• Chapter Thirty-Four •

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Acordei com o quarto mergulhado em penumbra, mas não estava totalmente escuro

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Acordei com o quarto mergulhado em penumbra, mas não estava totalmente escuro. A luz dourada que escapava pelas frestas da cortina parecia brilhar direto contra meus olhos, ferindo minha visão cansada. Pisquei algumas vezes, lenta, como se minhas pálpebras pesassem toneladas. Meu corpo inteiro parecia feito de chumbo. Cada músculo anestesiado, cada pensamento arrastado.

O remédio ainda corria em minhas veias.

Meus olhos vagaram pelo quarto em silêncio, como se eu estivesse dopada... e eu estava.

Engoli em seco ao focar no relógio digital na cabeceira: 17h32. Uma parte de mim queria rir do absurdo, outra queria apenas apagar de novo. Fechei os olhos, passei a mão pela testa, afastando os cabelos que caíam sobre o rosto.

- Dormi o dia inteiro... - sussurrei para mim mesma, a voz rouca. Um riso fraco escapou, sem graça. - Falhei em morrer.

Balanço a cabeça, como se pudesse me repreender.

- No que estou falando? Estou enlouquecendo mesmo.

Levantei devagar, sentindo as pernas trêmulas como se fossem cacos prestes a se quebrar. Caminhei até o espelho e encarei meu reflexo: cabelos soltos, bagunçados, pele pálida, olheiras profundas. Arrumei o pijama amassado, ajeitei os fios rebeldes... um esforço inútil. A imagem que devolvia meu olhar era a de alguém perdida.

Peguei o celular sobre a mesa. Mensagens de Sophia. "Você está bem?" Ela sempre pergunta isso, como se desconfiasse da verdade que nunca conto. Respondi com um "sim" automático, mentiroso e breve.

Destranquei a porta e saí do quarto. O corredor estava mergulhado no mesmo silêncio sufocante de sempre. Essa casa parecia abandonada, mesmo habitada. E, por incrível que pareça, esse vazio me confortava. Era melhor do que esbarrar com ele.

Prefiro o silêncio do que a presença dele.

Desci as escadas devagar, os degraus rangendo sob meus pés. Passei pela sala de jantar, e segui até a cozinha. O som metálico de panelas ecoava no ar. Ao entrar, encontrei Mary.

Ela estava de costas, mexendo algo no fogão. Pequena, cabelos já marcados de branco, olhar sempre gentil. Gosto dela. Desde que vim morar aqui, foi a única que se importou de verdade em me lembrar de comer, em puxar conversa, em sorrir como se eu fosse digna de um afeto simples.

Mary sentiu minha presença e se virou, os olhos azuis iluminando o ambiente mais do que qualquer lâmpada. Sorriu para mim como quem reencontra alguém querido.

- Ah, você acordou, finalmente. - Sua voz era calorosa, quase maternal. - Dormiu tanto que achei que fosse virar princesa encantada.

Senti meus lábios se curvarem num sorriso fraco. Caminhei até a bancada e me sentei.

- Essa é a tendência, Mary. - murmurei, sem humor, mas com sinceridade.

Ela riu baixinho, balançando a cabeça.
- Você tem que comer, sua teimosa. Isso não vai te fazer bem. - Repreendeu, como fazia sempre. - Aliás, sua mãe saiu cedo. Deve voltar só de noite...

Obscura TentaçãoOnde histórias criam vida. Descubra agora