Raven sempre acreditou que a solidão era o único lugar seguro. Depois de ser traída, espancada e marcada por quem chamava de amigos, ela aprendeu a desconfiar de todos. Entre pesadelos, remédios e o medo constante, sua vida se resume a tentar sobrev...
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Os dias se arrastavam como se o mundo tivesse sido drenado de suas cores, reduzido a tons de cinza. Toda manhã, eu abria os olhos e encarava o teto do meu quarto, esperando que o vazio que apertava meu peito tivesse desaparecido. Não desaparecia.
Depois da última briga com minha mãe, o abismo entre nós cresceu até engolir qualquer resquício de calor. Ela mal me olhava, e quando abria a boca, suas palavras eram facas — curtas, secas, ríspidas.
Eu me sentia uma intrusa na minha própria casa, uma sombra que não pertencia àquele espaço. E, pior, havia Luiz. Só de pensar no jeito que seus olhos me seguiam, como se pudesse ver através de mim, minha pele arrepiava de pavor.
Eu evitava ficar em casa para ficar na biblioteca, junto com outros alunos para uma feira de leitura. Só dessa forma para minha mãe deixar ficar fora de casa.
Quando fico em casa, eu me tranco no quarto para evitar de ver ele. O meu coração acelerava a cada rangido no corredor. Era uma dança de medo, e eu estava cansada de dançar.
E, como se isso não bastasse, os meninos haviam sumido. Sem mensagens, sem as aparições repentinas que costumavam virar meu mundo de cabeça para baixo.
Eu fingia que não me importava, repetindo para mim mesma que talvez fosse melhor assim, que a ausência deles era um alívio. Mas, no fundo, a verdade cortava como uma ferida que não cicatriza. Eu sentia falta deles — do jeito que me faziam sentir viva.
Ethan, com aqueles olhos que me prendiam como se eu já fosse parte dele, uma posse que ele não precisava explicar. Christian, tão cuidadoso, tão calculado, mas com um toque que fazia minha alma tremer, como se ele soubesse exatamente onde eu estava quebrada. E Thomas... ah, Thomas, sempre lutando contra si mesmo, contra o desejo que brilhava em seus olhos, um abismo que me puxava como um ímã. Eu queria mergulhar nele, mesmo sabendo que poderia me afogar.
Suspirei, apoiando a cabeça na mão, o lápis esquecido sobre o caderno.
Sexta-feira, última aula. A sala estava quase vazia, com risadas dos colegas ecoando como um rádio mal sintonizado, falando de festas e do baile de formatura.
Meus olhos se perderam pela janela, com o céu escurecendo. Eu me perguntava se algum dia encontraria um lugar onde pudesse respirar sem sentir o peso do vazio e medo.
Tudo mudou tão rápido nesses dias. Tiffany e Stefany foram transferidas, como se a escola as tivesse apagado de um dia para o outro. Cloe, depois de sair do hospital, partiu para o Canadá sem deixar rastros.
Ainda vi Tiffany antes de ser transferida, com o braço engessado, os dedos imóveis, o pai ao lado na secretaria com uma expressão que misturava raiva e alívio. Depois disso, ela sumiu.
Era estranho, quase sobrenatural, como se as pessoas ao meu redor estivessem sendo arrancadas da minha vida, uma por uma. Foi um alívio não ver elas pelos corredores e nas aulas me atormentando.