Capítulo onze

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Quando abro os olhos, estou confusa. Eu estou deitada olhando para o teto branco. Começo, lentamente, a escutar alguns sons ao meu redor. Onde eu estou?

- Boa noite – um cara que está vestido como um médico diz. Por que ele está aqui?

Eu fecho os olhos e os abro novamente. Olho para os lados e percebo que estou em um hospital. Mas por quê? Quando olho para meu braço enfaixado eu suponho que me machuquei. Mas por que não lembro de nada disso? Por que eu não sinto dor?

- Você foi atropelada por uma bicicleta – o médico diz, como se tivesse lido a pergunta em meus olhos. – Nós já fizemos os exames e não há nada de errado. Você não quebrou o braço, apenas o enfaixamos porque está bastante machucado.

- Que horas são? – eu pergunto, e isso é tudo o que eu consigo pensar no momento.

- São 20 horas, senhora – ele me responde. – Nós ligamos para o único contato que tinha em seu celular. Esperamos que não tenha problema.

Já são 20 horas? Eu perdi meu turno na cafeteria! Eu serei despedida! Ah, que droga!

- Eu preciso ir – digo, tentando me levantar. Meu esforço é inútil, porque no mesmo instante sinto um par de mãos fortes me segurando contra o colchão.

Era Conrado. Como ele chegou aqui?

- Você não pode se levantar – ele me diz. – Precisa esperar mais um pouco. Daqui uma hora você receberá alta e então poderemos ir embora.

- O que você está fazendo aqui? – eu pergunto.

- Uma enfermeira me ligou pelo seu celular. Só tinha meu número gravado na memória. Quando vi que era você achei que iria dizer que queria sair para jantar. Mas aí está você, toda machucada – ele fala, com um sorriso triste.

- Desculpe, nós podemos jantar outro dia.

Conrado dá uma risada.

- Sim, nós podemos jantar outro dia.

- Agora eu estou cansada – tento dizer em meio a um bocejo.

- Eles te deram um calmante hoje mais cedo. Você estava bem assustada quando acordou do acidente.

Por que não consigo me lembrar de nada disso?

- Você está aqui desde que horas?

- Desde o meio dia, quando me ligaram.

Eu arregalo os olhos.

- Você deveria estar trabalhando! Nós dois vamos ser demitidos e passar fome!

Conrado se aproxima um pouco de mim para sussurrar.

- Tecnicamente, você é minha esposa. Os maridos podem não ir trabalhar quando suas esposas quase morrem.

Eu abro um sorriso. Estava feliz que ele estava ali.

- Certo.

- E você não vai ser despedida – ele me diz. – Eu liguei para o seu chefe e ele te deu duas semanas de folga remunerada para se recuperar.

- Duas semanas? – eu pergunto, perplexa. – Como assim?

- Sim. Eu disse a ele que você tinha se machucado bastante e que as feridas eram grandes nos seus braços e pernas e então ele mandou você ficar em casa, porque não quer uma atendente esfolada servindo os clientes – Conrado diz, rindo. – Pode ser ruim para os negócios.

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