22 - Aparências e embates (Parte 02)

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Subitamente, foi como se Elias tivesse sido acometido por uma dor de cabeça muito forte. Os olhos estavam fechados e as mãos crispadas tremiam espasmodicamente.

Irene virou a cabeça em direção a Henrique, e este se encontrava num estado similar ao do Omag. Ficaram alguns segundos nesta batalha mental, até que o inesperado se passou. Elias finalmente se enfureceu. Uma poderosa explosão de energia se fez presente no ambiente, carregando Irene e Henrique em suas ondas de choque, atirando-os para trás. A mulher contorceu o corpo numa pirueta e conseguiu cair de pé.

Elias arremeteu para frente e alcançou o corpo do Lenmenthe em pleno ar. Agarrou a cabeça do jovem com a mão, afundando-a no chão com agressividade. Antes de desfalecer, a voz rascante do Omag chegou aos seus ouvidos, pronunciada através de dentes cerrados.

— Usar a imagem de Hana uma vez já é ruim. Tentar me ludibriar com a imagem dela e de Hélen é um abuso. Você pediu por isso, Henrique.

Toni, que também havia sentido o estouro de magia projetado por todos os lados, tentou erguer-se para ajudar Henrique, mas o máximo que conseguiu foi escorar-se no tronco da árvore, pois ainda não reunira forças para materializar a perna. Irene voou para cima do antigo companheiro, tentando afastá-lo do rapaz desacordado, mas o homem estava mais atento e focado do que nunca e desviou o soco facilmente, golpeando-a no queixo e atirando-a para o alto. A Dragoa, zonza, flutuou sem rumo vários metros acima, enquanto o Omag flexionou as pernas ligeiramente e concentrou toda a força para saltar como uma mola. Emparelhou com a mulher e agarrou todo o seu rosto, imediatamente retirando sua magia. Ela tentou remover a mão dele, mas sentiu os membros perdendo força rapidamente, de forma alarmante. Quando Elias pousou, ainda segurando-a pela cabeça, o corpo dela já estava frouxo, lânguido.

— IRENE! — Toni vociferou, em desespero, quase desabando no chão.

A Dragoa, semi-consciente, foi ao solo quando a mão se abriu e a soltou. Elias voltou-se então para Toni, os olhos faiscando, a raiva ainda dançando por trás deles. Era como se esperasse alguma reação por parte do jovem. Toni notou a pressão, mas, por mais alucinado que estivesse para partir para cima dele, a perna mágica simplesmente não respondia ao chamado. Estava mais uma vez à mercê dos acontecimentos, um inválido. Suas bochechas queimavam de ódio e vergonha.

O homem outrora conhecido como Haurir Constante dirigiu-se, possesso, rumo ao lugar onde Toni se segurava. Mas pareceu desistir do ímpeto a meio caminho. Ainda com o olhar em chamas, bufou, frustrado.

— Maldito seja, seu moleque! Estou bem aqui na sua frente, e você não vai fazer NADA?

Aquilo o atingiu como uma pedra, no centro da testa. Era óbvio que ele queria fazer alguma coisa, como estrangulá-lo. Fez um novo esforço para conjurar a perna. Esta brilhou por alguns míseros segundos, extinguindo-se em seguida. Sôfrego, atirou-se para frente, na vã tentativa de alcançar o adversário, e tudo o que conseguiu foi sujar o rosto de terra. Quando se deu conta da situação em que se encontrava, lágrimas de ira formaram-se em seus olhos.

Quando, humilhado, mirou Elias, este não estava mais furioso. Toni sentiu uma pontada de angústia no peito; o semblante do homem havia se abrandado. Sua expressão demonstrava apenas uma única coisa agora. Comiseração.

— Acho que eu estava enganado a seu respeito, Perna de Magia. Você é bem diferente daquele que apareceu para mim. O sonho devia estar errado, afinal. É uma pena — suspirou, parecendo realmente desapontado.

Virando-se de costas, Elias dirigiu-se de volta ao flagae que fora Adri. Ela continuava da mesma forma, apenas observando o desenrolar dos acontecimentos com aqueles olhos agudos, penetrantes. De frente para ela, Elias falou, em alto e bom som.

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