Pain

643 67 19

[ Mariam ]

Eu tinha ficado para fora.

Judy caminhava até mim com um sorriso estampado no rosto. Um homem moreno com uma regata larga solta sobre seu corpo vinha andando apressadamente atrás dela.

- Mariam. Acho que não a avisaram que nunca deve ficar para fora depois do alarme. Bem, eu sinto muito. Sua pena deve ser a mesma de todos. Stockler, leve-a. - No mesmo segundo ele me agarrou fortemente. Como assim, pena? Todos olhavam para mim pela grade minúscula de suas celas. Vi os olhos de Alan. Maethe estava ao seu lado, encarando cada movimento que eu fazia. A reconheci pelos olhos. Consegui ver até Thiago. Andamos por corredores intermináveis até chegarmos em uma porta diferente. De metal. Judy a escancarou, e o homem me largou sobre uma cadeira de ferro. Prendeu minhas mãos sobre uma tábua desgastada, com marcas de sangue que me fizeram ficar em pânico. A palma de minha mão ficou para baixo. Judy apareceu com uma espécie de vara. Ah, não, não.. Por favor não.. Meu grito ecoou pelos corredores. E vieram vários. Ela batia fortemente contra as costas de minha mão. O sangue escorria pelos meus braços. Eu gemia de dor a cada vez que aquilo se chocava contra a minha pele.

- VOCÊ É UM MONSTRO!

- Todos os monstros são humanos.

Eu estava chorando. O homem me soltou e me carregou de volta para a cela. Todos continuavam me olhando. Minhas mãos pingavam, e doíam a cada movimento. Fui largada no chão de concreto. Rafael me olhou de cima a baixo. Eu sentia um gosto metálico sobre minha língua.

| Quatro Dias Depois |

Judy abriu a porta de minha cela. Com aquele maldito sorriso. As faixas que cobriam minhas mãos estavam sujas e avermelhadas. Ela me chamou, suponho que seja para trocar os farrapos. Me levantei e a segui por um corredor que nunca tinha visto. Ela abriu uma porta de madeira, dando entrada a uma sala diferente das demais. Sofisticada.

- Se sente.

Ela pareceu séria. Me sentei no sofá de couro.

- Tenho uma má notícia.

- Então pare de enrolar.

- Olhe o jeito que fala comigo. Posso prendê-la naquela cadeira novamente quado for de minha vontade.

Ela franziu a testa e me encarou.

- Sua mãe faleceu nessa madrugada.

Eu congelei. Minha mãe.

- Sinto muito. O enterro foi hoje de manhã. Liberaremos você para vê-la. Suas roupas estão no armário 665, na área de banho.

E se levantou.

Eu encarei o papel de parede à minha frente. Ela tinha morrido.

E hoje eu iria vê-la.


Asylum || r.l.Where stories live. Discover now