062.

368 41 1
                                        

Olhar seu rosto, não lembro do começo. Parece até que eu não te conheço.

Domingo | Rio de Janeiro
Arielly Almeida.

Point of view.

Joguei meu cabelo para frente, me posicionei, e tirei uma foto de frente para o espelho. Boa toda eu, meu pai.

Dei risada sozinha e saí do banheiro vendo o ranzinza com cara de cu me olhando. Parei na frente dele, e senti sua mão indo em direção ao meu vestido puxando para baixo, bati na mão dele e me afastei rindo.

— Tá cheia das graças né? — encarei ele com deboche. — vai rindo mermo, vai rindo.

Revirei os olhos e peguei minha bolsa colocando o celular dentro. — Você é um chato, não sei como eu te aguento ainda.

— Porque tu tá ligada que não tem outra escolha, fofa. — sua voz foi sarcástica e eu ignorei. Passei por ele, mas antes de sair pra fora do quarto, ele me puxou pelo pulso, grudando meu corpo no dele, sua mão direita desceu para a minha bunda apertando e subindo novamente parando na cintura onde ele me segurou firme, como se a qualquer momento eu fosse fugir, com a mão esquerda, ele enfiou os dedos pelo meu cabelo, aproximando mais ainda meu rosto do dele, senti seu alíto quente em contato com a minha pele. — gostosa.

Nem perdi tempo, beijei ele, mas não foi um beijo rápido, foi algo calmo, leve, mas cheio de mãos bobas. Finalizei o beijo com três selinhos na boca dele e passei a língua nos lábios dando um sorriso em seguida olhando nos olhos dele enquanto ele acompanhava o movimento da minha língua.

— Safada do caralho. — ele puxou meu cabelo e chupou minha orelha. — continua nessas onda pra tu vê se nois sai de casa.

Tirei forças do cu e empurrei ele fraco ajeitando meu cabelo. — na volta, você faz o que quiser comigo. — pisquei pra ele.

Saímos de casa de mãos dadas, ele deu a volta e abriu a porta do carro, esperou eu me ajeitar no banco e fechou, rodou pela frente e entrou do lado do motorista.

Ligou, e saímos dali em direção ao baile.

Quando chegamos, senti diversos olhares vindo para a gente, no fundo, acho foda essa presença que o Rw tem, e como ele consegue me deixar segura ao lado dele, me fazendo gostar dessa sensação de poder.

Subimos direto para o camarote, Renato comprimentou alguns caras mas logo me puxou para um canto afastado.

— Se liga, viu? Cada passa torto teu vai pra agendinha. — revirei os olhos.

— Tá achando que não presto atenção em você? Nos olhares, nas risadinhas? — sorri de lado. Rw já furou metade desse Vidigal, e eu nem posso ficar com raiva dele e muito menos das mulheres, até porque, ele era solteiro. Mas confesso, que me incomoda saber e ouvir piadas sobre isso. — te cuida. — pisquei e ele riu me dando um selinho.

Fiquei curtindo com ele, até que uns caras de outras facções chegaram conversando com o Renato. Fiquei com cara de taxa só ouvindo, e aliviei quando eu vi a Maju e o meu primo chegarem juntos. Dei um sinal para o meu namorado e me aproximei deles.

— Oi meus amores. — comprimentei. Maju soltou a mão do meu primo e me abraçou falando comigo. Guilherme fez cara de nojo e eu ri. Ela se afastou e ele fez um toque comigo. — Você tá bem? — perguntei a ele que concordou.

— Fica de boa, gata. — ele piscou passando os braços pela cintura da Maju e eu sorri de lado. Olhei para trás vendo que o Renato ainda conversava com os mesmo caras. Suspirei irritada e olhei pra baixo vendo a Karine dançando no meio do povo.

Tirei meu celular da bolsa e mandei uma mensagem para ela.

Karine ❤️

Sobe cá, mo
23:39.

Off.

Não deu três minutos ela me respondeu que estava vindo, me encaminhei até onde ficava os feios de guarda e pedi para liberaram a Karine.

— Que isso em, patroa. — ela tirou onda com a minha cara e eu ri. — Maria Júlia tá aqui?

— Tá sim, mas tá grudada no Gw, solta por nada. — revirei os olhos. — queria que o meu fosse assim.

— E eu queria pelo menos ter um.

Dei risada negando com a cabeça e encostamos na grade, Maju encostou em seguida, dizendo que o Guilherme tinha ido resolver uns assuntos. Ficamos dançando enquanto bebíamos, só nós três, assim como era antigamente.

Sempre quando tinha baila, havia dois camarotes, um do lado esquerdo e outro do lado direito, sempre ficamos no camarote esquerdo, Renato nunca fica lá ou eu mesma já estive por lá, sempre foi aqui.

A música trocou e em seguida todo mundo olhou para a direção da entrada do Baile do lado direito, e quem estava lá?

Dona Vanessa e Carlão entrando de mãos dadas atraindo milhares de olhares como se eles fossem o rei e a rainha, entrando no seu império e tendo todos nós como seus servidores.

E pensar que a Vanessa, a mãe que eu sempre conheci, nunca entraria em um lugar desse, pelo menos, não depois de ter se tornado mãe.

Não reconheço mais.

Eles subiram direto para o camarote direito e eu acompanhei ela com o olhar, vendo ela entrar séria com ele ao lado, encostar na grade e acender um baseado colocando na boca enquanto olha o movimento lá embaixo. Carlão sussurrou em seu ouvido, ela parecia entendiada, mas sorriu forçado.

— Quem diria, tia Vanessa em um baile. — Maju falou e eu levei o copo na boca. A cena pra mim ali era tenebrosa, porque me corroia por dentro.

Não vou julgar com quem ela está, até porque, eu estou com o Renato, que é da mesma índole que o Carlão. Mas eu fico indignada pela forma com ela se transformou, como ela se moldou para ele, como ela está agora.

— É, quem diria... — suspirei sem graça.

Eu sentia falta dela independente das circunstâncias, ela é a minha mãe.

— Iiiiii, bora desanimar não, vamos continuar metendo dança. — Karine falou e eu dei risada concordando.

×××

Eee Vanessa viu

M.

Dentro de você. Onde histórias criam vida. Descubra agora