Raven sempre acreditou que a solidão era o único lugar seguro. Depois de ser traída, espancada e marcada por quem chamava de amigos, ela aprendeu a desconfiar de todos. Entre pesadelos, remédios e o medo constante, sua vida se resume a tentar sobrev...
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O apartamento estava em silêncio, exceto pelo som abafado da água no banheiro. Raven ainda estava lá. Fazia quase meia hora. Não a pressionei. Ela precisava daquele tempo. Depois do que aconteceu, o mínimo que eu podia fazer era dar espaço… e ficar alerta.
Sentei no braço do sofá, os olhos presos na porta do corredor, mas os pensamentos em outro lugar. O sangue. O desespero nos olhos dela. O jeito como ela tremia quando a peguei nos meus braços. Ela parecia tão... perdida.
O barulho da porta se abrindo me tirou dos meus pensamentos. Ethan entrou apressado com seu olhar atento.
— E aí, cadê a pequena? — ele perguntou, tirando a jaqueta e jogando-a no encosto da poltrona.
— Tá no banho. — Minha voz saiu mais áspera do que eu pretendia.
Thomas entrou logo depois, silencioso como sempre. Ele observava tudo.
— Não me diga que a gente virou lar de acolhimento agora — Thomas disse, sério.
— Não fala merda, Thomas — digo, olhando bravo para ele, que apenas ignora.
— E então? — Ethan se sentou no sofá, abrindo os braços. — Vai nos contar ou vamos adivinhar?
Suspirei fundo, passei a mão pelo rosto.
— Ela foi atacada na escola, no banheiro. Três garotas. Uma delas cortou o braço dela com um estilete. — Fiz uma pausa, sentindo o estômago revirar só de lembrar. — Ela se defendeu. Chutou uma delas, que bateu a cabeça. Ela não sabe o que aconteceu depois. Fugiu. Me encontrou por acaso na rua. Ela estava em choque.
Thomas franziu o cenho.
— Você acha que a garota está morta?
— Não sei. Raven não sabe e, se não estiver... a coisa vai complicar pra ela, mais do que já está. Além disso, tem as testemunhas.
Thomas concordou com um leve aceno. Ethan apenas bufou.
— E agora? O que a gente faz?
— Protegemos ela. Por enquanto, ela fica aqui. Segura. Depois a gente vê.
Antes que mais alguma coisa fosse dita, vejo ela parada no corredor que dá entrada pra sala onde estamos. Olho pra ela e não consigo tirar os olhos dela.
E só escutava o som da minha respiração, que ficou tensa só por vê-la com aquela maldita toalha naquele corpo pequeno.
O mundo pareceu parar.
Os cabelos ainda molhados grudavam no rosto, pingando pelas clavículas, traçando caminhos perigosos pela pele. A toalha era grande… mas nela, parecia minúscula. As pernas nuas, o ombro exposto, os olhos baixos, como se tentasse se esconder dentro do pano.
E mesmo assim, ela era impossível de ignorar.
O ar mudou. Quente. Tenso. Carregado.
Retiro meu olhar e olho para Ethan, que a observava com olhos semicerrados, quase faminto, como se cada gota de água no corpo dela fosse uma provocação.