O vento quente da noite cortava meu rosto enquanto eu pilotava a moto pelo morro, as ruas escuras passando rápido pelos meus olhos. Depois de um dia inteiro na faculdade, tudo o que eu queria era chegar em casa, tomar um banho e esquecer um pouco da vida.
Mas, no fundo, sabia que isso era impossível.
Eu tentava ignorar Falcão. Tentava fingir que nada tinha acontecido entre nós. Mas como esquecer o gosto dele nos meus lábios? A forma como suas mãos deslizaram pela minha pele, me prendendo em uma armadilha da qual eu não queria escapar?
O pior de tudo era a culpa. Ela vinha como um veneno lento, corroendo cada canto da minha consciência sempre que minha mãe sorria para ele, sem suspeitar de nada.
Mas, por mais que eu tentasse me convencer de que aquilo precisava parar, de que eu deveria manter distância, Falcão não facilitava.
Porque ele sabia.
Sabia que eu estava fugindo dele.
E pior: sabia que eu não conseguiria resistir por muito tempo.
Desci da moto, deixando-a encostada ao lado da entrada. A sala estava em silêncio, e a televisão desligada indicava que minha mãe provavelmente já tinha ido pro quarto.
Soltei um suspiro, estalando o pescoço antes de atravessar o pequeno corredor que levava aos quartos. Mas, quando coloquei o pé no primeiro degrau da escada, o som me atingiu.
Gemidos.
Meus músculos enrijeceram no mesmo instante.
Fechei os olhos, já imaginando a cena que me esperava se abrisse a porta errada. Não era a primeira vez que ouvia minha mãe com meu padrasto. Eu evitava pensar nisso, evitava lembrar. Só que agora os sons pareciam mais intensos, mais desesperados.
Um gemido baixo, carregado de prazer bruto, atravessou a porta entreaberta do quarto no fim do corredor.
Engoli seco.
Algo dentro de mim me dizia para dar meia-volta e fingir que nunca ouvi nada, mas minhas pernas se moveram sozinhas, os passos leves contra o piso de madeira.
Quando alcancei a porta, meu coração martelava contra as costelas.
Os gemidos continuavam, o som de pele se chocando preenchendo o silêncio da casa.
Coloquei a mão na madeira e empurrei a porta um pouco mais, só o suficiente para enxergar o interior do quarto.
E então vi.
Falcão estava nu, os músculos definidos brilhando sob a luz amarelada do abajur, o corpo coberto pelo suor, o peito subindo e descendo enquanto ele segurava com força a cintura da mulher à sua frente.
Só que não era uma mulher.
Era uma boneca.
De silicone.
Igual a mim.
Minha respiração falhou, o corpo congelando no lugar.
Os cabelos longos e ondulados, a pele clara, os traços delicados era como olhar para o meu reflexo distorcido.
Minha mente gritava para eu sair dali, mas meu corpo não obedecia.
Falcão gemia baixo, a voz rouca, o maxilar travado enquanto afundava na boneca com força. Os dedos apertavam a cintura falsa como se fosse real, e seus olhos estavam semicerrados, o peito arfando com a intensidade do prazer.
— Caralho, Mavi… — ele rosnou, a voz carregada de desejo sujo.
Meu estômago revirou.
Meus olhos se arregalaram.
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TODOS OS DEFEITOS DO AMOR
Teen Fiction[Este livro não retrata a realidade nua e crua das favelas, é apenas uma história fictícia com o intuito de entreter] ❝ Uma conexão obscena entre enteada e padrasto ❞ No meio do caos de uma invasão no morro, Falcão, dono do morro, salva Maria Vitóri...
