Dez

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Eduardo

A casa noturna era uma das mais exclusivas da cidade. Portas escuras, seguranças imensos e uma fila de gente famosa tentando entrar sem convite. Eduardo não precisou esperar: os sócios o cumprimentaram na porta e abriram caminho.

Dentro, as luzes piscavam em tons de violeta, o som grave da música eletrônica fazia o chão tremer e as mesas privativas estavam tomadas de risadas, garrafas de champanhe e mulheres belíssimas. Eduardo entrou ladeado por Gustavo e dois seguranças; o resto do grupo de herdeiros já esperava.

- Finalmente! - gritou Guilherme para ser ouvido, puxando o amigo para a mesa reservada no mezanino. - O homem do momento.

Eduardo forçou um sorriso.
- Você está em todas as manchetes hoje, das revistas de economia aos posts de fofoca - disse, servindo-se de uísque.

- O que eu queria mesmo saber é como sua mulher deixou você vir beber depois daquelas fotos com a Elisa. - Alexandre Amaral, herdeiro do grupo Amaral, deixou escapar o comentário. No fundo, invejava o quanto Vivian costumava mimar o marido.

- Vivian pediu o divórcio! - Gustavo soltou de repente, já cansado de segurar a notícia.

- Ela endoidou de vez? Em sã consciência jamais faria isso - retrucou Renato, balançando a cabeça. - Ela te ama, Eduardo. Sempre amou. Todo mundo via isso.

Gustavo concordou:
- É só pirraça, cara. A volta da Elisa mexeu com ela, só isso. Ciúmes.

- Mulher ciumenta é fogo mesmo. Eu já me divorciei de duas. A próxima vou incluir no acordo pré-nupcial: se me encher, sai sem nada. - André, o escandaloso herdeiro do grupo Motta, riu alto. Seus próprios excessos o tinham afastado do conselho da família.

- Eu ainda acho difícil acreditar que ela tenha pedido o divórcio mesmo. Não é como se fosse uma grande herdeira que pudesse recusar a vida de riqueza dos Braga - disse Renato, sempre lembrado como o menos influente do grupo. Apesar de ter dinheiro para seis gerações, não se comparava ao império dos Braga. - Ela vai voltar atrás, pedindo perdão.

Eduardo girou o copo entre os dedos, em silêncio. Parte dele queria acreditar. Não, precisava acreditar.
- Vocês falam como se conhecessem Vivian melhor do que eu - disse, amargo.

- A gente conhece, sim - retrucou Lucas, que até então permanecera calado. Seu tom foi mais sério que o habitual. - Eu conheço muito bem. E sei que ela não é do tipo que joga por interesse.

A mesa silenciou. Lucas apoiou os braços e encarou Eduardo.
- O defeito da Vivian foi ter se apaixonado por você, Eduardo. Só isso.

- Ah, pronto - ironizou Renato, rindo. - O advogado da Vivian entrou na roda.

- Não sou advogado de ninguém. Só estou dizendo o que é óbvio. Ela sempre foi honesta, sempre colocou você em primeiro lugar. Se ela foi embora, é porque você passou dos limites.

Eduardo revirou os olhos, irritado.
- Você fala como se ela fosse uma santa.

- Não é santa - rebateu Lucas, firme. - É humana. E você nunca enxergou isso.

O clima pesou. Para quebrar o silêncio, Guilherme ergueu a taça.
- Gente, vamos parar com esse drama. Eduardo, você sabe que ela vai voltar. Amanhã mesmo fala com o advogado e manda segurar esses papéis. Dá um tempo. Quando ela se cansar da birra, vai bater na sua porta chorando. - Ele mesmo tinha testemunhado o drama na época da faculdade, Vivian começou a aparecer com o rosto inchado de tanto chorar depois que Eduardo e Elisa começaram a sair.

Eduardo respirou fundo. Aquela ideia parecia razoável. Não que fosse procurá-la - jamais daria esse gostinho a Vivian. Mas sim, talvez fosse melhor segurar o divórcio. Deixá-la esgotar a brincadeira e então fazê-la entender que esse tipo de jogo não funcionava com ele.

Enquanto o grupo ria, bebia e comentava trivialidades, Renato recebeu uma notificação no celular. Ele olhou, arregalou os olhos e cutucou Gustavo.
- Você não vai acreditar. - virou a tela para o lado.

Gustavo franziu o cenho, depois soltou um assobio baixo.
- Eduardo... você precisa ver isso.

O celular chegou às mãos de Eduardo. Era um vídeo gravado em um bar simples, mas cheio de gente. Amigos de Vivian. No centro da sala, ela sorria, rodeada de abraços e taças erguidas. Atrás, uma faixa brilhante ocupava a parede: "Feliz Divórcio!"

O coração dele bateu pesado. O som da música ao redor desapareceu, engolido pela fúria que subia como fogo. O copo que segurava estourou em sua mão com um estalo seco. Os estilhaços o cortaram, mas ele nem sentiu.

- Filha da... - a voz saiu baixa, perigosa.

- Eduardo, calma - Gustavo se levantou rápido, tentando conter o amigo. - Você está alterado. Não é lugar pra isso. - Ele sabia que, apesar de exclusivo, aquele clube sempre tinha algum paparazzi infiltrado.

Eduardo se ergueu bruscamente, os olhos faiscando.
- Ela vai se arrepender. Ousa comemorar o divórcio... Quem ela pensa que é? Vou sim ao advogado amanhã. Ela vai sair sem um tostão!

Gustavo só então percebeu o quanto o amigo já tinha bebido. Ele estava transtornado.

Marcos se apressou a chamar os funcionários para limpar a bagunça, enquanto Gustavo praticamente arrastava Eduardo para fora.
- Vamos pra casa. - sua voz não admitia réplica. - Amanhã você pensa com a cabeça fria.

Eduardo deixou-se conduzir, mas dentro dele a raiva queimava como ácido. O brinde, a faixa, o sorriso de Vivian... Tudo isso era inaceitável.

Naquela noite, não conseguiu ver nada além da afronta. E, para Eduardo Braga, afronta era algo que não ficava impune.

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Degustação O CEO Vai Implorar Por AmorOnde histórias criam vida. Descubra agora