Raven sempre acreditou que a solidão era o único lugar seguro. Depois de ser traída, espancada e marcada por quem chamava de amigos, ela aprendeu a desconfiar de todos. Entre pesadelos, remédios e o medo constante, sua vida se resume a tentar sobrev...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Caminho até a cozinha e pego o copo de água da minha pequena. Estou preocupado. Furioso. E uma parte de mim sente uma angústia sufocante por não saber o que realmente a deixou daquele jeito — assustada não, aterrorizada.
Vou até o armário e meu olhar cai sobre a caixinha branca no canto — calmantes que a gente usa de vez em quando, quando o sono não vem depois de uma missão pesada.
Penso por um segundo.
Ela está tão nervosa... tão assustada. Talvez isso ajude a acalmar e fazê-la dormir.
Pego um comprimido. A ideia de dar isso a ela me incomoda — não gosto de medicar ninguém sem saber —, mas... eu prefiro vê-la descansando do que se debatendo com o medo.
Aquilo não foi só um pesadelo. Eu senti nos olhos dela. Foi real demais.
E o pior? Eu não posso protegê-la se ela não me contar.
Aperto o copo com força. Meus dedos doem, meu maxilar trava. Se alguém encostou um dedo nela daquele jeito... eu juro por tudo que há de mais podre nesse mundo... vai morrer.
Não vai só morrer. Vai desaparecer da face da Terra.
Algo aconteceu. Talvez tenha ligação com as garotas que a machucaram... aquele corte no braço ainda me dá nos nervos. Amanhã, aquelas vadias vão se arrepender por sequer olharem para ela.
Respiro fundo, tentando não estilhaçar o copo. Volto para o quarto.
Ao entrar, vejo minha pequena encolhida ao lado de Christian. Ele acaricia os cabelos dela como se fosse a coisa mais preciosa do mundo — e é.
Ver ela assim... me quebra. Algumas horas atrás, ela estava nos braços da gente, tão entregue. E agora está retraída, assustada. Mas eu vou fazer o impossível para trazer de volta o sorriso dela.
Ela está usando uma camisa minha. A mesma que deixei dobrada na cama dela. Ver aquela peça no corpo dela... porra, que visão. Tão linda, tão minha.
Concentra, Ethan. Ela tá abalada.
Sento ao lado dela. Toco sua mão levemente e, instintivamente, ela se afasta. Me olha com aqueles olhos azuis marejados e levemente arregalados que me partem em mil pedaços.
Recuo devagar e entrego o copo.
— Desculpa... trouxe sua água. E toma esse comprimido, vai te ajudar a ficar mais relaxada — murmuro.
Ela hesita, mas depois toca minha mão, com delicadeza. Um leve sorriso escapa de seus lábios.
— Obrigada... — Ela coloca o comprimido na boca e bebe com a água.
Aquele simples toque me alivia mais do que eu gostaria de admitir.
— De nada, pequena. — Depois que ela bebe, escuto Thomas dizer: