Raven sempre acreditou que a solidão era o único lugar seguro. Depois de ser traída, espancada e marcada por quem chamava de amigos, ela aprendeu a desconfiar de todos. Entre pesadelos, remédios e o medo constante, sua vida se resume a tentar sobrev...
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Corri como se o inferno estivesse no meu encalço. Meus pés batiam no asfalto sem ritmo, desajeitados. A adrenalina rugia nas veias, quente, feroz, pulsando como um trovão no peito.
A escola ficou para trás, junto cm o banheiro manchado de sangue e os gritos histéricos de Tiffany e Stefany chamando por Cloe. Eu não sabia se ela estava viva. Não sabia se a matei. Só sabia que não podia parar.
As ras passavam embaçadas, borradas pelas lágrimas teimosas que insistiam em cair. Meus pulmões queimavam, meu corpo tremia, e minha mente era um caos de culpa, medo e um grito mudo por socorro.
Me enfiei entre carros, dobrei esquinas sem destino. Eu só queria sumir. Desaparecer daquele mundo que parecia determinado a me destruir.
Foi então que ouvi. O ronco grave de um motor. Um carro preto freou bruscamente ao meu lado. Congelei. O coração parou por um segundo, temendo que fosse Luiz... ou pior, algum policial.
A porta do motorista se abriu. Um rapaz loiro, alto, desceu apressado, o rosto tenso. Seus olhos claros me encontraram.
Christian.
— Raven? — ele disse, confuso, alarmado. — O que você tá fazendo aqui? Você... tá sangrando?
Foi só então que notei os cortes nos meus braços. Sangue seco e fresco manchava a camisa da escola. Minhas mãos estavam sujas de terra e poeira. Eu parecia uma fugitiva.
Minha garganta tentou formar palavras, mas só saiu um soluço. Minhas pernas cederam. O mundo girou. Ele correu até mim e me segurou antes que eu desabasse na calçada. A adrenalina ainda está no meu corpo, mas sinto que estou sem forças.
— Ei, calma... tô aqui... tá tudo bem agora.
Ele me puxou para um abraço, e meu corpo se encaixou no dele como se ele fosse o único porto seguro que restava. Tremia tanto que mal conseguia respirar. Meus dedos se agarraram ao tecido da camisa dele. E, por um momento, chorei. Chorei tudo o que havia segurado até ali.
— Você precisa de um hospital? Quer que eu te leve? Ou pra delegacia? O que aconteceu?
— Não... por favor!
Encarei-o com os olhos borrados de lágrimas. Conhecia Christian de vista, das poucas vezes em que o vi com os amigos… Mas principalmente, por ter me salvado naquela festa na boate.
Mesmo assim, ele era quase um estranho.
— Você me promete que vai me ouvir... e não vai me julgar? — perguntei, hesitante.
Ele assentiu, os olhos endurecendo. Um músculo de sua mandíbula se contraiu.
— Quer me contar o que aconteceu? — perguntou, sem me pressionar.
Meu corpo gritava para não confiar. Para não abrir outra ferida. Mas minha alma implorava por ajuda. E ele era tudo o que eu tinha naquele instante.
— Foi no banheiro... Três meninas... elas... — engasguei com as palavras, com a lembrança do estilete tocando minha pele. — Elas queriam me machucar. Por vingança... E eu... eu chutei uma delas. Ela caiu, bateu a cabeça. E... eu fugi.