Quando o relógio toca as 6:30 da manhã eu mal posso acreditar que já tenha que levantar. Acordar cedo está entre as coisas que mais odeio na vida, agora acordar cedo na segunda, ganha posições assustadoras no ranking.
Ainda estou decidindo se vou a aula ou se invento uma cólica menstrual quando Jack Weiss bate na porta.

- Amy, 6:30.

Um arrepio percorre meu corpo ao ouvi-lo chamar-me com sua voz grave e rouca matinal. Ainda não me acostumei a ter meu amor platônico morando na minha casa. Tento me concentrar na falta de apenas dois meses para o fim do ano letivo e logo estarei em Amsterdã estudando dança contemporânea. Adeus ensino médio! Nunca mais terei que te aturar!
Ao pensar que fui aceita em uma das melhores companhias de dança da Europa, recebo uma injeção de ânimo. Dou um pulo da cama com sorriso de órfão adotado e me meto no chuveiro bem quente.

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Ao descer para o café da manhã, vejo a cena mais nojenta e indecente que um filho pode presenciar - e para minha desgraça me rodeia pelos últimos dois meses. Minha mãe na pia lavando louça cheia de risada debochada com meu padrasto atrás dela, provavelmente, falando um monte de sacanagens. Não seria nada demais se não fosse minha mãe! Essa é uma daquelas coisas inconcebíveis na vida e que não aceitamos; comer carne de cachorro e saber que sua mãe faz sexo.
Chegando próxima ao último degrau da escada, reparo no corpo incrivelmente definido de Jack. Ele usa uma camiseta regata onde deixa suas costas quase toda nua. Muitos músculos e uma calça folgada, mas que valoriza muito bem sua bundinha perfeita. Eu e minhas amigas, Megan e Kate, costumávamos ficar babando enquanto ele faz alguma anotação no quadro. Em meio a suspiros apaixonados, sempre apostávamos  quem o beijaria primeiro. Minha mãe que nem estava na brincadeira, ganhou.

Imagino seu caminho da felicidade e me pergunto se ele se depila.

Que pensamento absurdo!

Balanço a cabeça espantando tais insanidades da minha mente.

Eles estão descalços, de cabelos molhados e exalando óleo de banho. Pego a cadeira da mesa e ao puxá-la para trás bato com força no chão. Minha cara fecha e quase tenho um ataque histérico ao perceber que eles continuam como se eu não estivesse ali!

- Vão continuar com essa pouca vergonha mesmo? Sou menor de idade e virgem, putaria não faz parte do meu mundo. Ainda...

É. Peguei pesado, admito. Mas essas palavras me fizeram um bem danado ao ver que eu acabei com aquela melação ridícula.

- O que é isso Amy? Que linguajar horroroso é esse?

- Hã? Meu linguajar é horroroso? Vocês se esfregando aqui na cozinha que é horroroso!

- Amy...

- Eu não quero falar com você. A conversa é com a minha mãe.

- Mas agora ele é da família, filha. E pode ser o seu pai.

Sinto uma dor absurda ao ouvir isso. Olho nos olhos da minha mãe com ódio, muito ódio e percebo que ela se arrependeu do que disse. Ela está próxima de mim e coloca sua mão sobre meu braço. Eu a tiro feito uma adolescente ridiculamente rebelde que me tornei e me levanto.

- Ele nunca será meu pai, entendeu? Nunca! Eu perdi meu pai há menos de um ano. Não espere que eu supere isso com a mesma rapidez que você.

- Amy - ele começa novamente e minha mãe já está em lágrimas. De reflexo vejo que Jack se aproxima de Jeny e ela deita sua cabeça em seu ombro.

- Perdi o apetite.

Pego minha mochila no chão e antes de sair, rumo à garagem, falo para meu padrasto sem olhar para trás.

- Te espero no carro. Tenho aula de história no primeiro horário e meu professor detesta atrasos.

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