• Chapter Thirty-Three •

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O carro mergulhava num silêncio pesado, como se até o motor tivesse medo de romper aquela tensão

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O carro mergulhava num silêncio pesado, como se até o motor tivesse medo de romper aquela tensão. Lá fora, a estrada se estendia infinita, engolida pela noite escura. O asfalto ainda refletia o brilho úmido da chuva que caíra mais cedo, e os faróis varriam a escuridão, criando manchas de luz que desapareciam rápido demais.

Ethan estava no banco do passageiro, a postura relaxada demais para alguém com os punhos cobertos de sangue seco. O cheiro metálico se misturava ao do couro do carro. Ele olhava pela janela, mas o reflexo no vidro denunciava um sorriso — aquele sorriso satisfeito que só aparecia quando ele estava relembrando algo violento.

No banco de trás, Christian limpava as mãos com um pano branco, agora manchado de vermelho. Seus movimentos eram lentos, metódicos, quase rituais, como se quisesse apagar cada vestígio de quem havia tocado. O pano se tingia, e ele nem piscava.

— Você é tão fresco, Christian… — a voz de Ethan quebrou o silêncio, carregada de sarcasmo. — Não dá pra esperar chegar em casa pra se limpar? Ou é nojinho do sangue?

Christian soltou uma risada curta, seca.

— Não é nojo — respondeu sem levantar os olhos. — Eu só não gosto de carregar o rastro de quem não vale nada na minha pele.

O reflexo no vidro mostrou Ethan virando o rosto devagar, arqueando uma sobrancelha como se saboreasse a provocação.

— Será que é só isso mesmo?

Pelo retrovisor, vi Christian inclinar o corpo para frente, os olhos se estreitando.

— Pelo menos eu não fico excitado batendo em gente que implora por misericórdia.

Ethan sorriu torto, um brilho perverso nos olhos.

— Talvez devesse tentar. É libertador.

Minha paciência foi embora no mesmo instante.

— Chega. — minha voz cortou o ar, baixa e firme. — Já entregamos os dois pro Enrico. Agora vamos direto pro apartamento da cidade. Eu tô com dor de cabeça, e quero silêncio dentro da merda desse carro.

Ethan se virou para mim, aquele maldito sorriso debochado ainda no rosto.

— E o que eu tenho a ver com a sua dor de cabeça?

Desviei os olhos da estrada por um segundo para encarar ele, deixando o peso do meu olhar falar por mim.

— Você vai ter a ver… quando eu quebrar seus dentes e fizer você engolir.

Christian riu baixinho no banco de trás, como se estivesse assistindo a uma briga de irmãos.

— Calma aí… pra quê tanta violência? — Ethan respondeu, rindo, antes de encostar a cabeça no banco e finalmente se calar.

O silêncio voltou, mas era aquele silêncio tenso, cheio de coisas não ditas. Só o som constante dos pneus no asfalto molhado preenchia o espaço. Eu mantive os olhos na estrada, sentindo o ar denso dentro do carro, cada um de nós perdido nos próprios pensamentos — alguns mais perigosos que outros.

Obscura TentaçãoOnde histórias criam vida. Descubra agora