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Aproveite seus dias na terra.

Sábado | Rio de Janeiro
Renato Cardoso. RW

point of view.


Acendi o baseado e coloquei na boca. Encarei a favela e respirei fundo.

Ontem foi massa demais, sair pra distrair a mente e não pensar somente em negócios fez eu ficar mais relaxado. Mas, foi papo de momento. Seis horas da manhã e eu já tava com a cabeça a milhão.

Senti uma presença atrás de mim e direcionei a minha mão para a cintura discretamente sentindo o cano da arma.

— Fala tu. — relaxei os ombros e soltei a fumaça da boca ouvindo a voz do jacaré e logo ele ficando ao meu lado. — outra morte na viela de baixo. — anunciou e eu travei a mandíbula. — dessa vez foi um dos nossos.

Nossos.

Até parece que esse vagabundo anda tendo nada aqui.

— Quem era?

— Avianzinho novo, ninguém importante não fioti, ainda. — olhei serinho pra cara dele e soltei a fumaça nele que nem tremeu.

Uma neurose brotou na mente na mesma hora.

— Quis dizer o que com esse ainda, aí? — ele riu.

— Po, Rw. C já foi mais esperto. Querendo interrogar logo eu? Já fui quase comandante disso aqui tudo, c acha o que?

Fiquei sério e dei as costas pra ele saindo dali antes que eu desse um tiro no meio da testa desse pau no cu.

A Arielly tinha comentado comigo o que ele havia falado na casa dele quando ela foi lá. E pelo que eu conheço essa maluca, tá com a mente que nem a minha, perturbada.

Entrei na salinha das drogas que estavam tudo embalado, mo papo de organização, chega ser lindo.

— Tá de cabeça quente minha puta? — ouvi a voz do Matheus e dei risada. — sorrindo pro vento, gosto assim, gostoso.

Tirei a arma da cintura e virei rápido mirando e atirando na parede ao seu lado, fazendo ele dar um pulo e tirar a dele atirando do lado do meu pé.

— Tá chapando, arrombado. — gruni guardando a arma e vendo ele me olhar sério. — sabe nem brincar.

— Tu né, pau no cu. — passou a mão na cabeça. — Zh foi encontrado morto lá na viela, aquele lá que entrou recentemente.

— Me deram o papo ali agora. — cruzei os braços passando a mão no cavanhaque. — to com uma neurose nada boa aqui, mas só entre nós, Teco. — ele me olhou sério concordando. — Tu acha que o Jacaré seria capaz de estar matando esse povo e jogando nas costas do Carlão afim dele passar o morro pra ele, achando que nós tá sem moral? 

— Neurose errada não é não, pae. Tô ligado que ali é soberbo, olho gordo, papo de ir pro benzedor depois de dar bom dia. — neguei com a cabeça. — ele tem uns papo de querer colocar o Gw como dono daqui. Se juntar as peças faz sentido.

— Faço esse Jacaré morrer afogado, papo de exemplo. — falei serinho e direcionei meu olhar pra porta vendo o Guilherme me encarar. — qual foi? — questionei e ele veio andando até mim todo na marra.

— Posso participar da conversa não? Ou vai querer afogar meu pai pelas minhas costas? — dei um sorriso de lado.

— Eu deixo ce encher o tanque. — minha boca nem fechou e eu senti meu rosto arder e o Matheus xingar ele, Guilherme meteu o soco na minha cara.

Senti o meu sangue ferver e quando eu percebi, já tava retribuindo o murro, Gw me empurrou fazendo minhas costas baterem na mesa, me recompôs e na hora do impulso tirei a arma da cintura.

— Toma no cu vocês dois. — Matheus entrou na minha frente e eu conseguia ouvir as respirações ofegante na sala.

— Deixa ele Teco, bora ver se ele tem coragem de me matar que nem tá planejando fazer com meu pai. — eu sentia o ódio dele pelo tom de voz. Passei a mão na testa e com a outra guardei a pistola na cintura. — esse gosta de matar o pai dos outros.

— Cresce, Guilherme. Tu nem sabe do bagulho e tá falando bosta. — me irritei sabendo que ele tava se referindo ao pai da Arielly.

Sai da sala batendo tudo. Tava com uma raiva do caralho. Como tu chega, mal sabe da conversa e quer vir pra cima desse jeito? É de fuder mesmo.

Fui pra boca de baixo, e fiquei por lá até a cabeça esfriar. Não ia chegar desse jeito em casa, a outra ia encher minha mente de perguntas, e quando eu contasse, ia ser outra briga que eu não tava afim de fazer acontecer.

×××

Não me matem pelo sumiço, sorry.

M.

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