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Não seja passageiro, seja eterno.

Sábado | Rio de Janeiro.
Karine Mendes.

point of view.

Suspirei quando vi a última cliente saindo, bebi um copo de água gelada e estralei as costas na esperança do meu corpo dar uma aliviada. Peguei um pano e fui organizando tudo para amanhã e tirando a sujeira, quando vi tudo limpo, peguei a vassoura varrendo o chão do salão, e quando finalmente acabei de organizar, fui até a frente para poder abaixar o portão e fechar.

Mas obviamente, que uma alma penada não iria deixar eu ir para casa cedo e ter o meu belo descanso.

— Fala tu, preta. — revirei os olhos e murmurei um "oi". Nos últimos dias, eu venho evitando falar com o Matheus, pra ver se assim, eu consigo tirar ele da minha cabeça e afastar os pensamentos que tenho quando o assunto é ele. — vai ignorar mesmo é?

Respirei fundo e olhei nos olhos dele. — O que você quer, Teco? — ele me olhou estranho e se aproximou. Senti minha pele arrepiar e meu coração bater um pouco mais forte.

— Po, Ka. Quero bater um dez contigo, esclarecer o que tá pendente entre nós...— senti faltar oxigênio no corpo. — tenho que te confessar uns bagulho aí, que já...— a voz dele parou quando meu celular começou a tocar no bolso da calça. Xinguei mentalmente e peguei vendo que era um menino que eu estava conversando a uns dias, mas ele é daqueles que se eu demorar um minuto, ele liga dizendo que está preocupado e que eu sumi, coloquei no silencioso e direcionei o celular para o bolso da calça novamente, cruzei os braços e encarei o branquelo na minha frente que tinha um olhar rígido. — quem é Kaua, Karine?

Levantei uma sobrancelha estranhando a pergunta e o tom de voz dele. — Qual motivo da curiosidade? — alfinetei e ele passou a mão no rosto.

— Tu tá ficando com ele? — engasguei com a própria saliva. Não tava esperando uma pergunta dessa né. — mais tarde tu engasga com outra coisa, mas me responde no papo reto! — ele pediu e eu suspirei.

— Nunca fiquei Teco. Desde o dia que eu fiquei contigo não fiquei com mais ninguém. — fui sincera. — só troco papo pra passar o tempo.

— Passar o tempo, tá bom. — ele riu e eu revirei os olhos. Ele ficou quieto e eu também, ele resmungou alguma coisa e eu me irritei.

— Me da licença, tô cansada, preciso fechar. — fui direta e ele entrou, puxou o portão pra baixo me asustando e eu dei um passo pra trás.

Não pude abrir nem a boca, Matheus veio com tudo pra cima de mim.

— — —

• ARIELLY •

— Meu Deus do céu, eu não quero ser sua cliente durante uns cinco meses. — me virei pro outro lado da cama trocando o celular de mão e escutei sua risada.

— Ele me trouxe pra casa dele denovo, tô aqui no banheiro enquanto ele dorme feito pedra. — dei risada negando com a cabeça. — se eu te falar, que ele tem sabonete esfoliante para o rosto? — cai na risada. — é tudo organizado, Arielly, meu Deus.

— Meo, para de mexer nas coisas dele, sua doida. — me levantei da cama indo até a janela e vendo o Renato chegar de moto. — tenho que desligar, Ka. Curte bastante aí e de brinde me de um sobrinho.

Ela falou algumas coisas e eu desliguei, desci as escadas e vi ele bater a porta com força, meu corpo deu um pulo pra trás e vi que ele estava sério.

— Amor, tá tudo bem? — continuei parada e ele respirou fundo. Rw não me olhou no olho, ele tirou a camisa e foi para a cozinha sem me responder, suspirei fundo passando a mão na cabeça, pelo visto o dia dele não tinha sido fácil, e para tentar manter uma conversa saudável hoje, não daria certo, só funcionaria se eu mantesse a boca calada sem questionar ele.

Fui para a sala e sentei ligando a televisão, ouvi ele xingar quando deixou alguma coisa na cozinha cair e eu respirei fundo.

— Já jantou? — ele veio até a sala, sua voz era seca e cansada. Neguei com a cabeça sem olhar direito pra ele. — Por quê não?

— Tava te esperando. — respondi no mesmo tom e encarei ele que abaixou o olhar. — se quiser conversar, eu estou aqui. — ele passou a mão na testa e se sentou no sofá.

— Briguei com teu primo hoje, as cargas estão atrasando, Carlão botando os menó pra ficar sondando o povo, Jacaré desgraçado só no deboche, tentativa de invasão hoje, organização do baile de amanhã. — ele respirou fundo e eu fui processando tudo.

— Você não é o único que trabalha pra ele, Renato. — respondi. — não joga tudo nas costas assim não, Carlão não quer ser o bom em tudo? Ele dá conta sozinho. — ele negou com a cabeça. — e sobre o Guilherme, qual foi da briga?

Ele levantou a cabeça me olhando sem graça, e eu já entendi tudo na hora, só precisava da palavra, ou melhor, do nome para poder ter certeza.

— Jacaré. — murmurou baixo, mas alto o suficiente para eu ouvir.

— Você foi falar merda para o Guilherme sobre o pai dele, não foi? Já jogando as suposições que você tá fazendo e acusando ele. — me estressei um pouco, até porque, sem provas ninguém pode acusar ninguém, ainda mais o pai do seu amigo.

— Nem foi isso não, Arielly. Nem com esse maluco eu tava falando. — ele levantou do sofá e eu ergui as sobrancelhas. — tava só comentando com o Teco só, sobre a desconfiança que eu tava tendo, aí fiz uma graça de afogar o jacaré, morou? Mas era graça po, já vou jacaré morrer afogado? — ele riu e eu revirei os olhos. — teu primo tava chegando, ouviu a parte que eu falei que ia afogar, e veio pra cima de mim.

— E você retribuiu?

— Nunca né, Ariel. Fiquei na minha po.

As palavras dele entraram por um ouvido e saiu pelo outro. Obviamente era mentira. Poderia ser quem fosse, triscou no Rw, tomou de volta.

Peguei meu celular procurando o número do meu primo e vi ele me olhar de canto de olho.

— Tá fazendo o que? — ele veio querendo pegar o celular da minha mão e eu meti logo o tapa no ombro pra deixar de ser otario.

— Mandando mensagem pro Gui.

Ele saiu da sala xingando e eu nem fui atrás.

Fico do lado da razão, mesmo que a razão nunca ande ao lado do Renato.

×××

Vai sair capítulo QUASE todos os dias.
Interagem bastante amoresss.

M.

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