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Hey, como estamos? Vamos para mais um, sim?! Gostaria que vocês imaginassem que os óculos da Camila são como esses da foto, ok?!

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     Surpresa.

     Substantivo feminino. Ato ou efeito de surpreender ou ser surpreendido. Espanto; sobressalto; perturbação.

     Ser surpreendido, na maioria das vezes, vem acompanhado de um bom sorriso, de uma boa gargalhada, de um agradecimento, de lágrimas de emoção.

     Na maioria das vezes.

     Mas e quando ser surpreendido te tira as palavras? Te tira a expressão e te tira, por segundos, da sua zona de conforto? Como deveríamos reagir?

     Eu não tenho uma resposta para isso. Eu gostaria de, do fundo do coração, poder desenvolver um guia de 'como agir em situações negativas e inesperadas', mas eu não posso. Além de tudo, quem sou eu para julgar determinada situação? Quem sou eu para dizer que isso ou aquilo veio para ser 100% ruim?

     Se você tivesse uma pergunta, uma única pergunta, que pudesse surpreender alguém, o que você perguntaria? Como seu cérebro trabalharia para bolar algo que valha a surpresa de alguém?

     A maioria de nós pensaria por horas e acabaria chegando a um lugar comum a milhares de outras pessoas, mas não aquela garota.

     Não ela.

     Constrangedor não seria a palavra certa para descrever a situação instaurada naquela sala. As dezenas de jornalistas estavam em silêncio total, encarando a atrevida e petulante garota que julgou compreender mais do que todos eles. Mais do que a escritora gostaria que fosse compreendido.

     — Senhorita Jauregui. — o rapaz que outrora anunciara que seria a última pergunta pronunciou-se. — O tempo... — deixou a frase morrer no ar e a mulher assentiu.

     — Já estamos terminando. — respondeu. — Com que fundamento você está me dizendo isso, Camila? — ela tentou soar o mais suave possível, mas alguma coisa em sua mente alertava-lhe que boa coisa não estava por vir daquela garota com postura acanhada e tom atrevido.

     — Não acredito que estejamos aqui para discutir meus métodos de análise, Senhorita. — empurrou seus óculos contra seu rosto o fixando melhor. — Estamos aqui para perguntar sobre o seu livro, correto? — a jovem escritora assentiu, seu coração acelerado. Aquele tom. Aquele tom petulante. — A Senhorita me concede a última pergunta? — encarou brevemente seus colegas em sala e fitou atentamente os olhos esmeraldas tão presos em si.

     Camila não poderia imaginar que aquela situação se tornaria tão intensa. Não apenas para a jovem escritora nitidamente intrigada consigo, mas também para ela mesma. Estar sob os holofotes, ter a atenção da escritora voltada tanto para si. Não poderia ser menos intenso do que estava sendo, não para elas.

     — Se o seu colega permitir. — apontou para o jornalista o qual havia indicado anteriormente. O homem balançou a cabeça em positivo diversas vezes seguidas, rapidamente, parecendo tão envolvido quanto qualquer outro na situação que se passava bem aos seus olhos. — Então a Senhorita tem a última pergunta. — os olhos cobertos pelas lentes focaram pela milésima vez na tarde o caderno de anotações, Camila rabiscou alguma coisa rapidamente e levantou o rosto, encarando a escritora atentamente.

     — Quantos anos você tinha, Lauren? — a mulher ergueu uma sobrancelha em confusão. — Quantos anos tinha quando passou por tudo isso? — fez alguns gestos com as mãos acompanhando sua fala e, novamente, silêncio.

     — Como? — perguntou baixo, sentindo seu corpo pesar diante da surpresa nada bem vinda.

     — Quantos anos tinha quando passou pelo drama que preencheu as 207 páginas mais procuradas do último mês? Quantos anos tinha quando era você em um cárcere e não a forte e sofredora Teline James? — alguns ruídos preencheram a sala, colegas de profissão soltavam frases depreciativas para Camila, chamando-a de louca ou inconsequente, mas a jovem jornalista estava tão focada nas reações da escritora que mal ligava para todo o resto naquele ambiente.

     — Eu não... — fora interrompida.

     — Desculpe-me ter de interrompê-la, mas eu compreendi, Lauren. Eu compreendi o desabafo em cada conclusão de capítulo, quando você, inconscientemente, citava alguma frase que representasse perfeitamente o estado emocional de alguém naquela situação. Eu compreendi a forma como você se apegou tão forte à personagem de maneira tão íntima que ninguém além de vocês poderia entender. Eu compreendi a maneira como você descreveu, como citou e como propôs. Não duvidando do seu talento e criatividade, isso está mais do que claro para o mundo todo, mas você não poderia escrever daquela maneira, naquela intensidade, sem saber exatamente do que estava falando. — o pequeno discurso calou a todos no lugar, até a equipe da escritora estava atenta ao acontecido.

     Aquilo acabara de pegar a todos desprevenidos, principalmente Lauren que dificilmente fala sobre sua vida pessoal. O que a imprensa sabe sobre ela é apenas o que não se pode esconder, como relacionamentos amorosos, lugares que frequenta, contato com parentes e amigos. Mas algo assim, algo desse nível, não, nunca.

     — Senhorita Cabello. — um dos jornalistas ficou de pé, proninciando-se. — A Senhorita está ficando louca? — questionou. — Provavelmente é por isso que suas críticas são sempre descartadas das revistas e noticiários, vamos ser realistas aqui... — o homem começara a humilhar Camila, ali, na frente de todos, e apesar da surpresa evidente em Lauren, ela não podia permitir que aquilo acontecesse, ainda mais com a garota que compreende.

     — Dez! — exclamou interrompendo o discurso depreciativo do jornalista. — Eu tinha dez anos, Camila. — levantou-se de sua cadeira pegando a pequena garrafa de água que estava sobre a mesa e se retirou. Lauren se retirou pois não saberia como reagir depois de confessar em voz alta e falada o que havia confessado na voz escrita e não havia sido compreendida.

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Como nós estamos por aqui, pessoal?! Espero que tenham gostado, voltarei rápido.
TT: @lylasexual

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