Raven sempre acreditou que a solidão era o único lugar seguro. Depois de ser traída, espancada e marcada por quem chamava de amigos, ela aprendeu a desconfiar de todos. Entre pesadelos, remédios e o medo constante, sua vida se resume a tentar sobrev...
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Entro no quarto com Sophia, que fecha a porta atrás de si. Ela joga a bolsa sobre a cama e se senta, os olhos grudados em mim, braços cruzados, como se estivesse esperando que eu desabasse ali mesmo.
Mas tudo o que consigo fazer é inspirar fundo e soltar o ar devagar, tentando reunir coragem para dizer em voz alta o que aconteceu.
— Conta o que aconteceu. — Ela me olha.
— Eu… — começo, hesitante. — Eu estava no banheiro quando a Cloe apareceu. Ela me ameaçou. As amigas dela me seguraram… e começaram a me bater e me cortar. — Estendo o braço e mostro o corte para Sophia.
Ela segura meu pulso com cuidado, os olhos arregalados de preocupação.
— Filha da puta… — ela diz, olhando o corte. — Eu não acredito que ela teve coragem de fazer isso! E depois?
— Eu chutei a Cloe com força. Ela caiu e bateu a cabeça na pia. Quando as outras me soltaram, eu corri. Eu só queria sumir dali… — falo tudo de uma vez, sem respirar direito.
Os olhos de Sophia se arregalam ainda mais, e ela solta uma risada nervosa. Levanta-se da cama de um salto e me abraça com força, pulando de empolgação.
— O Ethan me contou por alto, mas não que tinha sido assim! Amiga, eu estou tão orgulhosa de você! Aquela desgraçada merecia isso faz tempo. Se não fosse você, eu mesma ia acabar com ela! — Ela ri alto. — Mas eu teria batido com a cara dela no chão umas três vezes antes.
Sorrio, meio envergonhada, e me sento ao lado dela.
— E depois que eu fui embora? O que aconteceu?
O tom muda. Sophia se acomoda mais perto e fica séria.
— Quando tocou o sinal e você não voltou pra sala, senti um pressentimento ruim. Então saí da sala e fui até o corredor. Foi aí que vi a Stefany desesperada, correndo até o diretor e dizendo que a Cloe estava no banheiro. Logo depois começou o burburinho: ela estava caída no chão, no meio de uma poça de sangue. Chamaram uma ambulância, foi o caos. — Ela me encara. — E você… sumida.
Meu estômago revira.
— Tentei ligar pra você, mas seu celular estava na mochila. Então liguei pro Ethan. Ele disse que você estava com eles. Pedi explicações, mas ele só disse que você empurrou a Cloe e saiu correndo da escola, e que o Christian te encontrou. Depois disso, ele me pediu pra investigar tudo que eu pudesse.
— E conseguiu?
— Um pouco. — Ela cruza os braços. — Ouvi a mulher da secretaria comentando. Disseram que a Cloe falou que escorregou sozinha, que tinha água no chão do banheiro e ela caiu.
Franzo a testa, confusa.
— Ela disse isso?
— Disse. O que é mais estranho, pois Cloe nunca perderia a chance de ferrar alguém… ainda mais você.