• Chapter Thirty •

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A luz branca do elevador me faz apertar os olhos

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A luz branca do elevador me faz apertar os olhos. Tá tudo meio torto, e a cabeça... porra, parece que alguém tá batendo um tambor dentro dela. Me encosto na parede de metal gelado e respiro fundo. A garrafa de uísque já virou só lembrança amarga no meu estômago.

Eu não devia ter deixado ela me encontrar. Não assim.

Sinto a mão dela tocar meu braço — leve, quase com medo. Depois, a palma sobe devagar até o meu rosto.

Fecho os olhos por um segundo, tentando ignorar o toque. Mas não consigo. A pele dela é macia, suave e fria. Eu gostei.

— Você tá bem? — ela pergunta, com aquela voz de quem tenta ser forte, mas tá cheia de preocupação.

— Tô bem. Não se preocupa comigo — respondo.

— Você não parece estar "bem"... — Ela olha nos meus olhos, e eu olho nos dela. São lindos e azuis como o mar.

— Me deixa em paz, Raven — a frase sai como um rosnado. Mais uma defesa do que qualquer outra coisa. — Não preciso de você.

A verdade é que eu preciso. Mas não posso.

O elevador faz aquele barulho metálico irritante e as portas começam a abrir. Tiro o corpo da parede e sigo pra frente de uma vez. Mas meus pés não obedecem. Tropeço — não chego a cair — e me seguro na parede, me xingando por não conseguir nem andar direito.

Ela tenta me ajudar, mas me afasto com um movimento brusco.

— Se eu cair... você não teria nem força pra me carregar, então é melhor não ajudar. — resmungo, desequilibrado, tentando recuperar uma pose que já não tenho.

Ela me encara, chateada, mas não fala nada. Sai andando na frente. O som dos passos dela ecoa pelo corredor até a porta do apartamento. Fico observando o jeito que a bunda dela se mexe a cada passo. Ela é uma tremenda gostosa.

Ela para diante da porta e dá batidas fracas. Eu lembro que estou com a chave.

— Eu tenho a chave — aviso, mas antes que possa pegar, a porta se abre.

Christian.

O olhar dele vai direto pra Raven, depois pra mim. A preocupação escorre da expressão dele como sangue fresco.

— Onde você estava? — ele pergunta, puxando a mão dela. Mas quando ela vai sala é interrompida.

— Thomas... por que você tá bêbado? Onde você estava? — Ethan apareceu atrás de Christian.

— Me deixem em paz — grunho, tentando passar por eles. — Não é da conta de vocês.

— Você está bêbado mesmo. Que ótimo — Ethan diz, me seguindo.

— Vocês já me viram bêbado. Não é surpresa — retruco, caminhando até a cozinha. A luz me incomoda, mas ignoro.

— Não assim — Christian rebate, firme.

Obscura TentaçãoOnde histórias criam vida. Descubra agora