Raven sempre acreditou que a solidão era o único lugar seguro. Depois de ser traída, espancada e marcada por quem chamava de amigos, ela aprendeu a desconfiar de todos. Entre pesadelos, remédios e o medo constante, sua vida se resume a tentar sobrev...
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- Aqui está o banheiro, senhorita - disse a mulher, com seu sotaque francês arrastado. - Deixe-me soltar essas amarras das suas mãos.
Ela pegou uma tesourinha afiada e começou a cortar a fita adesiva, o som de rasgo ecoando como um sussurro de liberdade frágil. Assim que terminou, ela se endireitou, o rosto impassível.
- Vou pegar uma roupa para você. Espere aqui.
Ela ficou parada até eu entrar no banheiro, e eu obedeci, o corpo pesado como chumbo. O banheiro do jato era um cubículo de luxo claustrofóbico, azulejos brancos reluzindo sob a luz. Tranquei a porta com um clique.
Vai que um daqueles porcos tentasse entrar? Mas eu sabia que essa porta não me protegeria por muito tempo...
O coração ainda martelava no peito, um tambor de guerra ecoando do terror na cabine, e eu me encostei na parede gelada, sentindo o metal do avião vibrar levemente sob meus dedos, como se o mundo inteiro pulsasse em sincronia com o meu pavor.
Eu precisava me limpar. Precisava lavar e retirar esse suor, o sangue seco que grudava no meu corpo e rosto, a sujeira da estrada que se infiltrava nos poros, e aquelas mãos invasoras que ainda pareciam coladas à minha pele, uma maldição invisível e pegajosa.
Olhei para os pulsos, onde a fita adesiva havia deixado marcas vermelhas e inchadas, como algemas de fogo vivo.
Retirei o pijama rasgado, o tecido leve caindo no chão como uma pele descartável, suja e inútil.
Observo meu corpo que estava com hematomas florescendo nas costelas, na barriga; arranhões nos braços e pernas;
Ainda podia sentir o gosto metálico do meu próprio sangue no lábio cortado, que ardia. Parecia uma boneca quebrada, jogada fora por uma criança cruel e sádica.
Liguei o chuveiro, e a água jorrou quente, escaldante, batendo na minha pele como agulhas de purificação impiedosa.
Deixando a água envolver meu corpo, e peguei o frasco de sabonete líquido.
Espalmei o gel nas palmas, e comecei a passar pelo corpo, como se pudesse esfregar não só a sujeira, mas o peso inteiro da merda que me esmagava.
Comecei pelos braços, traçando as curvas dos ombros, descendo até os pulsos machucados, onde a espuma escorria branca, misturando-se à água que levava embora o sangue seco.
Mas à medida que minhas mãos deslizavam pelo meus seios e pela barriga, roçando as marcas dos socos - aquelas manchas escuras e latejantes -, as memórias me atingiram como um soco no estômago, dobrando meu corpo ao meio.
Na minha mente veio os rostos deles o sorriso torto de Ethan, cheio de caos e promessas selvagens que me faziam tremer de desejo; os olhos gentis de Christian, que me ancoravam, me faziam sentir segura; a intensidade quieta de Thomas, que me olhava como se eu fosse o único segredo no mundo que valia a pena guardar até o fim.