Capítulo 9

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Nina Novaes.

Cheguei à sala 4 com a respiração pesada por ter corrido até aqui, já que o elevador estava demorando. Entrei na sala e me deparei com Paola examinando um bebê.

- Mandou me chamar?

- Ah, oi doutora. Mandei sim. Espero que não tenha te atrapalhado com o Dr. Alex - ela me diz abrindo um sorriso e voltando a atenção para o bebê. Franzo a testa, frustrada. Será que ela tinha nos visto? Não... Eu tinha certeza que o corredor estava vazio.

- Não atrapalhou - digo mantendo o bom senso, afinal ela é uma cirurgiã. Eu sou apenas a residente que chegou faz alguns dias.

- Uhum - ela resmunga. - Te chamei porque estou trabalhando desde as oito e não consegui sair para almoçar. Quero que você pegue um copo de café reforçado no refeitório pra mim.

Continuo parada no mesmo lugar, apenas tombo a cabeça para o lado a encarando. Ela não estava falando sério, estava?

- Agora - ela diz enfim me olhando. Dou uma risada, porque se antes já não gostava dela, agora não a suportava.

- Claro, doutora - digo cínica e lhe dou as costas. - Mal amada - resmungo baixinho.

- Oi? - ela pergunta em dúvida.

- Oi, tudo bem? - digo por cima do ombro, abrindo um sorriso falso e disparando em direção do elevador. Tomara que ele demorasse bastante agora.

Pego o café da médica mais abusada que esse hospital deve ter e volto para a sala em que ela estava, a entregando o copo e desejando que ela queimasse a língua ou que o café derramasse sobre o jaleco branco.

- Ah, obrigada Dra. Novaes - ela diz assoprando o café e se sentando com as pernas cruzadas em uma maca. Já não estava mais examinando o bebê.

"Dra. Novaes"? Sério?

- Imagina. Vou indo, o Dr. Alex deve estar me esperan...

- Só mais uma coisa, já que você tocou no nome dele - ela me interrompe. Arqueio as sobrancelhas. - Você tem noção de que ele é seu mentor e que ficar se trancando com ele pelos quartos de descanso não é nada ético, não sabe?

Ok. Ela tinha visto.

Bufo, já dando alguns passos para trás. Não era obrigada a ficar escutando conselhos sobre minha vida de ninguém, muito menos de quem não me conhece.

- Você não devia saber disso quando foi pra um desses quartos com ele, certo? - ela abriu a boca, espantada.

- Mas que ousadia! Você não pode afirmar nada que não sabe.

- Ele mesmo quem me disse, doutora.

- Pelo visto vocês já andam bastante íntimos.

- Não acho que isso seja da sua conta...

- Ok, é verdade. Só tome cuidado, porque quando ele se cansar de você, vai te jogar fora como...

- Como fez com você? - a interrompo irônica. - Por favor, Paola! Não preciso que cuide de mim. Se você nutre algum sentimento pelo Alex, vá falar com ele, não comigo.

Dito isso, lhe dou as costas para sair dali, mas não antes de ver seu rosto ficar vermelho de raiva como ficou no dia em que a conheci. Seguro a risada, fechando a porta atrás de mim.

Começo a caminhar para o quarto de descanso em que Alex estava me esperando. Não sei se ele ainda estava esperando devido a demora, mas eu queria conversar com ele depois dessa cena toda. Queria saber o que ele realmente queria de mim. E esclarecer o que eu queria dele.

Anjo (COMPLETO)Leia esta história GRATUITAMENTE!