oneshot

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Primeira Parte (Jesu):

Era por volta das três da tarde. Jesu se equilibrava em seus saltos agulha, de preto, indo para a cafeteria mais próxima. Ela se apressava; a chuva começava a engrossar. Empurrou a porta e parou lá dentro por alguns segundos para ajeitar o cabelo. Sentou-se à mesa e, com o guardanapo, secou os óculos. O garçom veio atendê-la e ela pediu um chá. Combinava com o tempo fresco e ameno. Seu telefone tocou.

— Oi? Está tudo bem, estou indo. Aguarde um momento. — Seu chefe ligara para avisar sobre uma possível sócia, e ela seria a encarregada de dar andamento aos documentos.

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Jesu

Peguei o táxi o mais rápido que pude e tentei me manter o mais apresentável possível. Minha blusa estava molhada, assim como meus cabelos. Assim que entrei no escritório, Clary se aproximou.

— O boss tá doido, acho que essa é um peixe grande. — Ela me entregou uma toalha.

— Obrigada — disse, me secando. — Ele já me falou, vou entrar agora.
Ela apenas sacudiu a cabeça e desejou uma boa sorte quase inaudível.

Bati na porta levemente e ouvi um "Entre".

— Que bom que você chegou — disse Peter, meu chefe, levantando-se. — Natália, esta é Jesulina. Ela será a responsável pela documentação.

— Olá, tudo bem? Pode me chamar de Jesu, prefiro assim. É um prazer conhecê-la! — Disse gentilmente, com a mão estendida para um aperto. Olhei nos olhos dela; alguma coisa me chamou a atenção. Era como se queimassem. Não entendi o motivo, mas deixei para lá.

— O prazer é meu, Jesu. Fique à vontade. — Ela apertou minha mão e, antes de soltar, a alisou com as pontas dos dedos, num gesto quase imperceptível. O sorriso de canto me fez suspeitar ainda mais.

A reunião demorou uns quarenta minutos, e ela não tirava os olhos de mim. Eles passeavam por todo meu corpo, voltavam para a blusa, quase transparente por causa da chuva. Meus olhos não conseguiam desviar dos dela. Olhos pequenos e castanhos, cílios finos e claros. Um charme. Os lábios finos e bem desenhados. Algo me dizia que já a tinha encontrado em algum lugar. Essa leve sensação pairava no ar.

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Natália

Dois dias antes.

Eu estava em casa, pronta para dormir, até meu celular tocar.

— Se arruma, nós estamos indo para a Pandemonium.
— Alice, eu estou pronta para ir dormir, não vou pra boate.

— Vamos, Nathy. Por favorzinhooo.
A voz chorosa dela me fez aceitar. Aquela chantagem barata sempre funciona comigo.

Troquei de roupa, coloquei alguns anéis para estilizar, uma jaqueta de couro por cima e uma calça branca. Os coturnos me deixaram um pouco mais alta do que eu já era.

Combinamos de nos encontrar na entrada. Ela sempre se atrasava; eu já estava há dez minutos esperando. Até que vi a baixinha chegando.

— Até que enfim, não é, tamborete? — Ela me olhou feio, sentindo-se ofendida.

— Não controlo o trânsito, Avatar. — Ela já estava irritada, sendo que era eu quem estava esperando.

— Não morde minha canela, acalma aí. — Disse sorrindo, e ela puxou o braço para me bater, mas desistiu. — Vamos logo que eu preciso arranjar uma boca para beijar, estou sedenta.

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