Capítulo 02 - O outro lado

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Desperto-me no mesmo recinto, anormal, me sinto mais forte e estável, vislumbro tudo com mais percepção, aquele sangue foi como o fruto do jardim do Éden, vejo o mundo diferente.

Habitualmente abominava espelhos, mas no momento senti uma grande ânsia de olhar em um. Já é noite e está frio naquela escura floresta, vou até em casa, entro no meu quarto onde há um espelho grande. Vejo minha pele que parecia estar mais branca, meus olhos mais negros e meus dentes afiados. Compreendo tudo, nunca me senti tão deslumbrante, nunca me senti uma princesa.

Situava-se adoentada e faleceria em pouco tempo, estava com leucemia e ninguém queria me amparar, vi uma vantagem ali, se eles não querem me ajudar por bem, terão que me ajudar por mal.

+++

Chovia de manhã e me encontrava faminta, percorri a um arvoredo, sim eu amava arvores, optava por ficar com elas ante as pessoas. Andei uma boa distância, estava no meio do nada com muita fome. Captei um tiro aparentemente surgido distanciado. Era capaz de escutar a lonjura e sentir tudo com mais percepção. Corri mais rápido que o habitual até o lugar do estrondo. Avistei um caçador ali, ele acabara de matar um passarinho, logo viu outro em cima da árvore e tornou a atirar. O pobrezinho do passarinho despencou no chão. Aquele era um homem bárbaro, eu poderia mata-lo e poupar a vida dos bichos. Eu não queria mesmo completar a transição, mas a fome já respondia por mim.

—Tchausinho passarinho. —Diz aproximando.

—Tchausinho —Digo, ele se vira e me encara.

—Bom dia princesa! Estas sozinha?

—Sim e com fome. —Digo mansa.

—Venha aqui! —Ele me olha intrigado. Me aproximo celeremente e decido fazer meu primeiro café da manhã. Exibo minhas presas.

—Mas o que é isto?

—Um animal. Mate-me! —Digo sorrindo, ele tenta fugir, mas eu o ataco, ele grita, mordo seu pescoço e sugo todo o sangue que há ali.

Quando termino noto uma corda que certamente era mais uma armadilha para matar outro animal. Recolho a corda e ato no pescoço da vítima e o ergo até a árvore onde estava o passarinho.

Cato a arma e saio.

—Eu disse para me matar!

[...]

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