Nota da autora: Olá, amores! É bom estar de volta! De antemão aviso que os contos tinham entrado em hiato por conta de que todo meu tempo de escrita está focado na construção do meu novo livro. Até que ele seja publicado (em breve), os contos não serão atualizados com tanta frequência. Mas eles ainda não acabaram. Enquanto isso, não se esqueçam de acompanhar as atualizações da minha vida de (futura) escritora da Amazon e o andamento do meu livro pelo meu Instagram: @autoracayer. Desejo a todas um bom 2026 <3
CONTO 6
Era fim de tarde quando, com a filha nos braços, Margot atravessou a rua até o restaurante do marido. Contudo, parou no momento em que deparou-se com um dos funcionários sentado na calçada, cabisbaixo e lamurioso. Parecia um tanto infeliz.
— Com licença... Está tudo bem? — Curiosa, ela decidiu indagar.
Sem erguer a cabeça das pernas para olhá-la, o rapaz imediatamente grunhiu, queixando-se:
— Meu patrão... É um cretino de merda.
Margot travou, olhou para a filha, mas a menina ainda dormia em seu ombro. Foi uma tarde bastante cansativa brincando no parque, não poderia ter escutado o palavrão. No entanto, era um tanto irônico para ela estar numa situação como aquela. Mas decidiu não dizer nada ao homem insciente, somente arqueou a sobrancelha, franziu os lábios e questionou:
— É mesmo? O que houve?
O rapaz apertou o punho e esfregou o cabelo de maneira irritada.
— Ele é o homem mais exigente do mundo. Nunca nasceu ninguém tão perfeccionista. A cobrança é insuportável. Esse definitivamente não é um emprego para amadores, ele já havia nos dito isso, que se estamos esperando mãos em nossas cabeças, nem devíamos estar tentando esse cargo. O pagamento é muito bom, é claro, seria difícil encontrar uma oportunidade tão boa. Mas puta merda, se estou ganhando bem para gastar tudo na terapia, meu esforço vale mesmo a pena? O imbecil não pode ter alguma sensibilidade? Alguma humanidade? Acha que somos robôs? Ah, não é possível que alguém já tenha sido legal na vida desse merda, eu espero que ele tenha sido tratado como lixo igual nós somos, só então poderia existir uma justificativa para o temperamento desse babaca. Sério, o desgraçado acha que é um Coronel no exército, a cozinha deve se parecer como a porra de um quartel para ele.
Ofendida, Margot estreitou a cabeça e abriu a boca, mas o rapaz não a deixou dizer nada antes de continuar tagarelando seu desabafo:
— Será que ele não entende que não somos culpados pelas merdas que acontecem na vida dele? Se ele está minimamente de bom humor, pode ser uma pessoa tolerável, o problema é que nunca sabemos qual espécie de ser humano vamos enfrentar todos os dias. Qualquer frustração que surge na sua vida pessoal parece que fomos nós quem causamos, porque eu duvido que alguém sofra tanto as consequências daquele casamento de merda dele quanto nós. Ah, que merda... Houve uma vez que ele demitiu seis, seis, porque estava claramente com problemas com a esposa. Quem disse que isso é problema nosso? Esse... Escroto do caralho. Argh, sério. Eu espero que a vida seja justa e que ele leve muito chifre naquela cabeça dura para eu ter uma boa indenização quando for a minha vez de ser demitido. Me disseram que a sala dele é cheia de fotos da esposa queridinha, amada e intocável, e eu ouvi dizer que ela é lutadora ou algo assim. Sinceramente, estou rezando para que essa mulher seja um capeta e faça a vida dele um inferno, que seja seu karma. Eu vou ficar muito, muito feliz com seu sofrimento.
Um sorriso involuntário ameaçou surgir na boca de Margot, mas ela conseguiu contê-lo antes de mascarar a diversão e ser cuidadosa:
— Nossa... Parece um tanto estressante. O que ele fez agora para você ficar nesse estado?
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O Mar & A Rocha (MI).
Short StoryNesta curta trama procedente da história "Missão Impossível", a vida pós-final da Grande Guerra na nova realidade dos personagens é narrada sob uma perspectiva autêntica e realista em seu modo mais humano, escrita em pequenos contos que relatam as m...
