Capítulo vinte e um

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Na manhã seguinte as irmãs de Conrado haviam ganhado alta e estavam de volta em casa. Sua mãe estava tão radiante, que até eu quase chorei com a sua emoção. Era bom ver que as coisas estavam bem e que nenhum drama maior havia acontecido. Eu estava realmente relaxada porque as duas estavam bem e se recuperariam completamente em breve, e, claro, eu estava feliz porque Conrado parecia feliz.

Ao anoitecer nós dois deixamos a casa de sua família para voltar ao 707. Conrado está com uma expressão de alegria e de alívio em seu rosto e é por esse motivo que eu me sinto mais relaxada do que jamais estive. Eu até mesmo esqueci o ocorrido da noite passada quando nós dois estávamos tão próximos e então ele me dispensou... Ok, eu não esqueci disso, não. Nenhuma garota jamais esqueceria de ter recebido um fora do cara que gosta. Essa é a vida, fazer o quê?

- No que você está pensando? – a voz de Conrado quebra o meu silêncio. Ele está concentrado na pista à sua frente, mas sei que uma parte de sua atenção está voltada para mim.

- Ah...

- Não me diga que está pensando em nada, porque eu vou saber que é mentira – ele diz, rindo. – Sua cabeça maluca está sempre pensando em algo.

- Talvez – digo, dando de ombros.

- Vai bancar a misteriosa, agora?

Eu dou uma risada.

- Por favor, Conrado, me dê um pouco de privacidade pelo menos dentro de minha cabeça, está bem?

Ele levanta uma sobrancelha, indignado, mas com um sorriso no canto dos lábios.

- Você, por acaso, está dizendo que eu não te dou privacidade o suficiente?

- Claro que não dá – eu respondo. – Ninguém que mora com um menino tem privacidade.

Conrado ri e balança a cabeça.

- Você fala como se fôssemos duas crianças.

E aí, respondo ou não respondo? Respondo ou não respondo?

- Pelo menos um de nós, é.

- Do que você está falando?

Eu queria mesmo entrar nesse assunto? Eu queria dizer a ele como ele me tratou como uma criança na noite passada? Eu diria que ele me magoou ao me mandar voltar para a cama? Eu contaria como fiquei ferida com suas palavras, com sua rejeição?

Não, definitivamente não. Se eu dissesse qualquer coisa, ele saberia como eu me sinto sobre ele, e eu não acho que esteja preparada para falar sobre isso.

- Nada – é tudo o que digo.

Eu o escuto bufar, e então é assim, de um segundo para o outro, que Conrado e eu paramos de nos falar.

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- Será que algum dia, ainda nesse século, você vai sair desse banheiro? - Conrado, irritado, bate à porta.

Eu estou me arrumando para a festa, e após a sua cena de raiva contra o pobre pedaço de madeira que nos separa, eu não mudo a velocidade com a qual estou arrumando meu cabelo. Em primeiro lugar, não fui eu quem implorou para que fôssemos a esse evento, então o mínimo que Conrado pode fazer é ser paciente. Mas ele não é.

- Será que você pode pelo menos me dizer que está fazendo o máximo para ficar pronta mais rápido? - ele exige. - Não estamos indo a uma premiação do Oscar, você sabe, não sabe?

Eu reviro os olhos. Conrado é péssimo em tentar ser engraçado.

- Ninguém mandou você querer me arrastar para essa porcaria de festa – eu digo, alto o suficiente para que ele possa me ouvir. - Kevin estará lá, e eu não posso estar feia numa festa onde haverá meu ex-namorado e um monte de garotas dando em cima dele.

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