Capítulo I - O Encontro

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Crispian era o único filho do casal de nobres Edward e Francine. Nos dias de verão o jovem lorde gostava de cavalgar na companhia dos pais na floresta que fazia fundos com a residência onde moravam.

Durante toda a estação, no período da tarde, repetiam a mesma trilha. Porém, em um determinado dia, Crispian pediu ao pai para irem mais longe, pois ele queria se aventurar mais adentro da floresta e quem sabe ter a sorte de encontrar um urso.

Edward não viu problema em atender ao pedido do filho, já que estavam sendo escoltados por sua guarda.

Contudo, não chegaram a estender muito a caminhada quando o incidente ocorreu: algo atravessou a estrada e assustou o cavalo de Crispian, fazendo-o disparar em uma corrida sem rumo.

A criança não tinha forças suficientes para deter o animal usando somente o puxar nas rédeas e, após avançarem quilômetros floresta adentro, o cavalo voltou a se assustar. Ele relinchou, arqueou-se nas patas traseiras e fez com que o menino deslizasse pelo seu lombo e baqueasse com o solo. Logo o cavalo voltou a sua fuga desenfreada, desta vez, sem o pequeno Crispian de sobrepeso.

O jovem nobre havia recém feito nove anos, de pele clara, cabelos loiros, idênticos aos da mãe, os quais morriam na altura dos ombros e o par de belos olhos azuis claros, herdados de ambos os progenitores, formavam sua tez harmoniosa.

Após se recuperar da queda Crispian tentou ficar de pé, mas desistiu assim que apoiou o pé esquerdo no chão e sentiu uma fisgada dolorida no tornozelo. Havia se ferido na queda. Optou por arrastar-se no chão coberto por folhas secas e alcançar o tronco de uma árvore onde se encostou.

Tentou manter a calma, pois sabia que o pai logo estaria ali pra resgatá-lo. Entretanto, manter a calma enquanto ouvia o farfalhar dos arbustos ao seu redor era um desafio o qual não conseguira vencer.

A respiração ficou tensa a medida que o barulho ficou mais próximo. Quisera que fosse, mas os movimentos nas folhagens não eram uma alucinação causada por sua imaginação, aquilo que o estava rondando se desembrenhou do meio dos arbustos e expôs sua face feroz.

Surgiu o primeiro, em seguida o número aumentou para dois, depois três, quatro, cinco e quando Crispian se deu conta estava rodeado por mais de uma dezena de lobos da floresta. Os animais rosnavam e salivavam com os olhos firmes e atentos sobre o que seria uma presa: ele.

Deu-se por vencido. Não havia como fugir de uma alcateia inteira com a perna ferida. Apenas fechou os olhos e esperou ser atacado.

Porém, notou que algo errado havia acontecido. Ouvia os rosnados dos lobos, mas eles não haviam avançado. Esperançoso de que fosse a escolta do pai, Crispian reabriu os olhos, para se desanimar em seguida.

Infelizmente não era o pai, nem um dos seus homens. O que amedrontara os lobos fora algo totalmente inesperado.

Parado entre os predadores e ele havia um animal que lembrava um lobo, mas o tamanho era desproporcional ao dos outros; a criatura parecia atingir um metro de altura. Os pelos também era diferente: composto por três cores distintas, sendo o preto a cor predominante. Mas as quatro patas eram de um tom cinza claro. O cinza também se encontrava em parte das orelhas e da cabeça. A terceira cor — e talvez a mais exótica — formava uma faixa vermelha que iniciava no alto da cabeça da criatura e prosseguia por todo seu dorso até morrer na ponta da calda. Os pelos, que pareciam bem cuidados e macios, reluziam. A enorme calda lembrara a Crispian os cabelos de uma senhorita: lisos no cumprimento, mas com cachos bem definidos nas pontas.

O jovem se viu deslumbrado, hipnotizado pela beleza do animal. Até que a criatura se moveu com uma agilidade fora do comum. Seu ataque foi direcionado a um único lobo, o que parecia ser o líder da alcateia. Depois da mordida certeira no pescoço que deixou o lobo-líder agonizando no chão, os demais se afastaram a passos comedidos para trás, uivaram para o alto e fugiram desgovernados.

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