• Chapter Forty-One •

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O ar atrás do balcão era denso, impregnado pelo cheiro azedo de cerveja derramada e poeira acumulada nas prateleiras inferiores

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O ar atrás do balcão era denso, impregnado pelo cheiro azedo de cerveja derramada e poeira acumulada nas prateleiras inferiores.

Meu corpo se encolhia contra as pernas do homem, que estava em pé ao meu lado, me olhando confuso por um segundo antes de desviar os olhos para a frente, como se entendesse o motivo.

O meu vestido vermelho subia pelas coxas, uma exposição indesejada que me fazia puxar a barra com dedos trêmulos, mas cada respiração era um esforço para não fazer barulho, o coração batendo forte como um tambor de guerra, ecoando mais alto que a música baixa que vazava no canto do bar.

Ele não se mexeu. Seus olhos claros, agora semicerrados, fixavam-se na direção da porta, onde Charles havia pairado momentos antes de eu me esconder.

— Fique quieta — murmurou ele, tão baixo que foi quase um sopro no ar. — Ele não vai olhar aqui. Confie em mim.

Confiar...

A palavra era um luxo que eu não podia acreditar. Seus olhos, quando ele havia me olhado pela primeira vez, não tinham fome ou interesse em mim. Ele havia afastado o bêbado com sua mera presença, sem precisar falar nada.

Talvez, só talvez, ele fosse o fio de esperança que eu precisava para fugir deste lugar.

O sino tilintou de novo e olho para o homem que exalou devagar, o corpo relaxando ao meu lado.

— Ele se foi — disse ele, estendendo a mão para me ajudar a me levantar.

Mas eu me levantei sozinha, sem aceitar o gesto, endireitando o vestido com um puxão rápido. Ele recuou um passo, percebendo minha hesitação.

— Tudo bem. Não precisa de ajuda — murmurou ele, com um sorriso sem graça, os cantos da boca se curvando de leve.

— Bom, por que você está se escondendo dele?

— Eu fugi dele... — As palavras saíam. — Por favor, me ajude. Não sei onde estou.

Ele hesitou por um segundo, os olhos claros se estreitando enquanto me avaliava — não com desejo, mas com uma pena quieta que doía mais que o julgamento.

— Do que exatamente? — perguntou ele, a voz baixa, como se temesse a resposta.

— Eu fui sequestrada, e quando tive a oportunidade, eu fugi... — respondi, sentindo as palavras queimarem na garganta.

Ele arregalou os olhos por um instante, o choque genuíno suavizando sua expressão.

— Agora faz mais sentido... — murmurou ele, olhando para a porta.

De repente, ele estendeu a mão para pegar a minha, mas eu a afastei instintivamente, o corpo enrijecendo.

— Foi mal — disse ele, erguendo as palmas em rendição. — Vem comigo. Ele pode estar observando em algum canto.

Obscura TentaçãoOnde histórias criam vida. Descubra agora