todos. Porém, ao lado da loja, tinha um pequeno bar e Talles percebeu o quão faminto ele estava - confesso que eu também! - E resolvemos sentar para comer alguma coisa.

Tinha uma coisa a ser dita sobre o pescado das cidades da Costa Verde: eram todos deliciosos. Tudo que era peixe, bem fresquinho, visto que a comunidade pescadora era forte por ali. Por conta disso, qualquer fruto do mar era extremamente delicioso, eles estavam acostumados a fazê-los e eram todos expert no assunto.

E foi pensando nisso que sugeri moqueca de peixe e uma porção de camarão de entrada. Tomamos um bocado de vinho e jantamos com aquele cheiro de maresia delicioso.

A conversa, o clima e a comida estavam agradáveis ao extremo, porém JP, muito conscientemente, sugeriu que fossemos para casa cedo para guardar as malas e descansarmos para o passeio do dia seguinte. A vila onde estávamos hospedados era próxima de tudo, do restaurante e do porto, mas mesmo assim saímos do restaurante pouco depois das dez e caminhamos preguiçosamente, de barriga cheia e mentes altas, até a casa.

Houve uma pequena confusão nas malas; Mila se recusava a carregar a própria mala apenas para implicar com Talles e ele achava um absurdo que eu carregasse a minha, mas minha prima não carregasse as dela. JP resolveu carregar minha mala, então, dando a vitória para Mila.

Segui os três para dentro da casa e me congelei, reparando que tinha algo errado.

Eu tinha pesquisado aquela casa.

Tinham dois quartos.

Talles e Mila entraram em um.

JP estava entrando no outro.

Ah, não.

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