- Exatamente.

Ficamos em silêncio por uns minutos. Ela está enrolando uma mecha do cabelo com o dedo, e eu me lembro dela fazendo isso várias vezes durante o dia. Mas claro, não reparo nesse tipo de coisa. É só... Coisa da Nina que eu acho engraçado.

Ela termina o conteúdo do copo e faz uma careta. Bate o copo na mesa e se volta para mim de novo:

- Eu, por exemplo, nunca me iludiria com esse tipo de coisa.

- Com o quê? Acha que eu não posso querer transar com alguém, hm, constantemente? Já aconteceu.

- Dentro do hospital?

Eu penso a respeito. É, não dentro do hospital.

- Não... - murmuro. Ainda estou tentando me lembrar.

- Até porque não daria certo. Por exemplo, nós dois. Nos conhecemos há três dias e até então nos damos bem, certo? - eu concordo com a cabeça. - Você é o meu mentor e eu sua residente. Jamais conseguiríamos ter algo sério sem estragar essa relação.

Dou risada, não acreditando no que ouvi.

- Você acha? Eu pensei que não viveria pra ouvir uma colega de trabalho dizer isso.

- Por quê? Todas acreditavam que você as levaria pra cama e continuariam a dormir juntos e...

- Sim. Você é a primeira que não acha isso. Não sei se estou orgulhoso ou decepcionado, anjo - Ela revira os olhos. Nesse momento seguro em um cordão que há na touca do casaco dela. Fico enrolando-o no dedo, da forma como ela está enrolando o cabelo. - Talvez ofendido.

- Você é egocêntrico demais para se ofender - ela sorri, agora me olhando nos olhos.

- Você acaba de dizer que não ficaria comigo porque isso abalaria nossa relação. Acabou de me dar um fora.

E aí ela fica vermelha e desvia o olhar. Dou risada, porque isso é inédito.

- Não seja dramático...

Não preciso pensar muito no que estou prestes a dizer.

- Quer dizer que eu preciso me demitir para ficar com você?

Ela olha pra mim de novo e ri. Ri muito. Coloca a mão no meu ombro, de modo que solto o cordão da touca, e tenta se equilibrar para descer da banqueta. Aposto que ela vai dizer que precisa ir ao banheiro ou embora. Coisa de mulher. Às vezes fogem para se passarem por difíceis.

- Acho que conseguiríamos, hm, fazer as duas coisas, não? Quer dizer, não precisaria ser sério de verdade. Afinal, somos profissionais, adultos e...

E eu não a deixo terminar, pois isso supera todas as minhas expectativas.

Em um segundo acabo com os poucos centímetros que havia nos separando. Ela fica com as mãos paradas no meu peito, um tanto quanto espantada, enquanto eu encaixo as mãos em sua nuca. Não penso muito a respeito, mas acho que já imaginei essa cena centenas de vezes desde sexta-feira, quando a vi.

No início ela não correspondeu, mas instantes depois senti seus braços em volta do meu pescoço e sua mão em minha nuca.

Não procurei explorar ou conhecer. Eu só precisava beijá-la, tomando posse de sua boca, exigindo, provando. E sim, ela era muito melhor do que eu imaginava.

Enquanto uma de minhas mãos estava na sua nuca, a outra foi descendo por suas costas até alcançar sua cintura, a puxando de encontro a meu corpo. Suas mãos puxavam o meu cabelo com força e eu não tinha mais como esconder a vontade que eu tinha de prová-la de todas as formas possíveis. E, separando nossas bocas, deixei um rastro de beijos até sua orelha.

- É melhor irmos para outro lugar, anjo - sussurrei com a voz rouca de desejo, mordendo o lóbulo de sua orelha.

- Eu concordo - sua voz não passava de um sussurro, deixando claro o quanto ela queria também.

Me separei dela por um instante, apenas para tirar a carteira do bolso e deixar uma nota qualquer em cima do balcão. Me levantei, colocando a mão em suas costas e a conduzindo rápido para fora.

- Pra onde agora, doutora? - perguntei a encarando. Nina deu de ombros e me olhou nos olhos.

- Você mora longe?

Meu sorriso com certeza se alargou mais ainda, se isso era possível. Gostava de mulheres assim, decididas. Ela me queria tanto quando eu a quero.

- Chegamos lá em cinco minutos - disse simplesmente, a levando na direção do meu carro.

*****

O que vocês acharam dessa Nina toda rapidinha? Hahah Comentem pra gente suas opiniões ❤️

Esperamos muito que tenham gostado!

Gabriela e Natália.

23/09/2015

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