Capítulo 01 - Entrada

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Eu sou Vitória, uma meiga adolescente que extrapola a maior parte do tempo escutando os clássicos do Rock, sou aquela garota tímida no canto da sala, a nerd com o cabelo grande e preto, aquela que tinha apelidos como quatro olhos, Carrie a estranha, Samara, a desventurada do primeiro ano. Eu Sou Vitória, uma doce criatura que tem prazer em matar e perdeu a ingenuidade quando a avó faleceu. Sou a assassina psicopata, doentia e egoísta. Sou a garota marrenta que encobre seus sentimentos mais intensos, por quanto sou frágil e sincera, sou assim presentemente, sou um ente do mal.

Em um dia qualquer resolvi entrar em uma floresta escura, minha vida mudou para sempre. Sou feliz agora, sem limites, desprendida, faço o que eu quiser. Me comtemplo ao espelho e me constato linda, meus dentes estão afiados, minha pele branca concomitante com a neve, meus olhos escuros que combina com o meu cabelo, nunca me senti assim, tão viva. Fui diagnosticada com leucemia, mas bebo sangue não por isto, bebo por que gosto de matar, gosto do último olhar das vítimas. Com o meu vestido preto me faço de garotinha delicada e frágil, me chamam de princesa. Tenho lá minhas dúvidas.

Estava na casa da minha avó, a pouco tempo ela havia desaparecido, meu pai estava ali dando amparo a mim e minha irmã, eu fingia não se importar, não tínhamos uma relação amigável. Quando descobri que meu pai é um consumista obsessivo, nossos dramas começaram. Hoje ele se tornou o principal suspeito, e eu iria descobrir cedo ou tarde, mas o que realmente me intriga é a casa, de algum modo ele quer tomar posse disto, não é uma mansão, é uma casa simples, com uma chuva forte poderíamos correr o risco de morar na rua. Afinal o que tinha de tão especial ali?

Por fim estava com o diagnóstico em mãos onde dizia LEUCEMIA com as letras maiúsculas. Naquele momento não soube ao certo o que fazer e a quem desabafar, não tinha muitos amigos. Aprendi que neste mundo sombrio ninguém nunca quer te ajudar de verdade, ninguém nunca é bom o bastante, não é à toa que não tenho amigos, e é por isto que sei que meu destino é morrer.

Fui ao doutor e ele me disse o que eu já esperava ouvir.

— Não há transplante, não atingimos o total de doações. —Infelizmente as pessoas são assim, vivemos em um mundo onde ninguém ajuda ninguém. Eu precisava de algo simples que poderia salvar minha vida, apenas um pouco de sangue e OK. E foi então que tudo aconteceu.

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Corro desalentada até uma floresta, visto uma meia calça preta, botas, e uma blusa grande moletom, caminho frustrada, examinando em como seria minha vida com esta doença daqui em diante. Andei entre as árvores de um lado para o outro, era o meu fim até que vi que me enganei e percebi que era apenas o primórdio de uma nova história, um ensejo de ser diferente e feliz.

Ouço algo movimentar-se velozmente. Desencaminho o olhar e nada. Novamente torna a movimentar-se correndo ligeiro mal posso avistar. Que ente é aquele? Tão frenético. Sinto calafrios, nunca vi nada como aquilo. Andei vagamente de costas para uma árvore até encostar-me. Continuei a sentir medo.

O vento batia robusto fazendo meus cabelos negros voarem em minha face, cobria meus lábios rosados, olhei para todos os lados apavorada. E se for algo muito perigoso? Não posso ficar aqui, tenho que fugir, então decido sair dali. Corro muito rápido, é tolo, em instantes sou atirada no chão pela coisa, meu corpo é lançado de forma que minhas costas se arrastam deixando marcas na terra empoeirada. A pancada foi muito forte, minhas vistas embaraçam. Apoio as mãos ao chão analisando o lugar, levanto com dificuldades, e novamente sem que eu consiga ficar em pé sou jogada, desta vez em uma árvore que logo estrala com a colisão, quando tento erguer-me, sou atirada de novo com muita força ao solo fazendo deslocar-me próximo a outra árvore.

A coisa se aproxima, não dá para avistar, estou inepta em decorrência da doença, minha visão ofusca-se, consigo apenas ouvir o ente aproximar-se. Algo é posto em minha boca. Sinto um gosto de sangue, sinto uma dor intensa e vasta que em seguida percorre meus membros como bala, estou engasgada procurando entender o que está havendo, sinto vontade de gritar com tanta angústia mas estou meramente fraca e inabilitada , tento expulsar o sangue da minha boca mas declinada não consigo virar-me, estou sucumbindo-se, sem ar, minha cabeça dói, meus pulsos tenho que manter fixado ao chão, algo está acontecendo comigo, tudo dói muito, é como uma convulsão, tento respirar mas é impossível, minha garganta está tampada, luto contra a angustia mas não resisto e me entrego ao cansaço, produzo um último suspiro...

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