Raven sempre acreditou que a solidão era o único lugar seguro. Depois de ser traída, espancada e marcada por quem chamava de amigos, ela aprendeu a desconfiar de todos. Entre pesadelos, remédios e o medo constante, sua vida se resume a tentar sobrev...
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A luz branca do elevador me faz apertar os olhos. Tá tudo meio torto, e a cabeça... porra, parece que alguém tá batendo um tambor dentro dela. Me encosto na parede de metal gelado e respiro fundo. A garrafa de uísque já virou só lembrança amarga no meu estômago.
Eu não devia ter deixado ela me encontrar. Não assim.
Sinto a mão dela tocar meu braço — leve, quase com medo. Depois, a palma sobe devagar até o meu rosto.
Fecho os olhos por um segundo, tentando ignorar o toque. Mas não consigo. A pele dela é macia, suave e fria. Eu gostei.
— Você tá bem? — ela pergunta, com aquela voz de quem tenta ser forte, mas tá cheia de preocupação.
— Tô bem. Não se preocupa comigo — respondo.
— Você não parece estar "bem"... — Ela olha nos meus olhos, e eu olho nos dela. São lindos e azuis como o mar.
— Me deixa em paz, Raven — a frase sai como um rosnado. Mais uma defesa do que qualquer outra coisa. — Não preciso de você.
A verdade é que eu preciso. Mas não posso.
O elevador faz aquele barulho metálico irritante e as portas começam a abrir. Tiro o corpo da parede e sigo pra frente de uma vez. Mas meus pés não obedecem. Tropeço — não chego a cair — e me seguro na parede, me xingando por não conseguir nem andar direito.
Ela tenta me ajudar, mas me afasto com um movimento brusco.
— Se eu cair... você não teria nem força pra me carregar, então é melhor não ajudar. — resmungo, desequilibrado, tentando recuperar uma pose que já não tenho.
Ela me encara, chateada, mas não fala nada. Sai andando na frente. O som dos passos dela ecoa pelo corredor até a porta do apartamento. Fico observando o jeito que a bunda dela se mexe a cada passo. Ela é uma tremenda gostosa.
Ela para diante da porta e dá batidas fracas. Eu lembro que estou com a chave.
— Eu tenho a chave — aviso, mas antes que possa pegar, a porta se abre.
Christian.
O olhar dele vai direto pra Raven, depois pra mim. A preocupação escorre da expressão dele como sangue fresco.
— Onde você estava? — ele pergunta, puxando a mão dela. Mas quando ela vai sala é interrompida.
— Thomas... por que você tá bêbado? Onde você estava? — Ethan apareceu atrás de Christian.
— Me deixem em paz — grunho, tentando passar por eles. — Não é da conta de vocês.
— Você está bêbado mesmo. Que ótimo — Ethan diz, me seguindo.
— Vocês já me viram bêbado. Não é surpresa — retruco, caminhando até a cozinha. A luz me incomoda, mas ignoro.