Capítulo I

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Observei meu quarto. Sempre me preocupei em manter ele em ordem, e hoje eu simplesmente vou embora e nunca mais vê-lo. Bem, quando terminar a faculdade vou poder vir visitar as monitoras e zilhões de piscicólogos com quem passei a minha pré - adolescência. Minha mãe me matriculou aqui por alguns motivos, mas esses motivos podem se resumir na morte do meu pai, quando eu tinha 10 anos. Eu perdi meu chão,  pensei que não havia mais sentido em viver. Eu fui ao quarto dele, peguei uma de suas camisas favoritas e vesti. Comecei a chorar baixinho. Caminhei até a sacada e me preparei para pular do quinto andar. Então um homem bem arrumado me viu lá de embaixo, começou a gritar para eu não pular e ligou para alguém. Tinha que ser rápida, pois o corpo de bombeiros era bem pertinho. Mas aí minha mãe entrou no quarto, histérica.

- Não faça isso Alice! - então ela se aproximou para me tirar dali.

- SE VOCÊ DER MAIS UM PASSO, EU PULO AGORA!!! -  gritei.

- Alice, por favor não! - Minha mãe se ajoelhou, chorando. - Você é burra, garota?? Você não tem pena de mim? Já não basta eu ter perdido o homem da minha vida, agora vou perder você? Pense na sua vida, pense em mim.

- Que droga de vida é essa? Que tira a pessoa que você mais ama?? Tchau mãe, te amo muito - então pulei.

- FILHAAAAAAA...

Uma luz branca ofuscava minha visão. Morri? Estava no céu? Provavelmente sim. Tentei me levantar para proucurar meu pai, mas não consegui. Olhei para o meu braço, que tinha uma agulha perfurando - o. Para a minha perna, que estava engessada. Não morri, estava em um quarto de hospital. Virei minha cabeça e vi minha mãe dormindo em uma poltrona. Seu rosto, sempre bonito e impecável, estava inchado e vermelho. Deve ter chorado muito, deve me amar muito e não suporta a ideia de me perder. Talvez devo viver. Por ela.

A porta começou a se abrir e, não sei porque, fechei meus olhos e fingi estar dormindo.

- Karine, vá para casa. Você já está aqui há dois dias e não sai nem para comer. Eu fico com a Alice - um homem falou.

- Você já fez demais, Jacob. Não canso de te agradecer por ter chamado os bombeiros naquela hora. Graças a isso ela caiu em um lugar seguro. Além disso, o médico disse que ela já está consciente e agora está apenas dormindo - minha mãe falou com uma voz rouca.

Eu estava com uma dor de cabeça terrível, então comecei a massagear as têmporas e apertar os olhos.

- Filha! - minha falou e correu para me abraçar. - Fiquei com tanto medo de te perder- ela começou a chorar.

- Mãe, me desculpe - com muito esforço retribuí o abraço, também chorando. - É que meu pai era...

- Shiiiii! - ela pôs o dedo nos meu lábios. - Filha, sei que seu pai era imporatante para nós, mas devemos superar. Chorar ou morrer não vai trazê - lo de volta. Vamos enfrentar isso juntas. Combinado?

- Combinado.

- Alice, esse é o Jacob. Foi ele quem ligou para os bombeiros que te salvaram. Ele tem me ajudado a trazer comida para mim aqui no hospital.

Olhei para o lado, e lá estava um cara alto, muito bonito e o que vinha a ser, depois de três anos, o futuro noivo da minha mãe. Não sou uma daquelas adolescentes problemáticas que provavelmente iria dizer: "esse cara não vai tomar o lugar do meu pai!". Na verdade, encarei esse fato da melhor maneira possível, afinal minha mãe merecia ser feliz (e, tecnicamente, fui eu quem aproximou os dois). Mas minha mãe enfiou na cabeça que eu deveria entrar em um colégio interno e ser acompanhada por piscicólogos e piscicopedagogos e receber uma educação diferenciada. Do hospital fui pra esse colégio. Eu tinha direito à visitas nos finais de semana. À medida que conversávamos, a lembrança de meu pai começou a se tornar feliz. Ela passou a falar sobre Jacob (ou Jack, como ela passou a chamá - lo): as coisas que ele gostava, o trabalho que ele fazia, falou que ele também era viúvo e tinha um filho, chamado Niccolas. Confesso que no começo fiquei bastante encomodada em vê - la suspirando por aquele cara, mas logo a entendi. Ela era jovem e extremamente bonita, valia a pena reconstruir sua vida. Ele se mostrou bastante interessado em me conquistar com doces e visitas bastante agradáveis, em que ele falava bastante de seu filho, mais velho que eu dois anos e estudava no exterior.

O Filho do Meu PadrastoLeia esta história GRATUITAMENTE!