• Chapter Thirty-Six •

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O carro seguia em silêncio

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O carro seguia em silêncio. Mas não era um silêncio qualquer. Era denso, sufocante, como se cada respiração pudesse se transformar em acusação. O motor roncava baixo, e o rádio desligado só fazia o ar ficar mais pesado, quase impossível de suportar.

Por que eles tinham que fazer aquilo na frente da minha mãe e do Luiz?

Estou ferrada. Mas não vou me desesperar... Já tenho praticamente dezoito anos, posso namorar.

Com um, talvez. Mas com três?

Fecho os olhos e me repreendo. Minha mãe já não gosta de me ver com ninguém. Imagina três? Ela vai surtar. E o Luiz... aquele homem é um doente. Tenho medo do que ele pode fazer comigo depois de ter visto aquilo.

Respiro fundo e abro os olhos, tentando me distrair olhando pela janela. Mas cedo demais desvio o olhar para o retrovisor - e encontro os olhos de Luiz cravados em mim.

Meu corpo inteiro enrijece. Aperto os punhos no colo, forçando os dedos contra a pele para não tremer. Desvio o olhar pera a janela.

- Raven... - a voz da minha mãe rompeu o silêncio, baixa, mas incisiva. Ela não olhou para trás, manteve os olhos na estrada, como se já tivesse ensaiado cada palavra. - Quem eram aqueles homens?

Meu estômago virou. Eu sabia que essa pergunta viria. Respirei fundo, tentando disfarçar o nervosismo. Não quero responder perto dele. Odeio falar perto dele.

- São meus amigos... amigos da Sophia. - murmurei rápido, as palavras atropeladas, como se assim pudesse evitar novas perguntas.

Não era mentira, mas também não era verdade. Eles são mais do que isso, mesmo que eu não saiba nomear o que temos. E, do jeito possessivo que eles me olham, fica impossível negar.

- Eu já disse que não quero você andando com gente que eu não conheço. - a voz da minha mãe ganhou força, junto com aquele tom que me feria mais do que qualquer grito. - Você esqueceu o que aconteceu na sua antiga escola?

Ela virou o rosto e me encarou, os olhos duros, cheios de reprovação.

As lembranças me atingiram como lâminas: os empurrões, as risadas cruéis, o gosto metálico da dor, o chão frio contra minha pele.

Meu peito ardeu e precisei morder a língua. Eu ainda tomava os comprimidos para segurar a ansiedade. Agora menos, é verdade, mas era como um vício - um remendo frágil para um coração despedaçado.

- Eles não fizeram nada comigo... - murmurei para mim. - Eles nunca fariam...

O caminho até em casa pareceu interminável.

Quando finalmente o carro parou na garagem, saí apressada, empurrando a porta antes mesmo do motor desligar.

Entrei em casa sem olhar para trás, passos rápidos, como se a pressa pudesse me proteger. Subi as escadas quase correndo, com o som abafado da voz da minha mãe conversando com Luiz ecoando lá embaixo.

Obscura TentaçãoOnde histórias criam vida. Descubra agora