IV

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Por favor leiam a nota final... É mesmo muito muito muito importante!!!

Os meus pés correm através das linhas pretas e brancas que compõem a passadeira da estrada, mas param abruptamente quando uma dor se alastra pelas minhas entranhas, começando no estômago e subindo até pulmões.

Quase que sou capaz de ouvir as minhas costelas a fraturar. A dor descontrola-se por completo e obrigo-me a parar no meio da estrada, abraçando o corpo como que com medo de me estilhaçar tão facilmente como vidro. As buzinas dos carros começam e invadem-me os tímpanos, zumbindo-me na cabeça. Será que não entendem que estou a sentir-me mal?

Percebo que tenho de sair daqui o mais depressa possível. Ninguém se esforça por sair do carro e perguntar se preciso de ajuda, se estou bem, se preciso que me levem ao hospital. Não, não quero ir ao hospital, mesmo que alguém o sugira. Ninguém o fará de qualquer das formas, porque o mais importante é que eu saia da estrada para que consigam passar. Bervelton é, e sempre foi, uma cidade egoísta e hipócrita.

Olho de relance para o carro moderno que se encontra à minha frente. Ostenta um azul negro brilhante que me atrai e que reluz quando os raios de sol ali incidem. O condutor não é uma pessoa desconhecida, o que me faz fita-lo mais atentamente. Não é a mulher de cabelo loiro que antes envolvia os dedos no volante. Não é a mesma mulher que me fixava com um olhar reprovador e impaciente.

É a minha mãe. E o fogo arde nas suas íris.

Sempre fui muito cética. Deus para mim não existe e não passa de uma farsa para que as pessoas possam redigir teorias que expliquem o inexplicável. A religião é apenas uma forma maligna de procura para descobrir a origem do mundo. Não acredito em Deus, nem no que existe para lá daquilo que ultrapassa o possível. Nem mesmo no tão conhecido karma.

Porém, agora levanto as minhas dúvidas.

Talvez seja mesmo o karma que paira sobre mim agora. Talvez seja o meu castigo por não seguir as crenças fanáticas da minha mãe e por não deixar que o meu irmão caia no mesmo abismo infindável. Talvez eu esteja errada quanto a tudo isto. Quanto à vida, quanto às pessoas, quanto a mim. Por uma fração de segundo, dou o benefício da dúvida a tudo aquilo que nego.

Mas as dores crescem, e o fogo nos olhos da minha mãe torna-se negro. Depois, o seu corpo desvanece-se em fumo e a mulher loira volta a aparecer.

Não, não estou errada. Não posso estar errada. O amor que sinto pelo meu irmão não mo permite. Tenho de o proteger da crueldade que nos rodeia e que nos vai continuar a rodear enquanto eu não arranjar uma solução para lutar contra ela. Para a eliminar, para a aniquilar. Para a destruir.

Com as lágrimas a queimar-me a pele, corro a passos largos até chegar em segurança ao passeio. O ar que as dores sufocaram é-me devolvido e respiro fundo. Não só uma vez, mas várias, até me sentir completamente segura de que ele não me será roubado novamente.

Fecho as pálpebras e imagino que nada disto aconteceu. Nada disto aconteceu.

"Sentes-te bem?"

Sobressalto-me quando me viro e vejo alguém cuja face não reconheço, e que não consigo estudar pela sombra que o seu capuz desenha sobre a sua pele.

"Sim." É tudo o que consigo balbuciar. "Estou ótima."

Quando viro as costas e me preparo para seguir em frente, a mesma voz cessa-me.

"Sabes muito bem que não é verdade." Ele diz, serenamente.

Cego-me por uma fração de segundo. Respiro fundo. E depois volto-me para ele.

"Quem és tu para me dizer se é verdade ou não?" As minhas palavras soam como uma ameaça e o meu tom assemelha-se à ponta de uma espada previamente afiada. "Quem é que pensas que és?"

Não vejo os seus olhos, mas sei que eles me fitam com ardor.

"Está escrito em toda a parte." Diz ele. "Na tua pele, no teu corpo, nos teus olhos... Está escrito em cada parte de ti."

As suas palavras ecoam-me na mente e sinto que me trespassam.

"És louco." É a única coisa que consigo dizer. Ou melhor, sussurrar. Não sei quem ele é, não sei de onde vem, não sei o que quer... Mas assusta-me. "Fica longe de mim, ouviste?"

Tudo isto me pesa agora na alma: a minha alucinação e este estranho ocupam-se de todo o meu pensamento. Caminho em frente, e agora nada me irá parar. Nada me pode parar. Não posso estar fraca, nem baixar a minha guarda. Há pessoas que precisam de mim e eu preciso de ficar forte para elas.

Não. Há uma pessoa que precisa de mim.

Retrato o rosto de Tommy e olho de relance para trás. O estranho desapareceu, e com ele, o peso que em mim repousava.

Fecho as pálpebras e imagino que nada disto aconteceu. Nada disto aconteceu.

Olá :)

Em primeiro lugar, gostaria de pedir IMENSAS desculpas por ter demorado tanto tempo a postar este capítulo... Foi muito complicado de escrever, tem imensos sentimentos esquisitos e coisas que eu nunca experimentei escrever... Até agora.

Além disso, quero que saibam que entrei na faculdade e que por essa mesma razão o tempo começa a apertar. Também estou a tentar entrar na tuna (fiquei nos sopranos, yaaaayyy) e tenho ensaios todas as segundas e quartas à noite - a hora do dia em que me é mais apetecível escrever.

Prometo que esta história não ficará para trás, apenas não conseguirei publicar tão cedo como antes me foi possível!

Fiquem bem e não se esqueçam de COMENTAR e VOTAR, tudo isso me inspira a escrever mais e melhor... Beijinhos <3


Continua...
deathbed » c.h. au [EM PORTUGUÊS]
Última atualização: Oct 23, 2015
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